Crítica | Os Mercenários 2

expendables2-pc

estrelas 3

Os Mercenários, projeto encabeçado por Sylvester Stallone para reunir atores de filmes de ação oitentistas (e outros mais recentes) deu certo. Em Hollywood, isso automaticamente significa que uma continuação será feita e que, provavelmente, essa continuação será mais barulhenta, maior e, claro, pior que o original.

No entanto, Os Mercenários 2, inevitável consequência do sucesso, apesar de realmente ser partidária da tese “michaelbayana” de que mais sempre é melhor, consegue efetivamente ficar acima do primeiro filme. Não que a segunda parte seja algum tipo de obra-prima – longe disso! – mas acontece que o filme, agora dirigido por Simon West, não só captura melhor a atmosfera oitentista almejada pelo primeiro, como, também, apresenta uma qualidade maior como um todo, com mais cuidado com os efeitos especiais e também com os diálogos.

Em termos de história, ela só está lá como uma desculpa para reunir os brucutus de ação sob um mesmo “teto”. Barney Ross (Stallone) é forçado a aceitar uma missão do agente da CIA Mr. Church (Bruce Willis) para resgatar um item de um avião que caiu na Albânia. Chegando lá, tudo dá errado, claro, e a equipe é emboscada pelo grupo rival encabeçado por Jean Vilain – sim, isso mesmo – vivido por Jean-Claude Van Damme. A partir daí, é só pancadaria com literalmente todos os nomes do passado e do presente de filmes dessa categoria.

E o que realmente vale, em Os Mercenários 2, é essa reunião, especialmente para aqueles que viveram – como eu – a década de 80. Afinal de contas, ver seus heróis de infância protagonizando um mesmo filme é algo de se explodir o cérebro. Stallone, Willis, Van Damme, Schwarzenegger e – a cereja no bolo – Chuck Norris contracenando? Irresistível, não é mesmo?

Sim, é. Nesse nível, a continuação é um divertimento só, mas é claro que, como crítico, não dá para simplesmente fechar os olhos para os problemas da narrativa. O roteiro inexistente não possui cola suficiente para realmente justificar a ação que vemos na tela, deixando diversos furos de lógica espalhados por todo o canto, junto com os corpos das buchas de canhão. O mesmo vale para, as, bem… digamos… atuações. Elas são dignas de um documentário do Discovery Channel sobre bonecos de cera de tão patéticas.

Mesmo assim, ver Chuck Norris surgir literalmente do nada explodindo tudo e, depois, contando uma piada (!!!) para seus colegas de profissão não tem preço para os saudosistas como eu. A ala geriátrica dos atores de filmes de ação lidando com a ala jovem também divertirá até o mais chato dos espectadores.

Como mencionei acima, os efeitos especiais da continuação são marcadamente melhores do que no original, tornando a experiência muito mais acabada e aceitável, sem que seja necessário disfarçar os problemas com fotografia escura ou montagem esquizofrênica. Mas é claro que não estou falando de efeitos de ponta, apenas algo passável que serve bem à tônica da fita, sem maiores pretensões.

Um filme como Os Mercenários 2 só pode ser minimante apreciado por quem sabe o que esperar da premissa. Longe de ser algo inesquecível, o filme ao menos divertirá quem entrar no espírito da brincadeira.

Os Mercenários 2 (The Expendables 2, Estados Unidos, 2012)
Direção: Simon West
Roteiro: Richard Wenk, Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Chuck Norris, Jean-Claude Van Damme, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, Terry Crews, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Liam Hemsworth, Scott Adkins, Nan Yu
Duração: 103 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.