Crítica | O Sétimo Filho

estrelas 4

Uma fábula medieval com bruxas, metamorfoses e alquimia. Dirigido pelo diretor russo Sergey Bodrov, O Sétimo Filho projeta na tela uma jornada do herói nos moldes já conhecidos e consegue entreter com um elenco convincente e uma narrativa bem amarrada.

Ao assisti-lo você não vai mais se surpreender com os efeitos especiais — que antes arrebatariam um grande “uau, que fera” do espectador —, porque se tornou algo bastante usual e outros já fizeram melhor em transportar o espectador para o mundo digitalizado, como foi o caso de Senhor dos Anéis.

Depois do sucesso de Harry Potter e a mais recente celebração em torno de Game of Thrones é difícil emplacar um filme menos ambicioso do que franquias como Jogos Vorazes e agora também Divergentes. Mas este filme consegue fazer o papel dele na indústria da “cinemificação” de livros voltados para o público adolescente.

Tem o herói, o mentor, a donzela, a vilã e sua trupe, o questionamento, a descoberta que engata a jornada, a batalha entre o bem e o mal e o fim sem final determinado, mas conclusivo o suficiente para dar o fechamento. Isso é o resumo do formato mais disseminado no cinema.

E o que você irá ver — da mesma forma como foi contado muitas outras vezes, mas com a perspectiva honesta de um filme feito para entreter — é a vocação do sétimo filho do sétimo filho (Ben Barnes), como caça-feitiços, ser testada pelo cavaleiro alquimista (Jeff Bridges). Eles se preparam para enfrentar a Mãe Malkin (Julianne Moore), que é a rainha maligna das bruxas.

Nesta empreitada, Bridges assume características bem marcantes e que já são de fácil reconhecimento para este tipo de personagem, mas consegue emprestar bastante intensidade ao Mestre Gregory. Tom traz as nuances de progressão esperadas de um herói que ainda não se consolidou como tal e dá uma atuação natural.

O que vemos sobre as personagens femininas é o empoderamento da força e feminilidade, típicos da representação de bruxas no cinema, tal qual em Da Magia à Sedução ou Stardust, que é uma referência mais próxima do gênero do longa-metragem e guarda mais semelhanças. As personagens das bruxas são bem trabalhadas em cima da dualidade entre usar os poderes para o mal ou para o bem.

As razões para a transição de um lado para o outro são pontuadas na fita como um alerta para o espectador, que se prepara para uma evolução da história depois que a luz do cinema acende. A tomar pela série literária seria ingenuidade não esperar por uma sequência inumerável de filmes.

O Sétimo Filho (Seventh Son, EUA, Reino Unido, Canadá e China – 2014)
Diretor: Sergey Bodrov
Roteiro: Charles Leavitt, Steven Knight, Matt Greenberg adaptado da obra de Joseph Delaney
Elenco: Julianne Moore, Jeff Brifges, Ben Barnes, Alicia Vikander, Antje Traue, Olivia Williams, John DeSantis, Kit Harington, Djimon Hounsou
Duração: 102 min.

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.