Crítica | O Segredo de Berlim

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estrelas 2,5

Se O Segredo de Berlim (2006) constitui-se um filme mediano é porque desde os primeiros minutos de sua projeção uma enorme promessa se ensaia; porém, ao final, quase nada dessa promessa permanece, e somos obrigados a engolir um drama meio noir, meio drama clássico, com pitadas de Casablanca e Alemanha, Ano Zero numa atmosfera do tipo de O Falcão Maltês. Talvez essa descrição razoavelmente negativa faça o filme parecer pior do que realmente é, mas certamente justifica-se pela apatia gerada no espectador a partir da metade da obra. Vamos, portanto, aos fatos.

A película é baseada na obra de Joseph Kanon, num roteiro debilmente adaptado por Paul Attanasio, e que é a fonte principal dos tropeços da película. A história do jornalista americano que vai a Berlim à época da Conferência de Potsdam (Julho/Agosto, 1945), e que, além de encontrar a mulher que amou, percebe-se cercado por uma intriga política digna dos primórdios da Guerra Fria, sugere uma boa trama, ainda mais com os elementos fornecidos pelo autor, focando em cada uma das histórias mais ou menos paralelas, num mundo particular, quase desprendido do enredo. Mas é exatamente aí que a adaptação, e depois, a direção, erram o passo. Em dado momento do filme as coisas se confundem. Não se sabe qual é o foco; se voltamos nosso olhar para as querelas políticas dos EUA x URSS; se atentamos para o domínio soviético na destruída Berlim; se tentamos entender as influências políticas externas à trama ou se juntamos tudo isso para chegar a um consenso. Ao juntar tudo, temos a terrível constatação de histórias dramaticamente sem importância (ou de pouca importância, pelo menos) e que poderiam ser deixadas de lado em prol de um maior desenvolvimento de outro ponto do roteiro, a intriga que daria conta de todos os personagens, por exemplo.

Deixando de lado o excesso de informações e histórias, estamos diante de um filme que não pode, em hipótese alguma, ser descartado. Primeiro porque, mesmo que não seja fiel ao noir que procura aludir e nem siga à risca a cartilha do drama clássico (o filme é na verdade um thriller de cadência histórica), o próprio dinamismo técnico e os esforços de Steven Soderbergh para recriar esse mundo do pós-guerra — fazendo uso, inclusive, de cenas de documentários — são um atrativo irresistível e formam todo aquele aparato encantador que chega a nos prometer demais logo no início do longa. Ainda sobre essas questões, vale dizer que o próprio Soderbergh é o único responsável por elas, uma vez que além de dirigir o filme, ele realizou a fotografia (sob o pseudônimo de Peter Andrews) e a montagem (sob o pseudônimo de Mary Ann Bernard). Já a maravilhosa e dialética trilha sonora é assinada por Thomas Newman, uma trilha muito propícia e de caráter sinfônico muitíssimo bem pensado, se levarmos em conta a sua importância nos momentos finais da obra.

Cate Blanchett e Tobey Maguire são os destaques do filme, muitíssimo bem colocados em seus personagens. George Clooney é sempre ótimo, dentro do que se cobra dele nos filmes, mas Jake Geismer certamente não é um de seus melhores papéis no cinema, deixando-o apenas dentro da normalidade. O Segredo de Berlim é um filme que por seu forte impacto técnico e por seu fraquíssimo desenvolvimento de enredo gera opostos e conflitantes sentimentos de defesa e acusação ao filme, porém, se considerarmos friamente o todo, entendemos que há mais pecados do que virtudes, sendo a pior delas o vácuo de sentido que paira no ar após o fade-out final. Uma obra mediana quando não deveria ser.

O Segredo de Berlim (The Good German, EUA, 2006)
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Paul Attanasio (adaptação da obra de Joseph Kanon)
Elenco: Jack Thompson, John Roeder, George Clooney, Tobey Maguire, Cate Blachett, Dominc Comperatore, Dave Power, Tony Curran, Ravil Isyanov
Duração: 105min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.