Crítica | O Velho Logan – Vol. 8: To Kill For

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Na medida em que caminha para seu fim e também na medida em que o fator de cura de seu protagonista vai ficando cada vez mais ineficiente, a publicação mensal O Velho Logan vai perdendo seu propósito e, infelizmente, tornando-se irrelevante e mais do mesmo em um mercado editorial de quadrinhos mainstream que tenta, mas não consegue se renovar de verdade. Trazer o personagem de seu universo não foi lá uma grande ideia, pois seu maior charme era uma “exclusividade” do famoso arco original, mas, por outro lado, era inevitável diante da “morte” do Wolverine padrão. No entanto, para surpresa de muitos – certamente a minha – praticamente todas as 30 primeiras edições da revista tiveram algo a dizer, de conflitos psicológicos até aquela pancadaria divertida que só um arco inteiro com Logan batendo em dezenas de Hulks poderia proporcionar.

Mas, ao longo do tempo, o time criativo original – Jeff Lemire e Andrea Sorrentino – foi saindo e a substituição da titularidade dos roteiros por Ed Brisson em Dias de Fúria parece ter sido a gota d’água. Se ele manteve o interesse pela leitura no referido encadernado, no segundo, Samurai Escarlate, a banalidade de seus roteiros passou a ser mais fortemente sentida e, agora, em To Kill For (optei por deixar em inglês, por não encontrar uma tradução realmente boa para o trocadilho com a expressão “to die for“), que reúne os arcos Alvo em Movimento (Moving Target) e Glob Ama, o Homem Mata (Glob Loves, Man Kills), a qualidade despenca de vez.

Já peço a devida vênia a meus leitores, mas nem tive vontade de abordar os arcos separadamente, como fiz em A Guerra dos Monstros, mesmo que eles contem histórias diferentes entre si. Foi esforço suficiente chegar ao final do encadernado sem dormir demasiadamente no meio. Em linhas gerais, os dois mini-arcos, o primeiro de três e o segundo de duas edições, lidam com mais diretamente com o constante declínio do fator de cura do Velho Logan, algo que prepara o terreno para o encerramento do título em seu 50º número e que sempre pontilhou o próprio conceito do personagem. Em Samurai Escarlate, ele acaba sendo salvo ao beber o Regenix, criado pelos laboratórios do Samurai de Prata, o que cura todas as suas feridas físicas, mas não sem efeito colateral, que é a redução drástica de seu já combalido fator de cura.

(1) Texto que não acaba mais com arte de Dalibor Talajić e (2) mutantes inúteis com arte de Ibraim Roberson.

Usando exatamente a mesma fórmula que Brisson empregou para começar o encadernado anterior, Logan está de volta em Nova York e literalmente “esbarra” em alguém que tem informações valiosas sobre Wilson Fisk, o Rei do Crime e agora prefeito da cidade. A informação é mantida em segredo até o final do arco, mas esse MacGuffin serve como desculpa para que o Mercenário, eterno minion de Fisk, seja contratado para reaver o que foi furtado de seu chefe. Eis que segue a usual e mortal pancadaria com entre o furioso Logan e o psicótico Mercenário em plena Manhattan, em meio ao clima anti-vigilantismo que se instalara por ali, mas que não afeta de verdade a narrativa. Aliás, o arco em si não afeta em nada o stauts quo do Universo Marvel, o que me leva a concluir que a Marvel Comics já estava mesmo planejando acabar com a publicação solo mensal do Velho Logan, afastando-o dos holofotes e fazendo a história parecer muito mais um tie-in sem importância de Demolidor #600 do que qualquer outra coisa, com o “bônus” de tornar a cronologia da vida do Carcaju idoso completamente escalafobética (juro, porém, que não vou me pegar nesses “detalhes”).

Como se a história indutora de sono não bastasse, a arte de Dalibor Talajić (nome que me surpreendeu por seu trabalho em Mestre do Kung-Fu) não sabe lidar com a quantidade de texto que Brisson escreve e joga no colo do desenhista, que não gosta de trabalhar com grandes quadros. O resultado são páginas e mais páginas de poluição visual em que os balões de fala incomodam, interrompem o fluxo da leitura e chamam atenção demais para si mesmos. Não fosse a promessa de um Mercenário completamente ensandecido (e quando ele não é assim?) arremessando tampinhas de refrigerante em Logan, acho que teria roncado profundamente nas primeiras 10 páginas.

O segundo arco é um daqueles “bonitinhos” que mostram a natureza de vovô carrancudo, mas lá no fundo simpático, do Velho Logan. Ele volta para a mansão dos X-Men no Central Park meio que para se despedir (não me pergunte do que ou de quem), meio que para entender o que afinal está acontecendo com seu fator de cura. Em meio a exames, o leitor é obrigado a engolir interações com os mutantes classe Z Linha do Universo Marvel, com Glob Herman (aquele que, além de não servir para nada, ainda tem uma aparência horrorosa, em que podemos ver seu esqueleto e órgão internos) preparando-se para um encontro com uma garota mutante que conhecera no “Tinder Mutante” (sim, isso mesmo…). Claro que a coisa não vai bem, uma gangue absolutamente incompetente dos Pacificadores entra na jogada e tudo acaba da maneira mais simplista e boba possível. O que salva, aqui, é a volta de Ibraim Roberson para a arte, com seus traços vigorosos e limpos, com um bom comando da progressão narrativa. Mesmo tendo que aturar Glob no centro do palco, a narrativa, aqui, flui bem mais facilmente do que no primeiro arco do encadernado, o que, na verdade, não quer dizer grande coisa.

To Kill For é completamente descartável, por não acrescentar nada para a mitologia do Velho Logan e por não trazer um momento sequer que o leitor pare e diga mentalmente que valeu a pena pela página tal, ou esse diálogo aqui. É como ler um grande filler criado para tornar possível que a publicação mensal do herói chegasse ao número 50, bem “redondinho” para marcar seu fim.

O Velho Logan: To Kill For (Old Man Logan: To Kill For, EUA – 2018)
Contendo: Old Man Logan (2016) #36 a 40
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Dalibor Talajić, Ibraim Roberson
Cores: Carlos Lopez
Letras: Cory Petit
Editoria: Christina Harrington
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio a julho de 2018
Editora no Brasil: Panini Comics (O Velho Logan)
Data de publicação no Brasil: não publicado no Brasil até a data de publicação da presente crítica)
Páginas: 110

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.