Crítica | Orphan Black – 5X04: Let the Children & the Childbearers Toil

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estrelas 3,5
– Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

Depois do filler light que foi Beneath Her Heart, John Fawcett e Graeme Manson voltam a focar na trama principal, usando o mistério da “criatura” na ilha como cola narrativa para fazer as tramas confluírem. É uma estratégia interessante e, ainda que a natureza do ser que atacou Sarah em The Few Who Dare, o episódio inaugural da temporada, não seja completamente esclarecida, o artifício funciona bem em seu propósito.

Rachel não dá as caras. Mas sua presença é sentida de toda forma, pois a história principal gira em torno das experiências pós-escola dela em Kira, com a revelação de que a clone má teria machucado a menina. Sarah entra em desespero, mas a própria Kira, que vem se mostrando centrada e mais inteligente do que a mãe, afirma que fora ela mesmo que se auto-flagelara para testar seu fator de cura. Se isso é verdade ou não, só o tempo dirá.

O ponto principal é que essa tensão inicial logo abre espaço para uma conveniência narrativa de revirar os olhos: Siobhan e sua infinita rede de contatos descobriu que a maquiavélica Dra. Virginia Coady (Kyra Harper), responsável pelo programa CASTOR, está viva e mantida em uma clínica sobre fortes sedativos. Coady, segundo, Siobhan, pode ser o elo que as fará chegar até P.T. Westmoreland e, fazendo-se passar de psiquiatra, com Sarah a tiracolo, ela se infiltra na clínica para obter informações valiosas. Paralelamente e também muito convenientemente, Adele (Lauren Hammersley), a pedido de Siobhan, que conta tudo para ela offscreen, reentra na série para seguir o dinheiro que financia a pesquisa do quase bicentenário senhor recluso na ilha misteriosa. Parece que tanto ela quanto Felix seguirão para a Suíça com esse propósito e, talvez exatamente como Alison, sairão momentaneamente da série, para voltar em algum momento futuro com informação vital deus ex machina para salvar Sarah ou Kira.

Na ilha, em montagem paralela com todo o irritantemente secreto plano de Siobhan para interrogar Virginia, Cosima passa a seguir Mud para descobrir sobre o tal “urso na floresta” e é nesse ponto que a convergência narrativa passa a acontecer, em um trabalho bem estruturado de David Wellington na direção que empresta uma camada de “filme de terror” ao episódio, como o próprio John Fawcett fizera no primeiro episódio da temporada. E o engraçado é que Cosima sempre chamou a ilha de “A Ilha do Dr. Moreau” e é justamente isso em que ela está se transformando, agora com pelo menos uma criatura que foi alvo de experiências que deram errado.

É inegável que os showrunners tinham que fechar diversas pontas soltas e a maneira que escolheram para fazer isso foi usar Westmoreland como o grande vilão lá no topo da hierarquia das reviravoltas da série. No entanto, é também inegável que não parecia haver história o suficiente para carregar uma nova temporada completa de dez episódios e que alguns desvios foram necessários. A ação perdida de Clutch of Greed que, em retrospecto, só teve como objetivo matar Mika (em uma espetacular sequência, devo admitir) abriu espaço para um episódio morno focado exclusivamente nas atribulações domésticas de Alison, com a ação voltando em Let the Children & the Childbearers Toil, mas de forma dependente demais de Siobhan e sua capacidade investigativa sherlockiana, algo que havia ficado muitas vezes nas entrelinhas, mas nunca verdadeira usado nesse nível.

O problema, com isso, é que as clones, tão bem construídas até aqui, estão perdendo espaço para os coadjuvantes. Siobhan, Felix e até Westmoreland e Susan Duncan têm recebido mais destaque, em seu conjunto, que elas. A proverbial gota d’água foi justamente essa trama detetivesca do episódio que coloca Siobhan nos holofotes, relegando Sarah a uma literal “ajudante” desnecessariamente perdida na história somente para que fosse possível criar suspense sobre a sobrevivência de Virginia.

Não falta muito para a série acabar. Quer parecer que os showrunners ou farão uma segunda metade da temporada carregada de ação ou eles estão economizando o pouco de história que têm para os momentos finais. Ainda que seja muito cedo para afirmar que estamos diante da mais fraca temporada da série, parece-me que essa conclusão se avizinha. Mas, claro, temos ainda seis episódios pela frente e muita coisa pode acontecer se Fawcett e Manson tiverem ases ainda para tirar de suas mangas.

Orphan Black – 5X04: Let the Children & the Childbearers Toil (Canadá – 1º de julho de 2017)
Showrunners: John Fawcett, Graeme Manson
Direção: David Wellington
Roteiro: Greg Nelson
Elenco: Tatiana Maslany, Jordan Gavaris, Kristian Bruun, Maria Doyle Kennedy, Kevin Hanchard, Josh Vokey, Dylan Bruce, Ari Millen, Skyler Wexler, Rosemary Dunsmore, Cynthia Galant, James Frain, Jessalyn Wanlim, Évelyne Brochu, Gord Rand, Lauren Hammersley, Stephen McHattie, Kyra Harper
Duração: 41 min. aprox.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.