Crítica | Os Mercenários 3

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estrelas 3,5Desde que Sylvester Stallone ou Sly para os íntimos, anunciou sua pretensão em escrever, dirigir e estrelar um filme de ação, a maioria torceu o nariz. Afinal, Sly havia feito péssimas escolhas quanto a papéis e há tempos não emplacava um bom personagem.

Porém, tudo caiu por terra ou foi explodido, quando as primeiras notícias sobre o filme Os Mercenários começaram a circular. No elenco nomes como Jason Statham, Terry Crews, Jet Li, Dolph Lundgren, Mickey Rourke, para citar alguns, serviram apenas para aguçar a curiosidade do público. E mais, parte das filmagens aconteceria aqui no Brasil. Pronto. A venda estava feita.

O filme chegou com um estrondo enorme e cativou o público, não pelo brilhantismo do enredo (até porque a proposta nem era essa), mas sim, por lembrar e muito os antigos filmes de ação dos anos 80. Agora, esse mesmo público queria outros astros no elenco, alimentando rumores atrás de rumores. E foi quando saiu a escalação de Os Mercenários 2 com direito a repeteco do primeiro, tirando alguns nomes e incluindo outros como Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Jean-Claude Van Damme e ninguém menos que Chuck Norris para o delírio da nação. Só que dessa vez, Sly se afastou do cargo de direção passando o chapéu para Simon West. O roteiro que foi escrito a quatro mãos com o auxílio de Richard Wenk, tinha uma trama mais interessante que o primeiro, mas, não perdeu o bom humor ácido e aumentou o número de punch lines, as frases de filmes que ficam famosas. Como o Arnold falando para o personagem do Willis “I’ll be back” que ficou marcada por seu personagem em Exterminador do Futuro

Logo, a expectativa para o terceiro filme da franquia estava enorme, assim como o elenco. Sly pareceu ter anotado cada uma das sugestões que apareceram pela internet e acrescentou ao já existente grupo de mercenários alguns atores de peso como Harrison Ford, Antonio Banderas, Wesley Snipes e chamou Mel Gibson para interpretar o vilão. Pronto. Outra venda acertada.

Dessa vez, as coisas não foram muito bem para a equipe de Barney Ross. Após uma missão fracassada, Barney passa a temer pela vida de seus companheiros e decide aposentar a equipe. Só que a missão ainda não terminou e ele precisará de sangue novo para seguir em frente. Dessa forma, com a ajuda de seu amigo Bonaparte, contrata novatos para ajudá-lo a capturar Stonebanks, alguém que Barney jurava estar morto. Munido de novas ideias graças a sua equipe, eles traçam um plano que parece infalível. Parece. Stonebanks ainda tem um truque na manga que deixará Barney aturdido e quase sem opção. Felizmente, sua velha equipe irá aparecer para ajudá-lo.

O que faz esse filme ser superior aos anteriores é bem simples: eles finalmente entenderam como deveria funcionar.

Dedicou-se um tempo considerável na construção e apresentação dos personagens, o que acabou colaborando para elevar a trama. E até agora – não sabemos se terá outro filme – foi a melhor escalação de elenco.

Mel Gibson demonstra que ainda existe dentro dele aquele ator que conhecemos e admirávamos nos entregando papéis memoráveis como William Wallace em Coração Valente. Não existe erro na sua atuação e dá gosto vê-lo interpretar com tanto afinco. Suas cenas com o Stallone são primorosas. Outros dois atores que também se destacaram foram Banderas e Snipes, ambos por fazerem rir com cenas e diálogos incríveis, algo digno da franquia. Os novatos Powell, Lutz, Rousey e Ortiz, trabalharam muito bem e souberam se entrosar com o restante do elenco.

As cenas de ação sofreram uma melhora considerável, ajudando a elevar o nível de adrenalina do espectador. Se são verossímeis, não sabemos e nem importa, no final, empolgam bastante.

Há diversas referências a outros filmes do gênero como Força Aérea Um e Predador. E algumas da vida real, como quando o personagem de Lundgren questiona Snipes a razão de ele ter sido preso.

Os Mercenários 3 é diversão garantida e mostra a evolução de uma ideia que estava considerada por muitos, fadada ao fracasso. Ledo engano.

Os Mercenários 3 (The Expendables 3 – USA/França 2014)
Direção: Patrick Hughes
Roteiro: Sylvester Stallone, Creighton Rothenberger, Katrin Benedikt
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Terry Crews, Randy Couture, Harrison Ford, Mel Gibson, Arnold Schwarzenegger, Antonio Banderas, Kelsey Grammer, Wesley Snipes, Dolph Lundgren, Kellan Lutz, Glen Powell, Ronda Rousey, Jet Li, Victor Ortiz
Duração: 126 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.