Crítica | O Velho Logan – Vol. 6: Dias de Fúria

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Andrea Sorrentino saiu de O Velho Logan no arco Retorno às Terras Desoladas, contido no volume 4 da publicação, e Jeff Lemire, escritor de todas as edições até a 24ª, encerrou sua participação praticamente na metade da série (já que ela acabará no #50), em Vidas Passadas, o que abriu espaço para um time criativo 100% novo. No lugar de Sorrentino, entrou Mike Deodato Jr. e, no de Lemire, Ed Brisson. Felizmente, a troca não faz a publicação mensal cair de qualidade, ainda que vá por outra direção, algo perfeitamente esperado. No lugar de uma abordagem sofredora e introspectiva para o protagonista, Brisson traz o Logan “porradeiro” de outrora, enquanto Deodato empresta seus belos traços para dar uma pegada detalhada e “exagerada” para a história, como ela pede, aliás.

Afinal, estamos falando de um arco em que o Velho Logan, novamente passeando sozinho pelo Canadá, esbarra na Gangue do Hulk, a mesma de seu universo. Na verdade, não a mesma exatamente, apenas Billy Bob, que ele deixara vivo ao final do arco original O Velho Logan, juntamente com outros irmãos igualmente ou mais fortes, em uma ampliação gigantesca da família do Banner de seu futuro. Mas a presença dos Hulks na Terra-616 não é sem querer, claro. Eles foram levados para lá por ninguém menos do que Maestro, o “Velho” Hulk do futuro da Terra-9200, vilão hoje clássico do Gigante Esmeralda, que surgiu em 1992. Como Moisés, Maestro manipula os Hulks da Terra-807128 (a do Velho Logan) prometendo-os a “Terra Prometida” bíblica como parte de um plano para transformar a Terra-616 em um deserto atômico.

Mas, claro, Maestro não contava em esbarrar com o Velho Logan e sua particularmente eficiente habilidade de exterminar os filhos de Bruce Banner. O que segue daí é um banho de sangue alterado por radiação gama, já que a Gangue Hulk, basicamente o equivalente da Marvel Comics para os caipiras violentos do meio-oeste americano que vemos em tantos filmes, não tem nem de longe o mesmo nível de poder do super-herói original ou de Maestro. Naturalmente, o Velho Logan sofre com o sadismo da família esmeralda, mas, mesmo com seu fator de cura falhando, ele consegue estraçalhar qualquer grandalhão que chega perto dele.

É Hulk que não acaba mais!

A pancadaria, portanto, não para. Ao contrário, Brisson cuida para escalá-la a cada nova edição, com Mike Deodato Jr. aparentemente divertindo-se na criação dos mais variados Hulks, agora já na terceira geração. Além disso, o subtexto crítico a cultos religiosos e ao seguimento cego de pessoas que autointitulam-se “salvadores” está presente todo o tempo, emprestando uma interessante conotação para a narrativa, ainda que seja apenas um “colorido” extra. A preocupação está mesmo em voltar para a famosa primeira aparição de Wolverine nos quadrinhos, justamente em uma publicação do Hulk em que ele luta contra Banner e Wendigo no Canadá, e elevá-la a décima potência. Aliás, décima não. Centésima. E, em termos visuais, a arte de Deodato mais do que dá conta, com o único defeito sendo por vezes as feições humanas dos personagens, especialmente a de Clint Barton, que entra na segunda metade da aventura também como uma piscadela para o arco original do Velho Logan.

Mas, em termos de roteiro, a impressão que dá é que “derrotar Hulks” não é muito diferente de derrotar qualquer vilãozinho mequetrefe que passa na frente de Logan. Não sentimos maiores dificuldades, mesmo que, ao final, o protagonista esteja moído, quase que literalmente acabado. Temos que lembrar que a profusão de Hulks, aqui, é muito maior do que a primeira vez que Logan enfrenta a gangue e que tudo acontece no intervalo de um ou dois dias. Matar Hulks tornou-se tão fácil quanto meramente acertá-los com um tiro de metralhadora e isso poderia ser evitado, nem que fosse com a redução no número de Hulks e o aumento do tempo de combate contra cada um deles.

De certa forma, porém, é possível perdoar esses atalhos de Brisson se aceitarmos que seu objetivo foi, pura e simplesmente, aumentar a diversão descerebrada, regando-a com momentos “épicos” e muito sangue. Isso certamente não faz mal uma vez ou outra e, aqui, a arte de Deodato ajuda muito por saber lidar com a violência e as grandes sequências de ação de maneira lógica e bem estruturada, além de apresentar um nível de detalhamento gráfico muito bem-vindo.

Dias de Fúria pode trazer uma nova equipe, mas o espírito do Velho Logan continua igual, com destruição em massa e auto-sacrifício. Pode não ter o finesse da dupla criativa anterior, mas cumpre muito bem o seu papel de divertir.

O Velho Logan: Dias de Fúria (Old Man Logan: Days of Anger, EUA – 2017)
Contendo: Old Man Logan (2016) #25 a 30
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Mike Deodato Jr.
Cores: Frank Martin, Andres Mossa, Chris Sotomayor
Letras: Cory Petit
Editoria: Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto a dezembro de 2017
Editora no Brasil: Panini Comics (O Velho Logan #25 a 27)
Data de publicação no Brasil: agosto a outubro de 2018
Páginas: 144

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.