Crítica | Orphan Black – 5X02: Clutch of Greed

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estrelas 4

Obs: Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

Eu sabia que a ação da última temporada de Orphan Black não ficaria muito tempo quase que exclusivamente na ilha de P.T. Westmoreland, mas também não esperava que já no segundo episódio a transição para a cidade acontecesse. De certa forma, é uma pena, pois o inusitado e o imponderável representados pela localização mais, digamos, selvagem, perde espaço para algo razoavelmente mais familiar.

De toda sorte, Clutch of Greed foi um eficiente episódio que brincou com nossas expectativas.

Depois de ser capturada por Rachel e seus minions, Sarah acorda já em uma sala de decoração gótica da Dyad e não demora para ser confrontada por Ferdinand que lhe deixa conversar por vídeo com Alison e Cosima para mostrar que, nesse ínterim, as duas foram devidamente “neutralizadas”. E, ao enfrentar finalmente Rachel, percebemos que até mesmo Siobhan parece acomodada com o novo acerto que daria à pequena Kira – e à todas as clones e agregados – uma aparência de vida normal em troca de Kira tornar-se objeto de estudo da empresa em razão de suas características especiais.

Qualquer espectador que acompanhou a série até aqui sabia logo de cara que essa concordância geral era fachada, algo que não demora a se confirmar com um plano apressado para a fuga de Sarah e Kira, com a ajuda de Mika, sendo colocado em movimento. A velocidade do episódio é espantosa, com a movimentação mais do que dinâmica de toda as peças, com direito a uma angustiante história paralela que coloca Helena e Donnie, ambos no hospital, contra uma médica que parece sinistra, ainda que tudo possa ser paranoia, e que gera o aflitivo e desde já antológico momento em que Helena enfia uma agulha pelas bochechas e língua da especialista em neonatal.

Ainda que a reviravolta lidando com Siohban e Sarah fosse mais do que previsível, o tapete nos é tirado de debaixo dos nossos pés quando é Kira quem, tendo tido o gosto de uma vida normal em sua escola, se recusa a continuar fugindo com a mãe. Trata-se de um momento poderoso e muito bem trabalhado pela fotografia esbranquiçada da locação nevada e fria. A menina não quer mais correr e aceita ser cobaia pelo bem de todos. Certamente um ato altruísta que de forma alguma desce pela garganta de Sarah, mas que ela tem que aceitar pelo menos por enquanto.

Mas entre uma coisa e outra vemos algo raro na série: a morte de uma clone. E, dessa vez, a vítima é Mika no único momento em que, de peito aberto, ela decide ajudar suas irmãs. Particularmente, apesar de ela ter passado uma vida inteira fugindo e escondendo-se nos mais profundos recônditos da internet depois de sofrer o horror de Helsinki, achei que a personagem se entregou fácil demais. Ela não precisava trocar de lugar com Sarah, pois as duas poderiam facilmente ou fugir ou até mesmo enfrentar Ferdinand. Essa entrega, essa derrota prévia de Mika não é característica da personagem e pareceu-me muito mais uma conveniência narrativa do que qualquer outra coisa. A clone, pelo visto, não era mais importante e tinha que desaparecer completamente. Apenas acho que poderia haver uma solução mais elegante que ainda assim acabasse com sua morte.

Aliás, sobre a morte em si, se a agulha pela bochecha já havia chocado, a violência crua de Ferdinand em um misto de vingança e frustração foi de deixar qualquer um desesperado. James Frain investe muito em seu personagem, transformando-o completamente em uma espécie de encarnação da fúria incontida, com uma dolorosa – em todos os sentidos – morte pelo esmagamento do tórax de Mika com seus pés. Não sei o que acontecerá com o personagem, mas se ele não morrer pelas mãos de Helena, depois de uma longa sessão de tortura, ficarei muito desapontado…

Falando em Helena novamente, quer parecer que seus bebês têm o fator de cura de Wolverine, algo que reflete o que já vimos acontecer com Kira antes, mas que havia sido de certa maneira suprimido ao longo da série. Reverter a esse assunto, porém, faz todo sentido agora, já chegando ao final, pois não só evita pontas soltas como encaixa essa questão em todo o plano macro de evolução da raça humana pelo misterioso Westmoreland.

E, por falar nele, Stephen McHattie vive o fundador do neolucionismo com uma aparência surpreendentemente jovial para alguém em tese com 170 anos de idade. Sua revelação se dá bem do jeito que John Fawcett e Graeme Manson gostam: com pompa, circunstância e muito mistério envolvido em uma interpretação fleumática e divertida do ator, com direito a citação – e foto – de seu amigo do peito Sir Arthur Conan Doyle. Cosima, agora, tem uma escolha. Ou trabalha para salvar suas irmãs e mais nada ou salva suas irmãs e continua a pesquisa evolucionária de Westmoreland, se é que a oferta dele realmente é tão simples assim.

Clutch of Greed, apesar de fazer a série voltar muito rapidamente da ilha misteriosa e matar uma personagem boa de maneira pouco característica, engrena o turbo da temporada e caminha com rapidez para seu final potencialmente apoteótico e violento. Sarah, mesmo compreendendo os anseios de Kira, não ficará esperando as coisas acontecerem e, não demorará, e ela enfrentará a vilania de Rachel de frente e em definitivo.

Orphan Black – 5X02: Clutch of Greed (Canadá – 17 de junho de 2017)
Showrunners: John Fawcett, Graeme Manson
Direção: John Fawcett
Roteiro: Jeremy Boxen
Elenco: Tatiana Maslany, Jordan Gavaris, Kristian Bruun, Maria Doyle Kennedy, Kevin Hanchard, Josh Vokey, Dylan Bruce, Ari Millen, Skyler Wexler, Rosemary Dunsmore, Cynthia Galant, James Frain, Jessalyn Wanlim, Évelyne Brochu, Gord Rand, Lauren Hammersley, Stephen McHattie
Duração: 41 min. aprox.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.