Crítica | O Roubo do Rubi Real (Agatha Christie’s Poirot 3X09)

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estrelas 3,5

Esta história é também conhecida como A Aventura do Pudim de Natal, título igualmente dado ao livro de contos lançado por Agatha Christie em 1960. A história é um divertimento familiar da autora, que no prefácio fala sobre o Natal de sua infância e do quanto isso marcou a sua memória para sempre, influenciando, inclusive, em alguns aspectos de sua literatura, especialmente em momentos de grandes reuniões familiares nos contos e romances.

Na presente trama, temos um herdeiro político de uma “nação amiga” (aqui é o Príncipe Farouk, do Egito, interpretado por Tariq Alibai) que por imprudência e aventuras libidinosas da juventude, perde uma importante joia da família, algo que custará muito a ele, a seu país e ao Reino Unido, criando impasses que a Família Real Britânica e a Scotland Yard pretendem evitar. É aí que Hercule Poirot entra em cena, saindo de sua solidão natalina para a passagem da famosa data com uma grande família, uma que ele não conhecia e em um lugar onde prestaria dois serviços e meio, sendo essa “metade” uma brincadeira que ele mesmo se permitiu ao longo do processo.

A adaptação, dirigida por Andrew Grieve torna o período natalino a coisa menos importante da obra, o que foi um grande erro, pois isso também afeta o clima familiar e o aconchego da mansão onde Poirot foi convidado para pousar. Essa estadia é uma desculpa para que ele encontre o rubi roubado e, por tabela, também investigue uma querela familiar de importância aparentemente secundária, mas que vai ganhando força com o passar dos minutos. Neste episódio, a narrativa é mais fria, com um ambiente de Natal mais contemporâneo, seguindo à margem dos clichês do gênero, que em sua maior parte, mesmo em obras urbanas, coloca no Natal uma aura de grandeza e força impressionantes. Este seria o clichê correto para aparecer aqui.

A representação do príncipe como um odiável e mimado jovem não pareceu em nada interessante. Qualquer membro de uma realeza, aos 19 anos, já sabe muitíssimo bem como se comportar diante do público e especialmente em viagens internacionais, sejam diplomáticas ou apenas para turismo. No conto, o estilo do príncipe é marcado mais por ações desse tipo ligadas à ingenuidade, não à estupidez e desafios autoritários que ele coloca para o detetive e seu companheiro. Sem contar que o personagem poderia ganhar uma melhor impressão diante do público, mas isso não acontece em momento algum. O ator Tariq Alibai faz um bom trabalho dentro do roteiro que recebeu, mas seu personagem é o grande elefante branco da história, não se encaixando nem na narrativa de “juventude transviada” que o texto nos quer vender.

As melhores cenas, claro, estão na casa de campo, cujos arredores e o próprio uso da locação poderiam dar a atender um afastamento maior da cidade se a montagem fosse mais eficiente, mas isto não é algo que atrapalha tanto. Poirot age mais por debaixo dos panos aqui e mesmo que a história seja bem óbvia, tanto no original quanto na adaptação, o espectador sempre sente aquela sensação de “dever cumprido” quando vê seus palpites se tornarem realidade. Um bom suspense, com uma visão interessante — embora não isenta de erros — para um dos contos calorosos, bem humorados e com uma história de importância nacional que se dilui à mágica do Natal de Agatha Christie.

O Roubo do Rubi Real (The Theft of the Royal Ruby / The Adventure of the Christmas Pudding – Agatha Christie’s Poirot 3X09) — Reino Unido, 24 de fevereiro de 1991
Direção: Andrew Grieve
Roteiro:  Anthony Horowitz, Clive Exton (baseados na obra de Agatha Christie)
Elenco: David Suchet, Frederick Treves, Stephanie Cole, David Howey, Tariq Alibai, Helena Michell, John Vernon, Nigel Le Vaillant, Robyn Moore, John Dunbar, Alessia Gwyther, Jonathan R. Scott, Edward Holmes, Siobhan Garahy, Susan Field
Duração: 46 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.