Crítica | Os Caça-Fantasmas 2

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estrelas 2

O sucesso do filme original de 1984 e da série animada The Real Ghostbusters, que começou a ir ao ar em 1986, fez a Columbia Pictures pressionar Dan Aykroyd e Harold Ramis por um novo roteiro de Os Caça-Fantasmas. Afinal, Hollywood simplesmente precisa de continuações de tudo que faz sucesso, não é mesmo? Mas os dois não queriam saber de voltar à franquia por considerar a obra então já clássica, como algo fechado, acabado, mas eles acabaram capitulando e produziram mais um texto contando uma nova história dos heróis sobrenaturais de Nova York.

Mas a relutância e má-vontade da dupla Aykroyd e Ramis transparecem em Os Caça-Fantasmas 2, uma sequência que praticamente é uma repetição sem graça do original, com direito a fazer os quatro destemidos e atrapalhados heróis voltarem à estaca zero, cada um com sua profissão depois que, passados cinco anos dentro da narrativa, os Caça-Fantasmas acabaram desmantelados pela própria cidade que os aplaudiu. Em 30 minutos, o roteiro, então, estabelece novamente outra trama fantasmagórica que faz com que eles novamente vistam seus uniformes, empunhem as mochilas protônicas, dirijam o rabecão branco Ecto-1 e partam pela cidade lidando com aparições que literalmente vêm do nada, sem que o roteiro demonstre qualquer esforço para justificá-las ou para tornar suas presenças algo diferente do que vimos no primeiro filme.

Não só o diretor Ivan Reitman volta à empreitada, como o elenco todo, inclusive o de suporte (David Margulies vive novamente o prefeito da cidade), além de Slimer, o simpático fantasma verde, aqui muito mais feio que anteriormente. Mas a preguiça do roteiro é tanta que simplesmente não existe função para Louis Tully, o personagem que havia sido possuído por Gozer no original e que é vivido por Rick Moranis, para Janine Melnitz, a secretária dos caçadores de fantasmas vivida por Annie Potts e nem mesmo para Slimer (voz do diretor) que aparece aqui e ali como um lembrete de que ele existe sim e não foi esquecido. Mas o mais constrangedor é que nem o grave problema da inserção aleatória do quarto Caça-Fantasma, Winston Zeddemore (Ernie Hudson), como o token black guy na obra original é resolvido. Ele continua sendo tratado exatamente da mesma forma, sem qualquer relevância na narrativa, sendo, portanto, excluído de qualquer momento da fita que não seja os de ação propriamente ditos. Assim, ele praticamente não existe e está lá para cumprir quota em uma demonstração da completa má-vontade (para não chamar de incapacidade) dos roteiristas em trabalhar melhor a interação entre os personagens.

Aliás, falando em interação, ela também é praticamente inexistente entre o quarteto, com Bill Murray roubando mais uma vez as pouquíssimas melhores sequências com seu charme natural, apesar da forçada relação de seu personagem com o de Sigourney Weaver, que, mais uma vez, agora com um filho (Oscar, vivido pelos gêmeos William e Hank Deutschendorf) tirado “da cartola”, é a pivô da ação principal envolvendo uma pintura de Vigo, um tirano dos Cárpatos (Wilhelm von Homburg) que volta à vida e deseja tomar o corpo do bebê. Weaver e Murray, que mostraram uma certa química no primeiro filme, agora estão “no automático”, sem gerar nenhuma fagulha que convença o espectador da relação que eles acham que têm. Mesmo assim, aqui e ali, Murray solta algumas tiradas razoáveis que poderão, com muita boa vontade, arrancar um meio sorriso do espectador.

A ação climática da fita, com a Estátua da Liberdade sendo “animada” por uma gosma rosa que reage à emoções e sendo usada para atacar o museu onde está a pintura de Vigo, também rodeada de gosma rosa, é praticamente uma segunda versão do ataque do engraçado e surreal Stay Puft do primeiro filme, quase que quadro-a-quadro. Afinal, qualquer filme que tenha no título “caça-fantasmas” precisa de alguma coisa gigante ao final para funcionar, não é mesmo? Chegaria a ser vergonhoso não fossem os bons efeitos visuais que agora ficaram ao encargo da Industrial Light & Magic, então de George Lucas. Convencem tanto os efeitos dos fantasmas quando o da movimentação da estátua, que mistura eficientemente truques óticos com práticos.

A grande verdade é que, como a grande maioria das continuações, Os Caça-Fantasmas 2 não deveria ter existido. Dan Aykroyd e Harold Ramis sabiam disso e acabaram contribuindo para provar que esta afirmação está mesmo correta, seja por má-vontade, seja por incompetência para escrever algo que justificasse a existência do filme (fico com a primeira hipótese, pessoalmente). Apesar do sucesso razoável de bilheteria, Os Caça-Fantasmas 2, muito ao contrário de seu antecessor, merecidamente mal é lembrado por fãs e cinéfilos mundo afora.

Os Caça-Fantasmas 2 (Ghostbusters II, EUA – 1989)
Diretor: Ivan Reitman
Roteiro: Dan Aykroyd, Harold Ramis
Elenco: Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver, Harold Ramis, Rick Moranis, Annie Potts, William Atherton, Ernie Hudson, Peter MacNicol, Harris Yulin, David Margulies, Wilhelm von Homburg, Hank Deutschendorf, William Deutschendorf
Duração: 108 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.