Crítica | O Velho Logan – Vol. 10: Fim do Mundo

  • Leiam, aqui, as críticas de todos os quadrinhos do Velho Logan.

E a publicação mensal solo do Velho Logan chega a seu fim – por enquanto, pelo menos – com seu 10º volume, contendo as edições #46 a 50, todas comandadas, mais uma vez, por Ed Brisson. Como de praxe, o encadernado original americano, batizado de Fim do Mundo (End of the World), traz dois arcos, com o primeiro intitulado Northern Flight (não consegui uma tradução razoável já que há um jogo de palavras aqui), com dois números, e Rei do Nada (King of Nothing), com três.

No primeiro arco, Logan está de volta ao Canadá e, assim como em Retorno às Terras Desoladas, contido no encadernado A Guerra dos Monstros, ao lado de seu amigo Pigmeu. No entanto, agora, o restante da Tropa Alfa também está lá e os objetivos primordiais do Carcaju são passar por outra batelada de exames médicos, desta vez por Shaman, que mistura ciência com magia, para entender melhor o que está acontecendo com ele, já que seu fator de cura parou de funcionar quase que completamente e pedir para Pigmeu localizar alguém que ele está procurando, mas que permanece sem nome nesse estágio. Em relação ao seu problema físico, o diagnóstico é o pior possível: o envenenamento por adamantium, que chegou à sua meia-vida, está progredindo sem o fator de cura a todo vapor e Logan está morrendo.

Resignado com seu destino, o herói melancólico e sofrido fica por ali com seus amigos e, juntos, eles acabam enfrentando uma ameaça daquelas bem genéricas. Brisson poderia ter facilmente inventado algo melhor do que uma erva daninha extraterrestre que tomara conta de uma cidadezinha, aniquilando quase todos seus habitantes. O resultado, assim como a premissa, é pouquíssimo inspirado e o mini-arco é muito mais um filler do que qualquer outra coisa. É simpático ver Logan lutar ao lado de Pigmeu, Shaman, Guardião e Pássaro da Neve, mas a reunião merecia um pouco mais de pompa e circunstância e não algo burocrático. A arte, por Damian Couceiro, é, infelizmente, na mesma linha do texto de Brisson e apenas não deixa a qualidade cair nesse quesito, ficando naquela linha mediana que vem marcando esse final da publicação do Velho Logan.

(1) Planta roxa extraterrestre genérica; (2) Maestro verde extradimensional nada genérico.

No segundo arco, porém, a coisa melhora um pouco e descobrimos quem Logan pedira a Pigmeu para localizar: Maestro. Conforme aprendemos em flashbacks, O Bruce Banner de outro universo, que esse Logan conheceu e enfrentou em Dias de Fúria, permaneceu no Canadá, passando a brutalmente dominar uma cidadezinha no meio do nada com coisa nenhuma e passando a ser chamado de “Rei”. Brisson não economiza na violência extrema de Maestro em relação aos habitantes locais, costurando uma história rápida, mas perturbadora, que, exatamente por isso, merecia mais tempo para ser desenvolvida.

Quando Logan chega por lá, ele é recebido de hostilmente por todos, já que ele significa uma ameaça à sobrevivência deles, o que aos poucos vai mudando, claro. Brisson volta ao Regenix do arco Samurai Escarlate para fazer a ponte com sua história que precipitou o fim do que restava do fator de cura do herói e coloca os dois personagens frente a frente em um combate mortal. Logan quer voltar para as Terras Desoladas e vê na maquina do tempo multi-dimensional que trouxe Maestro para a Terra-616 a única de conseguir isso. A visceralidade do combate compensa um pouco a bobajada do primeiro arco do encadernado, com um final realmente digno e lindamente circular em relação à história original do Velho Logan.

A arte, aqui, volta para o lápis de Ibraim Roberson, a única real qualidade de Glob Ama, o Homem Mata (contido em To Kill For) e ele novamente faz um bom trabalho. Na verdade, melhor ainda que o anterior, com um Maestro particularmente imponente e cruel e um Logan cuja dor podemos perceber. Na derradeira edição, muito provavelmente em razão de algum prazo apertado a ser cumprido, algumas páginas ficaram ao encargo de Neil Edwards que, apesar do esforço de tentar emular Roberson, acaba criando uma distração desnecessária ao leitor, ainda que esteja longe de ser um trabalho ruim.

O Velho Logan merecia um final melhor para sua publicação mensal que começou tão bem. Mas não se pode ter tudo. No geral, foi uma boa jornada para o pobre Carcaju deslocado no tempo e espaço.

p.s. 1: A saga do Velho Logan continua na maxissérie Dead Man Logan, em 12 edições, que será publicada a partir de 28 novembro de 2018 nos EUA.

p.s. 2: A história do Gavião Arqueiro no universo original do Velho Logan está sendo contada e você pode ler aqui a crítica do primeiro volume.

p.s. 3: O universo original do Velho Logan ganhará outra expansão, com o recém-anunciado Old Man Quill, que abordará as aventuras, claro, de um Peter Quill mais velho.

O Velho Logan: Fim do Mundo (Old Man Logan: End of the World, EUA – 2018)
Contendo: Old Man Logan (2016) #46 a 50
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Damian Couceiro, Ibraim Roberson, Neil Edwards
Cores: Carlos Lopez
Letras: Cory Petit
Editoria: Christina Harrington, Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: setembro e outubro de 2018
Editora no Brasil: Panini Comics (O Velho Logan)
Data de publicação no Brasil: não publicado no Brasil até a data de publicação da presente crítica)
Páginas: 110

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.