Crítica | Orphan Black – 5X01: The Few Who Dare

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estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas. 

O primeiro episódio da última temporada de Orphan Black começa exatamente do ponto em que a quarta temporada acabou, com Sarah Manning ferida e sozinha na “Ilha do Dr. Moreau”, Cosima recuperando-se graças aos cuidados da Dra. Delphine Cormier que, afinal, não morreu, e Rachel prestes a encontrar-se com P.T. Westmoreland, o misterioso fundador quase bicentenário do “neolucionismo”. Mas, mesmo não perdendo tempo em abordar principalmente esses três vértices, The Few Who Dare (agora, os títulos são retirados do poema Protest, de Ella Wheeler Wilcox) continua sendo um típico episódio de começo de temporada.

Com isso, ele sofre suas restrições, pois precisa estabelecer novamente o status quo atual, situando os espectadores que aguardavam a retomada da série há um ano e que podem não lembrar muito bem como a temporada anterior acabou. Portanto, a pegada dos showrunners John Fawcett e Graeme Manson, que assinam, respectivamente, a direção e o roteiro do episódio, é funcional acima de tudo. No entanto, o trabalho deles em momento algum é artificialmente didático. Relembramos os acontecimentos finais da quarta temporada na medida em que a narrativa do episódio avança, primeiro com Sarah conversando com Fee e Ira sobre a ilha e a introdução de uma criatura estranha no local que a ataca. Pelo que podemos perceber, ele será importante para os próximos episódios, já que nem mesmo os habitantes da ilha sabem de sua existência, ainda que eu francamente espere que salvamentos milagrosos de último minuto, algo razoavelmente comum na série, sejam evitados.

Na mesma linha, a ação envolvendo Cosima tem propósito idêntico à de Sarah. Aprendemos sobre o tal vilarejo misterioso aos pés de uma casa de pedras que aparentemente alberga P.T. Westmoreland, que teria 170 anos de idade. Revival é uma comunidade autossuficiente que serve como laboratório de estudos sobre a longevidade humana, algo que apenas aqui é apresentada na série, como um desdobramento natural das experiências com clones e “melhorias” genéticas abordadas até aqui. A manutenção do mistério sobre Westmoreland é uma boa escolha, especialmente em razão do uso de Rachel como seu avatar, com Tatiana Maslany emprestando até um ar devoto e deslumbrado à personagem depois de ter tido algum tipo de revelação que ainda desconhecemos.

Incomodou-me, porém, a onipresença de Rachel ao longo do episódio. Não só ela aparentemente controla o recolhimento dos clones no continente, com novos agentes secretos surgindo por todo o canto, como ela, mesmo com seu problema de locomoção, está quase que ao mesmo tempo na escadaria de Westmoreland, no laboratório onde Cosima tenta finalmente injetar a cura e na casa de barcos onde está Sarah. Por outro lado, a mudança de ares foi boa para a série. Considerando o cenário urbano que sempre predominou, a troca de ambiente para um local novo cercado pela natureza (quase)intocada funciona como uma lufada de ar fresco que desorienta as protagonistas na mesma medida que desorienta os espectadores. Afinal, se antes os acontecimentos poderiam ser razoavelmente deduzidos por uma conjunção de fatores, agora temos uma espécie de tábula rasa, com o jogo zerado quase que completamente nessa estirada final.

A ilha, portanto, começa a ganhar uma certa personalidade, fazendo as vezes, também, de ambiente de série de horror com a figura misteriosa que anda caçando animais por ali e atacando gente desavisada. A ficção científica da série, com isso, ganha um tom quase barroco, com foco nos contrastes entre a tecnologia e o ambiente rudimentar representado pela floresta e especialmente pelo sinistro vilarejo de Revival, com pessoas estranhamente felizes em um experimento antropológico e sociológico – e, não podemos esquecer, eugênico – de arrepiar os cabelos da nuca.

No continente, a ação é menos inspirada e segue um padrão comum na série, que é o de sequestros e sumiços de um lado a outro. A única diferença é que a até aqui indestrutível Helena parece que ficará fora de combate depois de salvar Donnie (que, por sua vez, de forma hilária, abandona Alison ao “Deus dará”) e ser espetada por um galho bem em sua dilatada barriga. Duvido que ela perca sua prole, mas creio que o objetivo, aqui, seja evitar que Helena resolva todos os problemas causados pela Neolution com flechadas e tiros.

The Few Who Dare marca um bom começo para a derradeira temporada de Orphan Black. Será interessante ver como as clones sairão do imbróglio em que se encontram e como as pontas soltas serão encerradas. Fawcett e Manson claramente têm um plano. Só resta esperar que a execução seja mais uma vez brilhante.

Orphan Black – 5X01: The Few Who Dare (EUA – 10 de junho de 2017)
Showrunners: John Fawcett, Graeme Manson
Direção: John Fawcett
Roteiro: Graeme Manson
Elenco: Tatiana Maslany, Jordan Gavaris, Kristian Bruun, Maria Doyle Kennedy, Kevin Hanchard, Josh Vokey, Dylan Bruce, Ari Millen, Skyler Wexler, Rosemary Dunsmore, Cynthia Galant, James Frain, Jessalyn Wanlim, Évelyne Brochu, Gord Rand, Lauren Hammersley
Duração: 41 min. aprox.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.