Crítica | One Punch Man

One Punch Man

estrelas 4

Parece que há sempre um anime a conquistar definitivamente o público de tempos em tempos. Alguns dos últimos a conseguir um apelo grande assim foram Sword Art Online e Ataque dos Titãs (Shingeki No Kiojin). Já 2015 parece ter apresentado a mais nova febre do mundo das animações japonesas. Extremamente comentado nas redes sociais, este é o ótimo, hilário e divertido One Punch Man.

One Punch Man, criado por Tomohiro Suzuki, parte de uma premissa bem simples de ser resumida: Saitama é um jovem adulto que treinou tanto com o propósito de se tornar um super-herói que se tornou invencível. Nenhum oponente passa de um mínimo soco do personagem. E só nessa sinopse o anime já quebra metade dos clichês de shonen jump em geral. Os vilões indestrutíveis de longas sagas, tanto encontrados em animes do estilo, não existem aqui. Na verdade, Saitama faz exatamente o papel desses “vilões indestrutíveis”, que não importa quão grande o oponente, nunca recebe um arranhão. Essa é a razão para o herói ficar extremamente entediado, afinal, nunca recebe um oponente a altura, nunca recebe sequer um desafio. Ninguém recebe um segundo soco de Saitama. E em meio às ótimas (e curtas, na maioria das vezes) lutas temos excelentes riffs de guitarra que servem como a trilha perfeita para aqueles gigantescos embates que não economizam em explosões e destruição.

É através de sua trama que One Punch Man faz uma sátira a quadrinhos de heróis americanos e até aos próprios Shonem Jump, se assemelhando a outras animações japonesas que tiveram propostas parecidas, como Kill A Kill. E ele não se leva a sério em praticamente nenhum momento, isso fica bem claro logo no início do primeiro episódio quando um “Homem Lagosta” (que ganhou tais características após comer muita lagosta, dããã) é apresentado. O tom humorístico da série é definitivamente o ponto alto, focado nos mais bizarros e inteligentes designs de personagens. Mas o maior acerto do humor é reservado ao próprio Saitama. A cada expressão e atitude do personagem muitas gargalhadas surgem. A própria razão de seus poderes invencíveis é um grande acerto do humor já que não possui nada de picada de inseto radioativo, experiência que deu errado, entidade mística ou extraterrestre. Tudo foi conseguido por meio do treino supremo: 100 flexões, 100 abdominais, 100 agachamentos e 10 Km de corrida por dia durante 3 anos. Ah, e esse treinamento foi o que o tornou careca (???).

O imenso poder do protagonista impede qualquer longo arco (nenhum vilão passa de dois episódios). Cada vilão que surge possui um design único e ameaçador. É realmente fascinante ver a aparição de cada um – destaque para os episódios 8 e 9, os Kaijus do “Povo do Mar” – ainda que eles durem pouco tempo em cena. Quanto aos personagens secundários temos vários, mas quase nenhum realmente aprofundado, o que é, sim, um certo problema do anime. O único bem desenvolvido talvez seja Genos, o poderoso andróide “padawan” de Saitama que almeja ser tão poderoso quanto seu mestre. Quanto ao resto – a maioria vinda da associação de heróis – são personagens de visuais e potenciais tão grande que é frustrante não ver um maior tempo de tela destes, sendo dezenas apresentados nos três últimos episódios. E pior, alguns personagens apresentados com mais antecedência terminam a temporada sem oferecer quase nenhuma relevância.

Por meio de pouquíssimos episódios (12 no total), One Punch Man consegue chamar uma tremenda atenção. A curta temporada é em razão do anime acompanhar (e ser bem fiel) o lançamento do mangá, o que continua em publicação, mas não possui material suficiente para muitos episódios. Fica a esperança de uma possível segunda temporada quando o mangá estiver mais adiantado já que o derradeiro episódio deixa vários ganchos para histórias futuras. Até lá, a saga cômica de Saitama ainda será aguardada por muitos. Sem dúvidas um dos mais peculiares e divertidos animes aclamados pelo público.

PS: Aos interessados, a Panini começa a publicar o mangá por aqui esse ano!

One Punch Man (Wanpanman, Japão -2015)
Criador: Tomohiro Suzuki
Direção: Shingo Natsume
Roteiro: Tomohiro Suzuki
Elenco Principal: Makoto Furukawa, Kaito Ishikawa, Yoji Ueda, Shinya Hamazoe, Yoshiaki Hasegawa, Shôta Yamamoto, Hiroki Goto, Hiromichi Tezuka, Kanami Satou, Kaede Yuasa
Duração: 20 min. (cada episódio)

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.