Crítica | Orphan Black – 5X05: Ease for Idle Millionaires

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estrelas 3,5
– Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

Sem perder tempo, Ease for Idle Millionaires, que marca a metade da temporada final da série, continua a narrativa de Let the Children & the Childbearers Toil, usando o mistério sobre a “criatura na ilha” como artifício para reunir as histórias. E o episódio funciona muito bem em seu propósito, aprofundando a ciência e os propósitos nefastos de P.T. Westmoreland, além de colocar dúvidas sobre sua real identidade.

Mas começarei pelo que me incomodou e que é um legado do episódio anterior: a rede investigativa de Siobhan. Sim, ela tem um passado sombrio e sim, ela sempre foi muito bem conectada e isso foi o que manteve Sarah Manning, e depois Kira, escondidas durante muitos anos. No entanto, o salto lógico necessário para partir desse ponto e aceitar a forma como ela, agora, comanda tentáculos que têm como objetivo entender a lógica do dinheiro que financia Westmoreland e quem exatamente ele é, com ramificações até na Suíça, não chega a ser algo fácil de fazer. E piora muito que apenas ouçamos falar do que acontece nos bastidores, sem vermos efetivamente a ação.

Além disso, as clones, como um grupo de irmãs tentando entender quem são, não mais existe de verdade. Alison foi defenestrada em Beneath Her Heart e, antes disso, Helena saiu do jogo quase que completamente com sua gravidez mais avançada. Com a morte de Mika em Clutch of Greed e com as demais “clones coadjuvantes” tendo tido suas funções cumpridas, sem uma volta discernível no horizonte, restam, apenas, Sarah e Cosima e esta temporada tem basicamente oscilado entre as duas, ainda que Sarah – a protagonista e catalisadora de tudo, não podemos esquecer! – tenha tido sua importância reduzida drasticamente, abrindo espaço para sua mãe e também para sua filha Kira.

Mesmo com esses problemas, que são da temporada como um todo, Ease for Idle Millionaires ainda assim é um episódio bem orquestrado, com uma direção de Helen Shaver que sabe se aproveitar do clima angustiante estabelecido pelas descobertas de Cosima e sua aproximação do cada vez mais sinistro Westmoreland. Partindo da experiência falha do ancião, que originou o “monstro da floresta”, Shaver cria um bom suspense que reúne as figuras mais importantes da mais alta hierarquia “neolucionária” – P.T., Susan e Rachel -, além de reintroduzir a francesa Delphine, agora como uma agente dupla, trabalhando secretamente para Siobhan. A música é um elemento muito bem manuseado por Shaver que a usa em momentos marcantes, especialmente o estranho jantar ritualístico em que Cosima consegue se intrometer, brilhantemente fazendo ruir toda a pompa e circunstância com seu desafio de figurino.

Ao mesmo tempo, a clone cientista finalmente entende o que a Dyad pretende fazer com Kira e, ainda que isso não seja muito bem desenvolvido no episódio, fica a mensagem de que a menina corre algum tipo de perigo, ainda que não seja algo que efetivamente ameace sua vida. Há muito mais um dilema moral no uso de seu óvulos do que qualquer outra coisa e, mesmo que isso tenha o condão de ser o catalisador da revolta final de Sarah e das demais clones – que, prevejo, serão reunidas em uma espécie de tropa de elite – não me parece algo que funcione completamente para nós, espectadores, a não ser que a conexão que Cosima faz entre o estado atual de Yanis como sendo Kira no futuro seja levada em consideração. De imediato, porém, o que realmente funciona é entender até que ponto vai a frieza de Westmoreland que não só mata a sangue frio o probre Yanis, como prende Cosima em seu porão com propósito ainda incerto.

Outro aspecto muito intrigante é a identidade verdadeira de Westmoreland. Siobhan quer descobrir se aquele senhor da ilha é mesmo o Westmoreland do século XIX e a forma como Cosima o enfrenta no porão dá a entender que eles talvez não sejam a mesma pessoa. O que é difícil de entender ainda é o que isso importa no cômputo geral. Se ele é ou não é quem diz ser, o fato permanece de que ele parece ser quem iniciou todas as experiências que levaram à LEDA e CASTOR e todas as desgraças que seguiram. Se Siobhan efetivamente descobrir que ele não é Westmoreland, ele provavelmente será alguém cuja existência será conhecida apenas no momento da revelação, em desconexão com eventuais situações e personagens que vieram antes. O que quero dizer com isso é que ele será mais um nome tirado da cartola, como o próprio Westmoreland ao final da temporada anterior, ou seja, mais um degrau na infindável escadaria de mistérios da série.

Finalmente, não podemos esquecer dos poderes de Kira de se comunicar com todas as clones por intermédio de uma forma de telepatia que parece ser uma versão primitiva do que vimos em Sense8. Esse aspecto que, convenhamos, só surgiu de verdade ao final da temporada anterior, ainda não mostrou a que veio e tem recebido um desenvolvimento extremamente lento. É, sem dúvida, um conceito interessante, mas cujo propósito e utilidade me parecem ainda difusos.

No final das contas, porém, é bom ver que John Fawcett e Graeme Manson parecem ter efetivamente voltado ao núcleo da série. No entanto, isso veio em detrimento das clones como um grupo unido, criando narrativas picotadas e desculpas para tirar personagens importantes do foco. Ainda que tenha sido mais um bom episódio, falta à derradeira temporada algo que realmente a torne parte integrante de tudo o que veio antes. É torcer para que, nos próximos episódios, essa coesão volte à série.

Orphan Black – 5X05: Ease for Idle Millionaires (Canadá – 08 de julho de 2017)
Showrunners: John Fawcett, Graeme Manson
Direção: Helen Shaver
Roteiro: Jenn Engels
Elenco: Tatiana Maslany, Jordan Gavaris, Kristian Bruun, Maria Doyle Kennedy, Kevin Hanchard, Josh Vokey, Dylan Bruce, Ari Millen, Skyler Wexler, Rosemary Dunsmore, Cynthia Galant, James Frain, Jessalyn Wanlim, Évelyne Brochu, Gord Rand, Lauren Hammersley, Stephen McHattie, Kyra Harper
Duração: 41 min. aprox.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.