Crítica | Os Incríveis: Incrível Retorno (Assuntos de Família)

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Os Incríveis, admirável projeto super-heroico de Brad Bird, chegou aos cinemas em 2004, sem ter um precedente comum para esse tipo de obra, ou seja, os quadrinhos. Isso não significa, porém, que as influências e a proposta geral para a formação da Família Incrível não tenha vindo da Nona Arte, mas o diretor e roteirista brincou ao máximo com suas duas principais fontes. De uma, ele retirou a densidade e deixou a maneira politicamente limitada para os heróis, passando da ilegalidade a uma aceitação, embora desconfiada, do governo e população (Watchmen). De outra, ele se apossou dos dilemas e conexões com o núcleo familiar (Quarteto Fantástico) fazendo disso um bom espaço para a convivência da Família Pêra e sua atuação na luta contra o crime.

Em 2009, a Boom! Studios, licenciando a criação da Walt Disney/Pixar, trouxe das telas para as HQs as aventuras de Sr. Incrível (Mr. Incredible), Mulher-Elástica/Sra. Incrível (Elastigirl/Mrs. Incredible), Violeta (Violet), Flecha (Dash) e o bebê-impossível Zezé (Jack-Jack) em uma minissérie de quatro edições chamada Assuntos de Família, que no Brasil foi lançada pela Editora Abril como Incrível Retorno (Os Novos Desafios da Família Incrível). Escrita por Mark Waid e desenhada por Marcio Takara, a minissérie foca em algo bastante complicado para um super-herói, que é a perda de seus poderes. Não se preocupem, isso não é um spoiler, é apenas a sinopse oficial da minissérie. A partir desse conceito, Waid irá trabalhar com a crise familiar, revendo valores e o papel de cada parte representada na luta contra o mal, sendo este evento um verdadeiro aprendizado para o Sr. Incrível, que é forçado a olhar as coisas para além de sua própria força física e realmente dar valor ao que a esposa e os filhos fazem.

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O ataque de Futurion, do século 24, e seu Exército de [bizarros] Dinossauros.

Em uma visão geral parece algo agressivo e condenatório, mas não é. Evidente que existe uma linha moral na trama, e que infelizmente a colocação dessa linha, somada a alguns resultados finais, tornam a história um pouco menos interessante, mas a ideia de convivência e aprendizado é mantida e a minissérie consegue um saldo final muito bom. A inspiração basilar para o roteiro de Waid foi o trabalho de Gerry Conway em Os Últimos Dias do Homem Animal, inclusive com a mesma crise pessoal do herói, que pela primeira vez, depois de muito tempo, vê-se apenas como uma pessoa comum, alterando momentos de “força do hábito”, com chamados para a ação, e reflexões a respeito de todo o seu status de ex-herói. Algumas cenas no desenvolvimento dessa história, especialmente nos diálogos do casal Incrível, podem incomodar alguns leitores, mas a explicação virá no final e o contexto, em retrospecto, compreendido.

Exceto pela escolha em relação ao trabalho vilanesco, no desfecho, e pelas caóticas visitas do Sr. Incrível ao Dr. Sunbright — muito exageradas, tomando mais espaço de cena do que deveriam –, Assuntos de Família é uma divertida e simpática história deste grupo Incrível, com a moral ‘simples’ de que devemos sempre falar a verdade para os nossos familiares (ownnn); com uma arte que sabe perfeitamente distribuir os personagens por quadros, dando uma impressão visual mais clean para a obra, o que delineia os momentos caóticos — por contraste –; e uma aplicação de cores que remete aos mais simples quadrinhos infantis, e que por isso mesmo é sensacional. No fim, todos aprendem algo.

Os Incríveis: Assuntos de Família (The Incredibles: Family Matters) — EUA, 2009
No Brasil: Os Incríveis: Incrível Retorno (Os Novos Desafios da Família Incrível) — Abril, 2011
Publicação original: Boom Studios (licenciado pela Walt Disney/Pixar)
Roteiro: Mark Waid
Arte: Marcio Takara
Cores: Andrew Dalhouse
Letras: Jose Macasocol Jr.
Capas: Michael Avon Oeming, Nick Filardi, Mike Mignola
Editoria: Paul Morrissey
128 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.