Crítica | O Último Caçador de Bruxas

estrelas 2

Logo quando vemos que Vin Diesel vai se aventurar num épico de fantasia inspirado em um de seus personagens de Dungeons & Dragons (Sim, o eterno Dom Toretto é um nerd de carteirinha), meio que já sabemos o que esperar. Muito provavelmente algo ruim e brega que apenas se sustentaria na presença – e não carisma – do ator, com um mínimo de diversão despretensiosa. Bem, é exatamente isso que O Último Caçador de Bruxas entrega.

Escrita por Cory Goodman, Matt Sazama e Burk Sharpless, a trama começa há 800 anos atrás, quando um grupo de caçadores liderado por Kaulder (Vin Diesel) fecha o cerco na Rainha das Bruxas (Julie Engelbrecht), conseguindo exterminá-la. Porém, em seus últimos minutos, ela amaldiçoa o paladino com a imortalidade, fazendo-o passar os próximos séculos combatendo bruxas e magia negra com a ajuda da Igreja Católica. Quando a Rainha ameaça retornar, Kaulder encontrará novos aliados para proteger o mundo.

Não é preciso pensar muito para sacar as óbvias influências de Highlander – O Guerreiro Mortal e de O Aprendiz de Feiticeiro, com seus protagonistas imortais e as óbvias ameaças em uma metrópole contemporânea. No começo, até funciona: o sistema batizado de O Machado e a Cruz é interessante pela sucessão de padres que são escolhidos e designados para auxiliar Kaulder ao longo das décadas, nos apresentando ao 36º Dolan (Michael Caine) e o 37º (Elijah Wood). Isso cria uma dinâmica interessante entre Caine e Diesel, apenas pelo mero detalhe de Kaulder tratar seu envelhecido parceiro como “garoto”, e confesso que vê-los conversando no sofá ao som de “Moonlight Sonata” é muito mais dinâmico do que a caça às bruxas em si.

Não demora muito para que o espectador comece a perceber como a imortalidade de Kaulder está ligada ao retorno da Rainha, levando a narrativa para uma trilha de clichês e reviravoltas sem sentido no último ato – sério, chega a ser risível a “troca de lado” de um dos personagens. E por falar em risos, é a única reação possível quando o texto nos traz frases como “Sua mãe nunca te ensinou a nunca pegar doces de árvores?” ou o fato de vermos Diesel constantemente soprando bafo nas janelas para identificar pentagramas e outros símbolos mágicos.

O universo criado é confuso e brega, contando com um “conselho de bruxas” na porta dos fundos de uma igreja (sério) e um bar administrado por uma “bruxa do bem manipuladora de sonhos e memórias”, vivida por Rosie Leslie (a Ygritte de Game of Thrones). A ação comandada por Breck Eisner é sem imaginação e dependente demais em efeitos visuais irregulares, trazendo raízes malignas e gigantes de… er, madeira como instrumentos das bruxas. Quanto a estas, têm um tratamento muito decente graças ao trabalho de maquiagem prostética (principalmente na Rainha), que surge infinitamente melhor do que qualquer efeito CGI da produção. Felizmente, o longa nunca tenta ser um terror. Ou talvez tenha tentado, e a própria dúvida já revela o talento de Eisner para o gênero.

O Último Caçador de Bruxas traz muitas ideias que poderiam ter sido bem exploradas caso caíssem nas mãos de realizadores mais competentes, tendo no lugar um filme previsível e nada original. Pode ser pontualmente divertido aqui e ali, mas o feitiço não deu certo.

O Último Caçador de Bruxas (The Last Witch Hunter, 2015 – EUA)

Direção: Breck Eisner
Roteiro: Cory Goodman, Matt Sazama e Burk Sharpless
Elenco: Vin Diesel, Rosie Leslie, Elijah Wood, Michael Caine, Julie Engelbrecht.
Duração:  106 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.