Crítica | Os Novos 52 – Parte 2

Em 31 de agosto de 2011, a DC Comics iniciou o tão alardeado recomeço de seu universo. A proposta, polêmica e arriscada, acabou dando frutos e a Panini, a partir de junho de 2012, passará a publicar as estórias por aqui. Assim, nada mais apropriado do que fazer breves comentários sobre cada um dos 52 títulos novos. Assim, divirtam-se com a segunda parte da série de posts sobre Os Novos 52:

15. Batman and Robin # 1 (Peter J. Tomasi, Patrick Gleason e Mick Gray)

De um lado, vemos um daqueles homens morcegos da iniciativa Batman Incorporated na Rússia apanhar seriamente de um ser invisível. Do outro, vemos Batman e Robin (na encarnação do filho de Bruce Wayne, Damian) trocar farpas todo o tempo durante uma ação em uma usina nuclear (ou algo do gênero).

A luta com o russo é interessante e a introdução do que eu acho ser um novo inimigo que tem como objetivo literalmente apagar da existência a iniciativa mundial de Batman é algo promissor. Já a caracterização de Damian (nunca havia lido nada com ele antes) é um tanto absurda. O garoto tem 10 anos apenas e fala como se fosse um adulto, basicamente desancando o morcegão a cada balão de conversa. Não gostei dessa parte e espero que Peter J. Tomasi suavize esse aspecto nas próximas edições.

Vale dizer, também, que tem um “bat-esgoto-móvel”  que é uma ideia sensacional. E a arte de Patrick Gleason está muito boa.

Tem potencial (continua sendo publicada).

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16. Batwoman # 1 (J.H. Williams III e W. Haden Blackman)

Nunca li nada da Batwoman, ainda que a tenha visto em artes  por aí e acompanhado, de longe, a controvérsia por ela ser lésbica. Mas isso não importa. O fato é que Kate Kane parece ser uma personagem muito bacana e bem desenvolvida e o que vemos nesse número 1 é ela em ação com uma assistente em treinamento e Batwoman sozinha lutando contra alguma entidade intrigante que sequestra crianças. No meio disso tudo, aprendemos um pouco sobre seu passado com a policial Renee Montoya (não faço ideia da ligação aqui) e um pouco de sua vida “normal”.

Senti, nessa revista, a necessidade de um pouco mais de conhecimento do que veio antes da reformulação e isso, de certa forma, depõe contra a própria ideia da DC de recomeçar seu universo. Uma coisa é saber que as revistas que compõem Os Novos 52 manterão elementos e fatos anteriores e já estabelecidos mas outra coisa bem diferente é não abordar os fatos de maneira que o leitor acabe se sentindo “dentro da estória”. Por exemplo, em Batgirl # 1, que comentei na Parte 1, as menções aos acontecimentos de A Piada Mortal são mais claras – e ilustradas – permitindo ao leitor de primeira viagem entender o que aconteceu. Isso não acontece em Batwoman. Não acho, porém, um defeito mortal ou que não possa ser corrigido nos próximos números.

A arte é linda mas fiquei pensando se J. H. Williams III precisava mesmo caracterizar Kate Kane sem máscara como uma versão light de um zumbi (pele muito branca e olheiras). Não que esteja ruim mas é definitvamente estranho.  O roteiro de J. H. Williams III e W. Haden Blackman parece estar redondinho e apresenta mistérios suficientes para merecer o acompanhamento da revista.

Essa vale o investimento (continua sendo publicada).

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17. Deathstroke # 1  (Kyle Higgins, Joe Bennett e Art Thibert)

Na minha época, Deathstroke (batizado de Exterminador, no Brasil) era apenas o maior inimigo dos Novos Titãs, uma das poucas revistas mainstream da DC que realmente gostava. Agora, Deathstroke, cujo visual espalhafatoso foi atualizado mas mantido em sua essência (ainda bem!) é uma espécie de mercenário,  não necessariamente um vilão. É como se o Justiceiro da Marvel fosse um mercenário. E o cara continua tão bacana quanto antes. Na verdade, está até mais bacana.

O roteiro de Kyle Higgins é simples e brinca com a ideia que a idade chegou para Deathstroke e seus clientes já não confiam mais na eficiência dele como antes. Por isso, ele é obrigado a trabalhar com uma turma (irritante) de adolescentes geninhos em uma missão bem interessante, com possíveis ramificações para os próximos números. De todas as revistas na nova DC que li até agora, Deathstroke # 1 é mais auto-contida, ou seja, tem começo meio e fim no mesmo número, mas permite desdobramentos para o futuro.

Essa vale o investimento (mas só se você se render a um guilty pleasure) (continua sendo publicada).

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18. Demon Knights # 1 (Paul Cornell, Diógenes Neves e Oclair Albert)

Essa revista já ganha pontos por se passar integralmente na Idade Média. Nada de começar por lá e pular para o presente. Vemos uma espécie de começo de formação de uma “Liga da Justiça” medieval, com o demônio Etrigan, Madame Xanadu (do universo Vertigo) e Vandal Savage se juntando para lutar contra uma ameaça maior.

Mas o roteiro de Paul Cornell é dolorosamente clichê, ainda que o desenho do brasileiro Diógenes Neves seja ótimo.

Tem potencial mas não muito (continua sendo publicada) .

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19. Frankenstein – Agent of S.H.A.D.E. # 1 (Jeff Lemire e Alberto Ponticelli)

Mais uma “Liga da Justiça”, só que de monstros. Frankenstein encabeça um grupo que tem ainda um lobisomem, uma monstra da lagoa negra, um vampiro e uma múmia, para descer a lenha em mais monstros. Ridículo demais?

Esperem que tem mais. Esse pessoal todo é comandado por Father Time, um ser aparentemente imortal que habita vários corpos de tempos em tempos mas que, no momento, habita o corpo de uma menina de talvez 10 anos, completa com uniforme escolar e com uma máscara tipo “Robin”.

E não acaba aí. O laboratório secreto deles é, na verdade, uma cidade em miniatura (Kandor, alguém?) em uma esfera metálica flutuando acima de Manhattan criada com base em tecnologia de Ray Palmer, o Átomo do universo “antigo” DC.

Sim, é isso aí mesmo que vocês leram. Preciso dizer mais? Talvez só uma coisa: não esperava isso de Jeff Lemire, autor da ótima Sweet Tooth da Vertigo.

Não vale a pena ler (continua sendo publicada).

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20. Green Lantern # 1 (Geoff Johns, Doug Mahnke e Christian Alamy)

Hal Jordan não é mais o Lanterna Verde. Entre os acontecimentos de Justice League # 1 e Green Lantern # 1, algo aconteceu que ele teve seu anel retirado pelo Guardiões de Oa. Ao mesmo tempo, seu próprio anel escolheu Sinestro, seu maior inimigo, para ser um novo Lanterna Verde. O foco maior da revista, alías, é em Sinestro e isso dá um tom interessante à trama já que o personagem só aceitou fazer o juramento forçado pelos Guardiões que se mostram com segundas e terceiras misteriosas intenções.

No entanto, assim como em Batwoman, Green Lantern exige um conhecimento maior dos acontecimentos anteriores sobre a vida do herói para ser entendida. Há menção à traição de Sinestro, à sua tropa de lanternas amarelas e por aí vai. É, mais uma vez, a reformulação seletiva da DC criando confusão na cabeça do leitor novo. Não sei se a intenção é recontar tudo o que aconteceu no universo antigo de maneira diferente ou só partir da premissa que o que aconteceu aconteceu e pronto. De toda sorte, o roteiro bem montado de Geoff Johns prende a atenção e cria curiosidade suficiente para fazer com que o leitor queira procurar pelo número 2.

Tem potencial (se continuarem focando em Sinestro) (continua sendo publicada).

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21. Grifter # 1 (Nathan Edmonson and Cafu) 

Querem uma revista confusa? Leiam Grifter.

Grifter é um personagem egresso do grupo WildC.A.T.S., do universo Wildstorm, que está sendo integrado ao novo Universo DC. Ok até aí mas, para vocês terem uma idéia, fica muito difícil até entender se se trata de uma estória de origem ou se é apenas mais uma aventura do personagem. O roteiro de Nathan Edmondson é muito fraco e não prende a atenção, além de deixar tanta coisa no ar que é como se fosse um apanhado de coisas soltas coladas pela arte de Cafu, que não é lá essas coisas.

Não vale a pena ler (continua sendo publicada).

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22. Legion Lost # 1 (Fabian Nicieza e Pete Woods)

Essa revista me deixou mais cabreiro do que já estava. Na primeira parte desses meus comentários, já havia deixado claro que Os Novos 52 me cheira a alguma experiência da DC, com boas chances de eles voltarem atrás. Em Legion Lost, um dos personagens faz menção expressa a Flashpoint, a saga imediatamente anterior à reformulação. Será que o que estamos lendo agora é apenas um “universo paralelo” mesmo? Mais um dentre tantos da DC? Seria o maior engodo dos quadrinhos já feito até hoje. É esperar para ver.

Mas indo ao ponto: Legion Lost conta a estória de alguns membros da Legião dos Super-Heróis, uma espécie de Liga da Justiça (mais uma, mas pelo menos essa já é manjada) do século XXXI. Nunca gostei da Legião e Legion Lost não me fez mudar de idéia. Personagens desinteressantes povoam as páginas dessa revista que, basicamente, os mostra perdidos no século XXI, tentando reconstruir sua máquina do tempo ao mesmo tempo que caçam um inimigo que veio para cá. Mal dá para terminar a revista de tão banal que é o roteiro de Fabian Nicieza e Pete Woods.

Não vale a pena ler (continua sendo publicada).

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23. Mr. Terrific # 1 (Eric Wallace e Gianluca Gugliotta)

Não consigo levar a sério um herói que se auto-intitula o “terceiro homem mais esperto do mundo” (ênfase no “terceiro”) e que anda flutuando em três bolinhas de metal que têm mais utilidades do que Bombril. Simplesmente não dá.

Mr. Terrific é isso. E, ainda por cima, o uniforme dele, agora, ficou completamente genérico, saindo a jaqueta de couro com um mínimo de personalidade e entrando um uniforme qualquer sem mangas. A estória, escrita por Eric Wallace até tem seu poucos bons momentos, como o flashback do herói e a revelação de sua origem e o estabelecimento de um mistério. Mas, depois disso, ela degringola de vez com uma tentativa de trama que não faz lá muito sentido em uma festa dentro de um laboratório com tecnologia anti-terremotos na Califórnia.

E o desenho de Gianluca Gugliotta? Se vocês acham Rob Liefeld um péssimo desenhista, passem longe desse cara que não conhece nada de proporções corporais.

Não vale a pena ler (cancelada no número 8).

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24. Red Lanterns # 1 (Peter Milligan, Ed Benes e Rob Hunter)

Outra revista que exige um certo conhecimento do universo DC “antigo”. Não faço ideia da estória dos Lanterna Vermelhas mas sei que houve algumas sagas mais recentes que os envolveram. Assim, esse número um, que parece focar na mais violenta tropa dos “lanternas coloridos”, não é um bom ponto de entrada para leitores novos. E o começo, com um gato espacial uniformizado de Lanterna Vermelha atacando uma nave não ajuda muito, pois força o riso e tira a seriedade da estória.

Em seguida, somos apresentados a Atrocitus, um monstro (mais um que é último sobrevivente de sua raça, aliás) que parece, segundo ele, ter criado a Tropa dos Lanternas Vermelhas. Ele fica se lamentado para lá e para cá que algo está errado com ele e não muito mais do que isso. Simplesmente faltou estória no roteiro de Peter Milligan.

Não vale a pena ler (continua sendo publicada).

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25. Ressurection Man # 1 (Dan Abnett, Andy Lanning e Fernando Dagnino)

Nunca tinha ouvido falar em Ressurrection Man antes. Mas, aparentemente, ele foi criado em 1997, dentro do universo DC, e seu poder é, como diz o nome, ressuscitar. Além disso, ao ressuscitar, ele vem com algum poder que se relaciona com a forma que ele morreu. Até é um conceito interessante, só não sei se isso justifica uma série própria.

De toda forma, esse número 1 não deixa de ser interessante, pois coloca o herói em um confronto, aparentemente, entre o Céu e o Inferno. Nada terrivelmente original mas suficientemente bem escrito (por Dan Abnett e Andy Lanning) e bem desenhado (por Fernando Dagnino) para valer a leitura.

Tem potencial (até quando, não sei) (continua sendo publicada) .

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26. Suicide Squad # 1  (Adam Glass, Federico Dallocchio e Ransom Getty)

Eu gosto muito do conceito de “vilões recrutados como heróis”. Adorei Deathstroke (comentado acima) e posso dizer o mesmo – mas como menos intensidade – da nova versão de Suicide Squad (Esquadrão Suicida). Esse número 1 nos apresenta ao esquadrão já derrotado e sendo torturado, em um ótimo quadro de abertura. Segue, daí, em flashback, uma montagem da  origem do grupo, vista pelos olhos de cada um de seus componentes. Sobre os integrantes, os únicos realmente dignos de nota são Arlequina e Deadshot. Os demais, tenho impressão, são apenas “bucha de canhão” e certamente vão sendo eliminados na medida da progressão da série. Mas, se fizerem realmente isso, aí mesmo é que Suicide Squad ficará interessante de verdade.

Já ia esquecendo de dizer: nessa revista tem a tal polêmica transformação de Amanda Waller, uma personagem obesa no universo antigo DC em uma espécie de modelo. Nada chocante. Estou apenas registrando.

Tem potencial (continua sendo publicada).

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27. Superboy # 1 (Scott Lobdell, R.B. Silva e Rob Lean)

No meu livro (que é velho e cheio de traças, eu sei), Superboy ainda é o Superman quando jovem. Mas sei que isso não é mais assim há muito tempo mas nunca também li nada da versão repaginada dele.

Dessa maneira, Superboy # 1 foi uma total novidade para mim e uma que me surpreendeu. Assim como Action Comics # 1 nos introduziu a mudanças radicais na origem de Superman, aqui somos apresentados a Superboy, um super-clone de alienígena com humano, com poderes ainda não totalmente mapeados mas que me parecem até superiores aos de Superman. É uma estória de origem interessante e bem violenta (escrita por Scott Lobdell), com desdobramentos futuros que podem ser realmente originais.

Essa vale o investimento (continua sendo publicada).

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.