Crítica | Operação Sombra: Jack Ryan

estrelas 3,5

Após ser encarnado por Alec Baldwin, Harrison Ford e Ben Affleck, o papel de Jack Ryan passa para Chris Pine. Por ser um reboot, Operação Sombra não requer nenhum conhecimento prévio do espectador em relação ao personagem, oferecendo uma história que se completa por si só.

O problema de muitos reboots é que perdemos grande parte da duração do filme na origem do protagonista. Nesse quesito, o novo filme de Kenneth Branagh trabalha de maneira ideal, nos dando alguns detalhes da vida de Jack Ryan através de pequenas cenas com certo distanciamento de tempo entre si. Desde o começo o ritmo fluido do longa é estabelecido e se mantém assim durante toda sua duração.

Em seguida, vemos os fatos que se encaixam para gerar o problema que percorre todo o filme: um atentado terrorista que seria utilizado para gerar um crash nas bolsas de valores do mundo inteiro. Nesse ponto, o protagonista já é um analista da CIA e, apesar de ter um desk job é enviado à Russia para impedir o ataque. Dali em diante, o filme se aprofunda ainda mais em seu tema de espionagem e aos poucos vai ganhando uma grande similaridade ao primeiro Missão Impossível. Existem poucas cenas de ação de fato e uma delas é quase idêntica à luta no banheiro de Cassino RoyaleNestas percebemos com clareza a eficacia da montagem que consegue mostrar com clareza o que se passa, ao invés das habituais cenas corridas de difícil entendimento por parte do espectador.

Entramos, porém, em um problema da fita que talvez não seja tão evidente em primeira instância: a falta de identidade. Não há nenhum elemento em Operação Sombra que o torne único e mesmo Chris Pine, que se encaixa bem no papel, tem uma grande semelhança com seu Capitão Kirk. O filme entretém e consegue prender a atenção do espectador por meio de sequências de tensão bem construídas, mas seu roteiro cai no lugar comum e logo foge da memória.

Um outro problema do roteiro está na construção do próprio Ryan. Vemos em diversas cenas comentários sobre sua formação e teses brilhantes. Porém, só testemunhamos sua capacidade de observação e análise de dados uma vez perto do fim do longa. Dessa forma, durante quase toda a duração, parece que ele não oferece nada de especial, não sendo o destaque que todos falam dentro da narrativa.

Ainda assim, o longa tem seus méritos. A direção de Branagh nos dá cenas bem construídas com atuações convincentes, mas, novamente, não memoráveis. A fotografia cumpre seu papel e não peca, mesmo nos momentos mais frenéticos.

No fim, Operação Sombra: Jack Ryan é um longa-metragem que diverte, mantendo o espectador na tensão, mas sem exigir muito dele. É um filme que não se destaca dentro do gênero e acaba soando como um fruto genérico de filmes de espionagem mais memoráveis.

Operação Sombra: Jack Ryan (Jack Ryan: Shadow Recruit, EUA – 2014)
Direção:  Kenneth Branagh
Roteiro:  Adam Cozad, David Koepp, Tom Clancy (baseado em seus personagens)
Elenco: Chris Pine, Kevin Costner, Keira Knightley, Kenneth Branagh
Duração: 105 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.