Crítica | O Sonho (Agatha Christie’s Poirot 1X10)

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Último conto protagonizado por Hercule Poirot no livro A Aventura do Pudim de NatalO Sonho traz uma situação bastante incomum para o famoso detetive. Ele é chamado por um empresário excêntrico para uma reunião em um horário nada propício para reuniões, e tudo ocorre da maneira mais estranha possível. Poirot se irrita, suspeita do que está acontecendo, mas não tem muito espaço para perguntas, pois é mandado mandado para fora da casa deste estranho Sr. Benedict Farley. O choque verdadeiro vem quando a bizarra história de um sonho onde o Sr. Farley se suicidava, de fato, acontece. E claro, Poirot é chamado para investigar o caso.

Dirigido por Edward Bennett, este episódio da série Agatha Christie’s Poirot é um bom exemplo de como unir uma situação maluca de um cliente com um pouco de comédia e uma investigação difícil, mesmo para alguém do nível de Poirot. O fato de ter muita gente candidata à autoria do crime é um dos fatores que fazem a trama avançar a partir de um mistério oculto e cheio de nuances. Neste ponto, a direção e até o roteiro de Clive Exton se aproveitam do clima para fazer o Sr. Farley (muito bem interpretado por Alan Howard, que igualmente interpreta Hugo Cornworthy) parecer alguém odioso, lembrando bastante outra vítima de Christie, em O Injustiçado.

No bloco fora da investigação temos uma cômica situação onde Miss Lemon (Pauline Moran) anda às voltas com uma máquina de escrever defeituosa, para a qual Poirot ignora todos os pedidos de conserto ou substituição. Não é sempre na série que temos uma participação causal de Miss Lemon tão bem acoplada à história principal, partindo dela, inclusive, a sugestão que levaria Poirot para a resolução do crime. Por sua vez, Moran consegue transmitir uma afetividade, frustração e lealdade tão grandes que é impossível não simpatizar com a personagem e se “solidarizar” com os seus dissabores profissionais, ainda mais com um chefe como Poirot.

O ponto fraco do episódio está na exposição da família Farley, especialmente da Sra. Farley, interpretada por uma irreconhecível Mary Tamm, a primeira Romana de Doctor Who. O problema, aliás, não é a atriz. Sua personagem, porém, parece bastante deslocada, tem poucos diálogos e sempre que vai fazer alguma colocação, é interrompida ou escanteada em detrimento da herdeira da fortuna, Joanna Farley (Joely Richardson, ótima no papel). O espectador até espera que uma conversa entre a Sra. Farley e Poirot seja melhor capturada pela câmera, mas isso não acontece. A direção parece decidida a não se aproximar da personagem e há aqui um distanciamento imenso dela. Entendo que parte da planificação ou da colocação em segundo plano tenha sido um dos modos que o roteiro encontrou para desviar a nossa atenção da personagem, mas o preço pago não valeu a isca. Seria melhor um real aproveitamento de Tamm em cena, em vez dessa colocação da atriz em segundo plano.

Aparentemente “impossível”, o caso Farley chega ao fim em uma resolução rápida e até cínica por parte de Poirot. Hastings (Hugh Fraser) é colocado para agir no momento final e pontualmente sua participação é boa, embora não seja algo que possamos dizer de sua presença no restante do episódio. O Sonho é uma história engenhosa, que captura bem a essência do conto e nos deixa intrigados a maior parte do tempo. Caso o diretor tivesse mais cuidado ao mostrar os personagens (e o roteiro, ao desenvolvê-los), poderíamos ter uma linha de suspeitas ainda maior, beneficiando muito mais o drama, mas isso não chega a tirar o fato de que a versão para Agatha Christie’s Poirot deste conto da Rainha do Crime é uma boa adaptação.

O Sonho (The Dream — Agatha Christie’s Poirot 1X10) — Reino Unido, 19 de março de 1989
Direção: Edward Bennett
Roteiro: Clive Exton
Elenco: David Suchet, Hugh Fraser, Philip Jackson, Pauline Moran, Alan Howard, Joely Richardson, Mary Tamm, Martin Wenner, Christopher Saul, Paul Lacoux, Neville Phillips, Tommy Wright, Fred Bryant, Donald Bisset
Duração: 50 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.