Crítica | Orphan Black – 2ª Temporada

estrelas 4,5

Obs: Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

Nas últimas cenas de sua primeira temporada, Orphan Black conseguiu organizar seus dez episódios com excelência. Vemos, durante os últimos instantes do décimo episódio, o desespero de Sarah ao perceber o sumiço de sua filha. Retomando ao cliffhanger, a segunda temporada tem início no exato momento em que termina a primeira, mas a busca por Kira é apenas um dos inúmeros conflitos e microtramas desenvolvidos e problematizados ao longo do segundo ano da série canadense.

Orphan Black chega à TV para mostrar que alguns debates e temas, ainda que desgastados pelas mídias e constantemente relembrados em outras produções televisivas, nunca entram em desuso e podem ganhar abordagens bastante interessantes. Assim, a série chega à sua segunda temporada com a mesma vitalidade observada na primeira.

Os episódios que mal dão espaço e tempo para que o espectador respire são preenchidos por outras peças do quebra-cabeça que parece não ter fim. Ao contrário do aparente na primeira temporada, Helena está mais viva do que nunca. Resta a dúvida se a personagem “renasceu” pela dimensão do personagem da trama ou em função da popularidade alcançada pelo mais problemático dos clones. Como bom otimista, prefiro acreditar na primeira opção, já que Helena arranca de Tatiana Maslany as mais difíceis e louváveis atuações.

Maslany, como já era de se esperar, mantém seu destaque e continua impressionando até o público mais crítico com a rica maneira de dar vida aos diferentes personagens. Tamanha é a desenvoltura de Tatiana Maslany como atriz que usá-la como parâmetro ao longo da série se torna inevitável. Dessa forma, na escala Maslany observamos um desgaste imenso no ator Dylan Bruce. Paul não convence e está chato como nunca antes. Por outro lado, as atuações de Jordan Gavaris, no papel do caricato e muito divertido Felix, e Skyler Wexler, com a sua interpretação bastante madura, doce, mas nada inocente da pequena Kira, não deixam que Maslany segure o time de boas atuações de Orphan Black sozinha.

Com direções bastante coerentes e roteiros bem seguros e construídos com precisão, o segundo momento da série desempenha com precisão a continuidade das ideias levantadas anteriormente e dos deixa ansiosos para o que virá a seguir. Assistir a Orphan Black nunca deixa de ser uma surpresa e, assim, quando imaginamos que a trama já deu o que tinha que dar e que o caminho está fechando, a série vai lá e nos mostra uma revelação que muda todo o rumo da história. O labirinto narrativo de Orphan Black está cada vez maior.

Orphan Black – 2ª Temporada (Canadá – 2014)
Showrunners: John Fawcett e Graeme Manson
Direção: John Fawcett, T.J. Scott, David Frazee, Ken Girotti, BrettSullivan, Grant Harvey, Helen Shaver.
Roteiro: Graeme Manson e outros
Elenco: Tatiana Maslany, Dylan Bruce, Jordan Gavaris, Kevin Hanchard, Maria Doyle Kennedy, Skyler Wexler, Eveline Brochu, Kristian Bruun
Duração: 44 min/episódio.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.