Crítica | O Velho Logan – Vol. 5: Vidas Passadas

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Andrea Sorrentino, o artista que vinha fazendo dupla com Jeff Lemire desde que o Velho Logan foi trazido para a Terra-616 no tie-in de Guerras Secretas, saiu do projeto ao final do arco Retorno às Terras Desoladas (contido no 4º volume encadernado americano, batizado de A Guerra dos Monstros), passando a desenhar apenas algumas capas do arco seguinte. Agora, em Vidas Passadas, o 5º volume da série mensal e que marca sua exata metade, é a vez de Jeff Lemire despedir-se, abrindo espaço para uma completa reformulação criativa a partir do 6º volume.

Para marcar sua saída, Lemire cria uma história que o permite passear por toda a vida do Velho Logan, desde bem antes de ganhar garras de adamantium até ele já velho, nas Terras Desoladas onde o conhecemos. São dois arcos para abordar essa narrativa e que derivam diretamente do já citado Retorno às Terras Desoladas, que plantou a ideia na cabeça de Logan que ele precisava voltar a seu universo para cuidar do neto do Hulk, que ele “adotara”, mas que deixou com Danny Cage, filha de Jessica Jones e Luke Cage. Seu senso de responsabilidade somado com uma visão de que, sem cuidados, o bebê transformar-se-ia em mais uma monstruosa ameaça nesse seu universo, o leva a fazer o possível para conseguir voltar e isso é abordado ao longo do arco No Meu Caminho, de apenas duas muito divertidas edições.

Nelas, Lemire desenvolve o germe da ideia de voltar para seu futuro – ou passado, sei lá – e faz o Velho Logan pedir ajuda a todos os personagens do Universo Marvel que teriam habilidades mutantes, mágicas ou científicas para tornar isso possível. Convenientemente, porém, todos rejeitam a proposta com desculpas esfarrapadas como “isso exigiria muito esforço” ou “mexer com a linha temporal não é uma boa ideia”, como se isso não fosse feito corriqueiramente praticamente toda a semana, com resultados potencialmente desastrosos (não é, Fera?). Mas, claro, essas rejeições todas simplesmente precisam acontecer. Afinal, qual seria a graça de arremessar Logan para o universo de onde veio (Terra-807128 para quem tiver curiosidade) em uma situação 100% controlada, pelas mãos, por exemplo, do Doutor Estranho? Não é para ver essa coisa limpinha, bonitinha e by the book que eu leio quadrinhos, oras…

E Lemire, ainda bem, acha o mesmo, pois ele desencava um vilão “Z” da Marvel Comics que o Velho Logan tem que primeiro arrancar da prisão e, depois, convencer a ajudá-lo. Entra, então, Asmodeus nessa equação. Asmo-quem? – alguns de vocês perguntarão. Asmodeus. Um nome que, por incrível que pareça, batiza mais de um vilão da editora, e esse que Logan resolve libertar para ajudá-lo é Charles Benton, um mago que surgiu pela primeira vez em Doutor Estranho #169, de junho de 1968 e que, convenhamos, nunca foi mais do que saco de pancadas de Estranho e dos Defensores. Para conseguir o que quer, ele tem que enfrentar o Homem-Aranha Miles Morales, aparentemente o único herói disponível para defender a super-prisão. Nada que uns “snikts” aqui e ali não resolvam, claro…

(1) Arte de Filipe Andrade e (2) arte de Eric Nguyen.

As duas edições passam rápido e divertem, estabelecendo as bases para o arco seguinte, Vidas Passadas, de quatro edições, que é literalmente o grande objetivo de Lemire aqui, funcionando como sua despedida do personagem, uma homenagem ao legado de Wolverine (cuja versão original, à época, ainda estava morto) e, claro, à criação do Velho Logan por Mark Millar e Steve McNiven, ambos recebendo uma dedicatória ao final da edição #24. Na história, a “alma” do Velho Logan, graças aos encantamentos de Asmodeus, sai de seu corpo e começa a viajar no tempo. Claro que o vilão não venderia barato seus serviços e, no lugar de mandar o herói para exatamente quando e aonde ele pediu, ele faz a alma “encarnar” nos Wolverines de várias épocas diferentes, começando, curiosamente, em uma era – começo do século XIX – em que o Wolverine da Terra-616 não havia ainda nascido, o que revela que o Velho Logan é ainda mais velho do que imaginávamos. Com um amuleto em mãos, então, a alma de Logan transita pelas décadas, o que nos permite reviver um pouquinho de seus momentos mais marcantes: a fusão com o adamantium no projeto Arma-X; sua primeira luta com o Hulk (que é, também, a primeira aparição do herói na Marvel); o surgimento da Fênix Negra; sua época no Japão, lutando contra o Tentáculo (conforme visto na primeira minissérie solo do herói); sua época em Madripoor “disfarçado” como Caolho (no começo da primeira revista mensal solo dele), um pouco de relaxamento na era do começo dos anos 90 dos X-Men e, finalmente, as Terras Desoladas. Tudo isso enquanto Asmodeus faz leilão de seu corpo (não, não é para isso, gente de mente podre!) para o grupo vilanesco que pagar mais para ter Wolverine como um assassino sob seu completo controle.

É, para todos os efeitos, um arco que não diz muita coisa, mas que traz aquele sorriso no rosto especialmente para quem já leu muito de Wolverine. Um passeio nostálgico, bem construído e fluido que alegra corações, mesmo que, para isso, tenha que forçar Logan a reviver momentos traumáticos de seu passado. Mas, como o sofrimento faz parte do poder mutante de Wolverine, não há surpresa nesse aspecto.

O primeiro arco tem arte de Filipe Andrade, que usa seu estilo “ultra-deformado” que vimos no arco A Guerra dos Monstros para lidar a peregrinação de Logan por todos que poderiam ajudá-lo e, depois, durante a pancadaria na prisão. Para o espírito mais brincalhão da história é o estilo perfeito. No arco seguinte, Eric Nguyen assume o comando e seu grande mérito é conseguir imprimir seu próprio estilo mais simples, com traços mais leves, mas certeiros, a toda encarnação clássica de Wolverine que aparece, emulando muito bem os estilos característicos de cada época e de cada artista que homenageia. É uma diversão dupla apontar as referências que Lemire e Nguyen distribuem pelas páginas do arco.

Vidas Passadas é uma bela despedida de Jeff Lemire do herói que cuidou por tanto tempo. Mas ele deixa o Velho Logan na certeza de ter legado bases sólidas para serem trabalhadas nos arcos seguintes.

O Velho Logan: Vidas Passadas (Old Man Logan: Past Lives, EUA – 2017)
Contendo: Old Man Logan (2016) #19 a 24
Roteiro: Jeff Lemire
Arte: Filipe Andrade (No Meu Caminho), Eric Nguyen (Vidas Passadas)
Cores: Jordan Boyd (No Meu Caminho), Andres Mossa (Vidas Passadas)
Letras: Cory Petit
Editoria: Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio a julho de 2017
Editora no Brasil: Panini Comics (O Velho Logan #21 a 24)
Data de publicação no Brasil: abril a julho de 2018
Páginas: 106

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.