Crítica | O Último Exorcismo 2

O Último Exorcismo 2

estrelas 2

O que acontece com um filme rende dez vezes mais o seu custo somente na semana de estreia? No mínimo uma sequência, não é mesmo, geralmente, inferior ao primeiro filme, se por acaso a cartilha do mito das continuações hollywoodianas for seguida à risca. O Último Exorcismo teve a ousadia em mesclar gêneros e mesmo optando pelo indesejável estilo found foutage, conseguiu surpreender pela trama eficiente, tal como a sua crítica social ao fanatismo religioso.

Dirigida pelo cineasta Ed Gass-Donnely, também responsável pelo roteiro, em parceria com Damien Chazelle, a sequência foi lançada em 2013 e nos apresenta uma narrativa que continua exatamente onde o antecessor parou. A diferença é que agora saímos da posição subjetiva da câmera, pois o equipamento é visto jogado no chão, contendo as filmagens de toda a trajetória do exorcismo de Nell (Ashley Bell).

O filme parte para uma casa em plena madrugada. Um casal é surpreendido pela presença da garota em estado catatônico, assustadoramente macabra. Guiada para um hospital, Nell recebe os devidos atendimentos e é encaminhada para uma instituição que cuida de pessoas que sofreram maus-tratos e outros tipos de violência familiar.

É no local que Nell terá a oportunidade de ser atendida, supervisionada pelo tutor Frank Merle (Muse Watson, ele mesmo, o inesquecível psicopata de Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado). Após o tratamento psiquiátrico, a garota recobra os sentidos e torna-se convicta de que o seu passado merece ser esquecido, como se aquilo tudo nunca tivesse acontecido.

Nell aparentemente alcançou o paraíso. A sua vira normatizou peremptoriamente, principalmente depois que ela se aproxima das colegas de quarto, arruma um emprego de camareira e apaixona-se por um rapaz. É quando o demônio do filme anterior retorna para recobrar o corpo cobiçado e a vida de Nell torna-se, sem trocadilhos, um verdadeiro “inferno”. Episódios estranhos envolvendo alucinações e desastres demonstram que as coisas não estão mais equilibradas.

É a partir deste momento que O Último Exorcismo – Parte 2 se aproxima mais das franquias Premonição e Sexta-Feira 13. Da primeira franquia, em especial, por conta dos desastres com todos aqueles que circundam Nell, sendo a remissão à segunda um paralelo entre as mortes sangrentas em uma linha que deixa uma trilha de corpos digna dos assassinatos de psicopatas como Jason Vorhees e Michael Myers.

Há alguns clichês que não incomodam, tais como os efeitos especiais em enegrecem os olhos, algumas crendices com símbolos para afastar o mal etc. Por fazer parte do processo de identificação com a plateia, entretanto, estas repetições não atrapalham. Numa linha bem próxima ao divertido Arraste-Me Para o Inferno, um ritual inicial tendo em vista exorcizar o mal será realizado. As aproximações com o ótimo filme de Sam Raimi, por sua vez, terminam por ai.

O roteiro, diferente do antecessor, não desenvolve bem os personagens, torna-se oportunista ao emular alguns elementos de outros bons filmes de possessão e acrescentar os famigerados ferrões musicais para causar sustos nas plateias, já que o filme em si não consegue alcançar êxito em assustar ou nos deixar magnetizados com a narrativa.

Houve uma versão para os cinemas cheias de cortes que impossibilitaram alguns trechos a alcançar o devido impacto. A qualidade técnica dos enquadramentos é perceptível, tal como o a direção de fotografia cuidadosa.Um pouco mais longo e mais frenético que o primeiro, a produção ficou devendo, principalmente pelo seu final um tanto exagerado. Por sinal, deixou brechas para uma sequência, que esperamos em Deus, não seja produzida, afinal, já não temos filmes suficientes sobre garotinhas possuídas?

O Último Exorcismo 2 (The Last Exorcism 2: The Beginning of The End) – EUA /2013
Direção: Ed Gass-Donnelly
Roteiro: Damien Chazelle, Ed Gass-Donnelly
Elenco: Andrew Sensenig, Ashley Bell, Ashlynn Ross, Boyana Balta, Cristina Franco, David Jensen, Diva Tyler, E. Roger Mitchell, Elton LeBlanc, Erica Michelle, Gideon Hodge, Joe Chrest, Judd Lormand, Julia Garner, Louis Herthum, Raeden Greer, Sharice A. Williams, Spencer Treat Clark, Tarra Riggs
Duração: 92 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.