Crítica | O Velho Logan – Vol. 9: O Caçador e a Caça

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No penúltimo encadernado da publicação mensal solo do Velho Logan, o Carcaju, sem uma de suas garras de adamantium, sem um olho (mas nada do bom e velho tapa-olho) e sofrendo com um fator de cura quase que completamente exaurido, tem que enfrentar dois grandes vilões da Marvel Comics: Kraven e Mercenário. O primeiro é novidade, mas, o segundo, ele já enfrentara no arco Alvo em Movimento, contido no encadernado anterior, em um resultado felizmente bem superior ao que veio imediatamente antes, ainda que longe – bem longe! – de estar próximo das histórias escritas por Jeff Lemire, cuja ausência fez muita falta.

Seja como for, o nono encadernado, que reúne as edições #41 a 45 da revista americana, é dividido em dois pequenos arcos, um para cada vilão: Logan, o Caçado (Logan the Hunted) e O Retorno do Mercenário (Bullseye Returns). No primeiro, Ed Brisson perdeu a oportunidade de criar um evento memorável ao colocar Kraven caçando Logan na Terra Selvagem. Afinal, como o vilão russo mesmo diz, é o embate entre o “maior caçador” e o “maior predador” vivos, ainda que ele reconheça que o Velho Logan não é exatamente o Wolverine de outrora. Poderia ter sido um grande evento, mas não passa de uma pancadaria breve, de resultados previsíveis.

Não que a história seja ruim, pois não é, mas ela é o básico do básico, sem qualquer tempero a mais do que algumas poucas pitadas de sal que ficam por conta do ambiente pré-histórico e das criaturas que, claro, vêm nesse pacote. É no mínimo uma variação boa em relação aos dois arcos urbanos anteriores. Mas Kraven, sempre o grande caçador que nunca realmente consegue caçar nada de relevante, não ganha tratamento especial e ele é só mais um saco de pancadas para Logan que, mesmo combalido, não tem lá muita dificuldade em derrotar o vilão. O que me incomoda mais é comparar o Logan nos estertores de sua publicação em relação à forma como Lemire o abordou inicialmente. Se, antes, o Carcaju era retratado como alguém que não tinha dó em matar os vilões, agora, ao enfrentar medalhões, ele parece um bichinho domado, preocupado em mandar os marginais para a prisão. Seria melhor que Brisson tivesse investido em um vilão Z da editora de forma que pudesse soltar as rédeas do anti-herói do que colocá-lo frente a frente alguém que simplesmente sabemos que não morrerá.

Nesse arco, a arte ficou ao encargo de Francesco Manna que, apesar de desenhar toda a ambientação selvagem muito bem, aí incluídos os animais, é menos feliz ao lidar com os humanos, perdendo-se um pouco nas proporções e na fluidez das lutas. E, aqui, as cores vivas demais de Carlos Lopez mais atrapalham do que ajudam, retirando toda e qualquer gravidade da caçada.

No segundo arco, Brisson vai melhor. Sim, há o mesmo problema do anterior: o vilão é o Mercenário e sabemos que Logan não o matará por mais visceral que a luta possa ser. Mas pelo menos a loucura do vilão compensa, algo que o autor sabe trabalhar bem ao conectar a narrativa tanto com o arco Alvo em Movimento quanto com Glob Ama, o Homem Mata, do encadernando imediatamente anterior.

Tudo começa com o assassinato de Sarah, a jornalista e escritora que Logan ajudara, o que o faz caçar o Mercenário juntamente com uma nova super-heroína, Vendetta, uma ex-agente do FBI que deseja, como seu nome deixa claro, vingar-se de Lester pelos acontecimentos de Bullseye: The Colombian Connection, minissérie solo do Mercenário, de 2017. O que realmente diverte é a insanidade completa do vilão e, claro, seu uso sobrenatural de objetos mundanos para liquidar suas vítimas, com particular preferência para as famosas cartas de baralho, abundantemente usadas aqui. Mas, novamente, é uma história padrão, sem grandes arroubos criativos que acabam tornando-a esquecível assim que ela acaba.

De toda forma, no quesito arte, temos uma melhor substancial com a entrada de Juan Ferreyra tanto nos traços quanto nas cores, trazendo de volta a guturalidade perdida desde que Mike Deodato Jr. saiu da publicação (ficando só com as capas). O lado animalesco do Velho Logan se sobressai, assim como as feições retorcidas do Mercenário amplificam a sensação de mais completo desequilíbrio mental.

O Caçador e a Caça é um avanço se comparado com o encadernado anterior, mas ainda está muito aquém do potencial demonstrado por Lemire e Andrea Sorrentino no começo da publicação. Uma pena que O Velho Logan venha chegando ao seu final se voltar à antiga forma.

O Velho Logan: O Caçador e a Caça (Old Man Logan: The Hunter and the Hunted, EUA – 2018)
Contendo: Old Man Logan (2016) #41 a 45
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Francesco Manna, Juan Ferreyra
Cores: Carlos Lopez, Juan Ferreyra
Letras: Cory Petit
Editoria: Christina Harrington, Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: agosto a outubro de 2018
Editora no Brasil: Panini Comics (O Velho Logan)
Data de publicação no Brasil: não publicado no Brasil até a data de publicação da presente crítica)
Páginas: 110

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.