Crítica | O Velho Logan – Vol. 7: Samurai Escarlate

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Estava demorando… Foram 30 edições e seis arcos que oscilaram entre o bom e o muito bom, com um particularmente excelente. Alguma hora tinha que vir algo não mais do que mediano, que é exatamente o que Samurai Escarlate é. Uma historiazinha muito padrão demais, sem nada que a destaque de verdade além da arte de dois times criativos acima da média. Mas calma, pois não é uma tragédia; longe disso na verdade.

Contada em dois arcos, o primeiro de três edições (Samurai Escarlate) e o segundo de duas (Lua sobre Madripoor), a história começa com o Velho Logan novamente no Japão (como em O Último Ronin) literalmente esbarrando com bandidos com um surpreendente e extremamente eficiente poder de regeneração, capaz de rivalizar até o do próprio Wolverine em tempos áureos. Claro que Logan logo percebe que há algo de podre por trás e começa a investigar a fonte dessas habilidades, descobrindo que Shin Harada, o Samurai de Prata atual, hoje um proto-Tony Stark com direito a uma armadura tecno-orgânica que estraga completamente o visual clássico do icônico vilão, está desenvolvendo um novo medicamento batizado de Regenix, ainda em fase de testes. Claro que algo tão poderoso assim não deixaria de chamar atenção de Tomi Shishido, o Gorgon, atual líder do Tentáculo, que manda seus intermináveis ninjas roubarem o produto de Harada.

A arma “secreta” de Shishido é o Samurai Escarlate, personagem novo, criado para o arco, que tem relação direta com o passado remoto de Logan e cuja identidade – apesar de dolorosamente óbvia para qualquer leitor com um mínimo de conhecimento da mitologia do Carcaju – manterei em segredo apenas para evitar reclamações. Seja como for, toda a trama em volta do Regenix, da identidade do samurai, do plano de Gorgon (confesso que não entendo como ele simplesmente não tira sua venda e transforma logo todo mundo em pedra…) e o bate e assopra entre Logan e Harada é um tanto quanto indutor de bocejos. Não há nada minimamente diferente aqui, como no arco anterior em que Logan enfrentou um exército de Hulks caipiras comandados por Maestro ou quando Logan uniu-se ao Comando Selvagem atual (aquele composto de monstros Marvel) em A Guerra dos Monstros. Ao contrário, o que vemos é uma sucessão de bravatas dos vilões, o fator de cura de Logan sendo mais uma vez colocado à toda prova – e falhando – e um final 150% previsível até seus mínimos detalhes.

(1) Samurai Escarlate por Deodato e (2) Gorgon por Roberson.

Mesmo assim, existe divertimento, diria. Aquele clássico enxame de ninjas vermelhos descartáveis do Tentáculo é o exemplo máximo de bucha de canhão elevada à enésima potência e a mortandade – com ou sem Regenix – à base de garras de adamantium, katanas de aço e também de alguma tecnologia poderosa que o Samurai Escarlate usa e que o roteiro de Ed Brisson não se preocupa em explicar (para que, não é?) é a versão em quadrinhos da Noiva massacrando os Crazy 88, ainda que Kill Bill seja infinitamente melhor do que essa historinha aqui.

Como adiantei, é a arte que salva – um pouco – os mini-arcos do encadernado americano que foi batizado com o título do primeiro. Temos Mike Deodator Jr. no lápis e tinta e Frank Martin nas cores repetindo o ótimo trabalho do arco anterior, valendo destaque para o constante uso, por Deodato, de sua excelente divisão em quadros que “quebram” as splash pages em diversos pedaços menores, mas mantendo o todo intacto ao mesmo tempo. No segundo arco, o time muda e Ibraim Roberson entra nos desenhos e Carlos Lopez nas cores, com um resultado menos impressionante do que o da outra dupla, mas também muito bom pela fluidez e pela forma como Logan ganha mais o peso da idade. Há menos detalhes de fundo na arte de Roberson, algo abundante em Deodato, mas ele tenta compensar ao coreografar bem as lutas e escolhendo momentos cirúrgicos para trabalhar artes destacadas, ainda que ele evite tomar páginas inteiras.

Samurai Escarlate, portanto, diverte daquele jeito rasteiro que arcos pouco inspirados, mas longe de ruins divertem. É quase que um compilado de tudo o que já vimos antes, mas sem aquele “algo mais” que tão constantemente vinha sendo a marca da publicação mensal do Velho Logan. Mas soluços acontecem. Resta saber se eles passam rapidamente também.

O Velho Logan: Samurai Escarlate (Old Man Logan: Scarlet Samurai, EUA – 2018)
Contendo: Old Man Logan (2016) #31 a 35
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Mike Deodato Jr., Ibraim Roberson
Cores: Frank Martin, Carlos Lopez
Letras: Cory Petit
Editoria: Mark Paniccia, Christina Harrington
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: janeiro a abril de 2018
Editora no Brasil: Panini Comics (O Velho Logan)
Data de publicação no Brasil: não publicado no Brasil até a data de publicação da presente crítica)
Páginas: 111

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.