Crítica | Os Homens Que Pisaram na Cauda do Tigre

estrelas 3,5

Os Homens Que Pisaram na Cauda do Tigre (1945) é o terceiro longa-metragem de Akira Kurosawa e um dos seus menores filmes, com pouco menos de uma hora de duração. A história é simples, uma crônica que se passa em poucas horas na vida de um samurai e de seus guarda-costas, todos disfarçados de monges budistas. O grupo pretende passar por uma barreira patrulhada por ordens e representantes do Xogum, e a princípio, recebem ordens para não usarem a violência e fazerem uma travessia pacífica.

Kurosawa trabalharia o tema central desse filme em muitas de suas obras no futuro, especialmente nos filmes de samurai. O ponto de partida é um conflito familiar ou social que transforma amigos, servos ou parentes em inimigos, como os dois irmãos desse filme, o Xogum, que influenciado por maus conselhos resolve matar seu próprio irmão Yoshitsuke, que consegue fugir, acaba se vestindo de monge e empreendendo uma longa caminhada rumo ao norte do país, com seis fiéis seguidores e a ajuda de um simples carregador. Mesmo que haja uma grande diferença social entre o pobre homem e os nobres fugitivos, é só com a ajuda dele que o grupo consegue enfrentar alguns perigos já previstos para essa viagem.

O filme é baseado em uma obra do teatro kabuki, e chegou a ser proibido no Japão, liberado completamente apenas em 1952. A personagem de Kenichi Enomoto, o aldeão carregador, é um acréscimo de Kurosawa ao roteiro, já que ele não existia na peça original. O diretor e roteirista pretendia dar um tom mais leve ao filme, e conseguiu isso através de uma ótima interpretação de Enomoto, pelo menos durante a travessia da floresta, na primeira parte da película. Depois, a personagem vai se tornando absurdamente caricata e destoante do filme, e acaba afastando a empatia que conseguira junto ao espectador.

Como em uma crônica, vemos alternar-se a narração dos fatos e a ação pontual das personagens; sendo que a primeira é realizada pelos cânticos dos monges disfarçados e também pelos cânticos de um coro off; e a segunda, como o próprio material constituinte do filme, a caminhada dos peregrinos pelas montanhas, a longa sequência de encenação na barreira de soldados do Xogum e o epílogo, com a manutenção de um suspense muitíssimo bem arquitetado pelo diretor. O que vem depor contra o filme são dois fatores: o final em anticlímax, que diverge do que fora apresentado até o momento, e o exagero na caracterização do carregador, como já citamos aqui.

As duas últimas sequências da fita representam bem a qualidade do cinema de Kurosawa, mesmo que o desfecho seja um pouco fora da linha narrativa e dramática da obra. Tanto os rituais e perguntas que acontecem durante a fiscalização do magistrado e o representante do Xogum, quanto a confraternização, bebedeira e entrega de presentes um pouco mais adiante, são sequências em que o espectador é capturado por um suspense eficiente, que sugere a possibilidade da descoberta do grupo e uma possível luta. Com elementos muito simples, Kurosawa conseguiu criar uma forte expectativa em torno dos monges e de maneira muito lírica, tornou a caminhada uma experiência simbólica, desde o número de integrantes do grupo até os elementos naturais em torno, como o rouxinol e o ramo de flores.

Os Homens Que Pisaram na Cauda do Tigre é uma crônica de suspense e ousadia que traz alguns dos temas mais caros a Kurosawa: o cumprimento de um dever, uma viagem para longe, a fuga de um perigo qualquer, a amizade e o perigo, todos elementos que permeiam a história, e que se mixam em um ótimo conceito do que é a existência humana: uma mistura de momentos de extrema tensão e confraternização, o perigo de mãos dadas com a felicidade e o (possível) infortúnio. Ao final, o abandono e a solidão é o que ficam de toda a experiência. Vemos que é muito clara a intenção do diretor em expor essa divisão de caminhos entre o carregador e os “monges”. É uma pena que ela não está em par com o restante do filme, mas isto não tira o mérito da obra, que permanece como um dos filmes mais queridos e simples da fase de Kurosawa nos anos 1940.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.