Crítica | Os Dias Finais do Superman [Encerramento Oficial dos Novos 52 e Caminho para DC: Renascimento]

estrelas 3,5

SPOILERS!

Na edição #52 da revista Superman Vol.3 ou Superman: Novos 52 (subtitulada The Final Days of Superman, Part 8: Do or Die), temos o encerramento oficial da fase dos Novos 52 da DC Comics, aventura que, juntamente com Guerra Darkseid prepara o leitor para o novo momento da Casa das Sombras, o Universo DC: Renascimento (DC Universe: Rebirth).

O arco-crossover Os Dias Finais do Superman foi publicado nos EUA entre 7 de abril e 25 de maio de 2016, contendo 8 partes de quatro revistas diferentes: Superman (edições #51 e 52), Batman/Superman (#31 e 32), Action Comics (#51 e 52, simbólico, não?) e Superman/Mulher Maravilha (#28 e 29). O leitor poderá conferir a sequência correta de leitura + as fichas técnicas de cada uma dessas edições na aba ao final desse texto, basta clicar nela.

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Alguns leitores me perguntaram no facebook do Plano Crítico e nos comentários de Guerra Darkseid algumas informações sobre quem são os Supermans deste arco e se a leitura dele é necessária para entender a nova fase da DC. Bem, eu ainda não li todo o Rebirth #1, mas já dei uma passada por cima e posso afirmar que se você conhece relativamente bem o que rolou nos últimos 5 anos da DC, você não precisa ler, afinal, dá para subtender um montão de coisas ali. No entanto, para quem não é exatamente um leitor assíduo da editora, penso que vale a pena investir algum tempo neste crossover e em Darkseid War. Ou, ler com muita atenção essa e esta crítica que, por conterem spoilers, me dão a liberdade de analisar abertamente os pontos centrais dos eventos, o que certamente dará para vocês as informações das quais precisam para avançar.

Que uma coisa fique claro desde o início: em Os Dias Finais do Superman, o herói realmente morre. A história não é um meandro floreado para um “super-quase-morto”. E, acreditem, ela funciona bem. Mesmo eu, que não me importo tanto com o azulão, me senti interessado, mergulhado na cadeia de eventos, tanto pela curiosidade, quanto pela engenhosidade do roteiro de Peter Tomasi no início e no final da trama. No meio, nem tanto. É nele que estão os maiores problemas do arco.

O Superman que morre aqui, como vocês já devem ter imaginado, é o Superman dos Novos 52. Infectado por três grandes esforços bio-moleculares completos pelos quais passou em um curtíssimo espaço de tempo, a saber, a câmara de kryptonita na A.R.G.U.S. (Advanced Research Group Uniting Super-Humans); a batalha contra Rao e a renovação dele nos poços de fogo de Apokolips. Doente, o herói irá correr atrás daqueles a quem ama, tentar fazer algumas importantes despedidas e, principalmente, tentar encontrar um substituto à altura para proteger a Terra.

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O leitor deve imaginar que ler uma trama dessas, para qualquer um que tenha algum amor/maior ligação com os quadrinhos, é de um peso sentimental muito grande. E vejam, isso independe de gostar ou não do herói e, claro, de já estarmos nos perguntando, lá no fundo: “quando haverá uma nova crise para que ele volte?“. Com Rebirth chegando, vai demorar um pouco até que outro grande movimento Universal ou espaço-temporal faça o Super dos Novos 52 voltar à vida. E é justamente esse tipo de percepção que Tomasi adota em seu roteiro, inflando as emoções e criando realmente um ambiente de despedida que sabemos ser duradouro ao menos a médio prazo.

Mas como disse antes, o problema é o centro da aventura. De repente nos vemos deslocados de uma escrita prévia de epitáfio ou definição de um legado para o planeta em direção a uma trama insossa, ambientada na China e com a Doutora Omen como protagonista. É possível que vejamos a sequência disso em Rebirth, mas… que péssimo momento para adicionar uma história de testes para um novo Superman, não é mesmo? E pior: uma história que desloca o fio da meada para um segundo bloco que ainda abusa da nossa paciência elencando um time de divindades do Panteão chinês para barrar a Trindade na República Popular — e sim: há um subtexto político, cínico e interessante por parte do autor neste ponto. Tomasi certamente procurou semear coisas para o futuro mas escolheu uma má hora. Sua história de morte é muitíssimo mais interessante do que o desvio que engendra na Ásia.

A lembrança da morte de um símbolo de caráter divino como o Superman é mostrada nesses Dias Finais dentro daquilo que o substrato sociológico (e filosófico, por que não?) do herói nos sugere. Corajoso, mas ainda assim, com medo, do qual não tem vergonha de assumir, ele se resigna e tenta não fazer com que sua última memória seja de desespero, mas sim de amor, bravura e a ternura. Ao cabo, o veneno em seu corpo faz com que ele se torne totalmente em pedra. Mais um Superman se vai…

:'(

Os últimos momentos.

A arte do crossover é um grande diferencial, típica das sagas que possuem diferentes equipes artísticas contando uma história integrada. Todos procuram seguir uma mesma tipologia heroica, porém, dentro de seus estilos e identidade. No todo, o trabalho de Ed Benes e Doug Mahnke em Batman/Superman e a magistral arte e cores da Superman #52, assinada por Mikel Janín, Miguel Sepulveda e Jeromy Cox são de tirar o fôlego. Quanto à última edição da saga, apostando em cores quentes a maior parte do tempo — contraste dramático com a temática de morte — e adotando o azul para o ambiente de luto após a passagem do Superman para uma melhor, esta é, das 8 edições, a que realmente encherá os olhos do público, embora não haja um único momento artístico ruim em nenhuma das outras revistas. Também gostaria de destacar a diagramação de páginas, especialmente na Superman e na Action Comics, relevando a inteligência no uso das páginas duplas, no uso de splits em diversos motos (diagonais, verticais, horizontais, circulares e retangulares) e na quebra precisa da narrativa para dar atenção ao que é de mais importante, não mostrando tudo de maneira uniforme, independente de sua função na história.

E chegamos ao fim. O Universo dos Novos 52 se despede de nós. Em Rebirth, temos (na Terra Prime, claro) o Superman pré-Ponto de Ignição assumindo o manto do Deus de Krypton e a Supergirl como uma paladina da justiça com muito mais destaque, pelo menos em um primeiro momento. Não sabemos até quando essa palavra vai durar, mas, adeus Superman. A vida, porém, continua… renasce… em breve.

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A ficha técnica desse arco-crossover está completa na aba abaixo, basta clicar para ver as especificações de cada uma das edições que compõem a saga.

Fichas Técncias

As fichas técnicas estão dispostas já na ordem de leitura das edições para o arco-crossover Os Dias Finais do Superman (The Final Days of Superman).

PARTE UM: Superman Vol.3 #51: The Final Days of Superman, Part 1: This Mortal Coil (EUA, 2016).
Roteiro: Peter Tomasi
Arte: Mikel Janín
Cores: Mikel Janín
Letras: Rob Leigh
Capa: John Romita, Jr., Danny Miki, Arif Prianto

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PARTE DOIS: Batman/Superman Vol.1 #31: The Final Days of Superman; Part 2: Dark Discovery (EUA, 2016).
Roteiro: Peter Tomasi
Arte: Doug Mahnke
Arte-final: Jaime Mendoza
Cores: Wil Quintana
Letras: Rob Leigh
Capa: Yanick Paquette, Nathan Fairbairn

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PARTE TRÊS: Action Comics Vol.2 #51: Final Days of Superman; Part 3: Dazed and Confused (EUA, 2016).
Roteiro: Peter Tomasi
Arte: Paul Pelletier
Arte-final: Sandra Hope
Cores: Tomeu Morey
Letras: Rob Leigh
Capa: Karl Kerschl

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PARTE QUATRO: Superman/Wonder Woman Vol.1 #28: The Final Days of Superman, Part 4: Last Kiss (EUA, 2016).
Roteiro: Peter Tomasi
Arte: Ed Benes
Cores: Alex Sinclair
Letras: Rob Leigh
Capa: Paul Renaud

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PARTE CINCO: Batman/Superman Vol.1 #32: The Final Days of Superman, Part 5: Omen of Death (EUA, 2016).
Roteiro: Peter Tomasi
Arte: Doug Mahnke
Arte-final: Jaime Mendoza, Christian Alamy, John Livesay, Tom Nguyen
Cores: Wil Quintana
Letras: Rob Leigh
Capa: Yanick Paquette, Nathan Fairbairn

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PARTE SEIS: Action Comics Vol.2 #52: The Final Days of Superman, Part 6: The Great Pretender (EUA, 2016).
Roteiro: Peter Tomasi
Arte: Dale Eaglesham, Scot Eaton
Arte-final: Dale Eaglesham, Wayne Faucher
Cores: Tomeu Morey
Letras: Rob Leigh
Capa: John Romita, Jr., Klaus Janson, Dean White

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PARTE SETE: Superman/Wonder Woman Vol.1 #29: The Final Days of Superman, Part 7: Fire Line (EUA, 2016).
Roteiro: Peter Tomasi
Arte: Jorge Jiménez
Cores: Alejandro Sanchez
Letras: Rob Leigh
Capa: Karl Kerschl

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PARTE OITO: Superman Vol.3 #52: The Final Days of Superman, Part 8: Do or Die (EUA, 2016).
Roteiro: Peter Tomasi
Arte: Mikel Janín, Miguel Sepulveda
Cores: Mikel Janín, Jeromy Cox
Letras: Rob Leigh
Capa: Mikel Janín

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.