Crítica | O Sequestro (2017)

O que não falta em Hollywood são filmes sobre sequestro, de Busca Implacável até Os Suspeitosa temática já foi abordada das mais variadas formas. Isso, contudo, não impediu o diretor Luis Prieto de explorar esse tema, em O Sequestro, colocando a mãe da criança abduzida como protagonista de uma obra que segue por caminhos similares à já citada estrelada por Liam Neeson. A grande diferença aqui é que a personagem central não conta com qualquer treinamento militar ou algo do gênero, sendo apenas uma pessoa comum em busca de seu filho.

No início da projeção somos apresentados a  Karla Dyson (Halle Berry), uma garçonete recém divorciada, que trabalha como garçonete em uma pequena lanchonete. Após um longo prólogo que não influencia absolutamente nada no filme, ela leva seu filho, ainda criança, ao parque. Lá ela precisa atender a ligação e momentaneamente sai de perto da criança, que acaba sendo sequestrada. Desesperada tenta encontrá-lo e acaba vendo-o sendo levado para um carro por um homem. Karla, então, corre atrás do sequestrador e, incapaz de impedir que o carro dê a largada, ela entra em sua própria van e começa a perseguir o sujeito, recusando-se a parar até ter seu filho de volta.

A proposta de O Sequestro não traz absolutamente nada de novo, mas ainda assim seria capaz de nos entreter, caso fosse bem executada, o que, infelizmente, não ocorre aqui. O roteiro de Knate Lee gasta boa parte do filme na perseguição de carro, com o sequestrador ocasionalmente ameaçando a criança, o que força a mãe a recuar, apenas para acelerar posteriormente. Essa dinâmica, com um ou outro acontecimento no meio do caminho, mantém-se quase até o fim do filme, de forma exageradamente repetitiva, cansando o espectador, dilatando a obra de tal forma que sua duração parece ser muito mais longa do que efetivamente é. Quando enfim essa estrutura é quebrada, entramos em uma sequência longa demais, tirando qualquer força do clímax. Somado a isso, temos um excesso de decisões estúpidas por parte de todos os personagens do longa, questão que tira qualquer seriedade da obra.

Não bastasse isso, Halle Berry, como protagonista, faz um bom trabalho apenas nas raras sequências fora do carro, provocando risadas involuntárias no espectador quando está dentro do veículo, com seus gritos exagerados e pelos constantes monólogos, que se tornam ainda mais artificiais em razão do estranho trabalho de decupagem de Luiz Prieto, que utiliza planos muito próximos, evidenciando a artificialidade de tudo, impedindo, portanto, que o espectador seja imerso na narrativa. Chega a ser engraçado como o diretor para não decidir entra a linguagem de filme de ação e a de suspense, algo que se torna muito evidente com alguns planos abertos que não combinam nem um pouco com o restante da obra.

O mesmo sintoma abala a trilha sonora de Federico Jusid, que tenta criar uma atmosfera épica, exageradamente dramática, que faz parecer como se estivéssemos assistindo um filme de super-herói. A tentativa, claramente, é a de pintar essa mãe como heroína (e de fato ela é), mas tais melodias não funcionam de maneira orgânica, quebrando nossa atenção, como se a trilha fosse apenas encaixada nessa obra, não tendo sido composta para ela, aspecto que, também, traz mais inesperadas risadas ao espectador.

O Sequestro, portanto, acaba sendo mais filme de comédia do que efetivamente um thriller de ação, contando com mais humor não intencionado do que tensão efetivamente. Halle Berry soa extremamente artificial dentro desse contexto, não sendo, nem um pouco, ajudada pela errática direção de Luis Prieto, ou pela trilha de Federico Jusid, ambos exagerados demais em seus trabalhos. Ganhamos, pois, um exemplar que não foge do básico, sendo uma versão piorada de outros filmes da mesma temática, falhando miseravelmente em criar a tensão necessária a um longa-metragem sobre sequestro.

O Sequestro (Kidnap) — EUA, 2017
Direção:
 Luis Prieto
Roteiro: Knate Lee
Elenco: Halle Berry, Sage Correa, Chris McGinn,  Lew Temple,  Jason George, Christopher Berry, Arron Shiver,  Kurtis Bedford
Duração: 95 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.