Crítica | Os Novos 52 – Parte 3

Em 31 de agosto de 2011, a DC Comics iniciou o tão alardeado recomeço de seu universo. A proposta, polêmica e arriscada, acabou dando frutos e a Panini, a partir de junho de 2012, passará a publicar as estórias por aqui. Assim, nada mais apropriado do que fazer breves comentários sobre cada um dos 52 títulos novos. Assim, divirtam-se com a terceira – e penúltima – parte da série de posts sobre Os Novos 52:

28. Batman  #1 (Scott Snyder e Greg Capullo)

Esse é o segundo título que Scott Snyder (do excelente American Vampire) escreve no novo universo DC (o outro foi Swamp Thing) e, também, seu segundo acerto. Snyder nos apresenta a um Batman altamente tecnológico mas sem exageros, tudo dentro do que podemos aceitar facilmente de um bilionário que se veste de morcego para limpar a cidade de bandidos. A trama se desenrola de maneira instigante e o final deixa um gancho ótimo, que pode gerar um bom arco se Snyder mantiver a inspiração.

A arte de Greg Capullo acompanha muito bem o roteiro de Snyder e não desaponta.

O único “senão” dessa série foi minha tentativa de encaixá-la dentro do conceito criado pela DC para seu novo universo, na linha que os heróis existem há relativamente pouco tempo, coisa de não muito mais do que 5 anos. Dentro dessa premissa, fica difícil entender como Batman já teve 3 Robins differentes… Mas, tudo bem, pois a estória sobrevive sem termos que pensar muito nisso.

Essa vale o investimento (continua sendo publicada).

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29. Birds of Prey #1 (Duane Swierczynski e Jesus Saiz)

Sem Barbara Gordon no elenco, que agora é novamente Batgirl, a DC resolveu juntar Canário Negro, Starling e Katana no novo grupo Birds of Prey, formado por super-heroínas procuradas pela Justiça que trabalham em Gotham City. A estória é muito morna, sem qualquer qualidade especial que chamasse atenção para ela. Não é que seja necessariamente ruim mas é apenas muito comum e pouco empolgante, com Canário Negro e Starling tentando salvar a vida de um jornalista que está sendo manipulado a investigá-las.

Acho que Duane Swierczynski, ao escrever a estória, partiu da premissa que as heroínas criariam simpatia imediata nos leitores apenas por serem quem elas são mas não é isso que acontece. O resultado é que o leitor tem muito pouco para dar importância para os personagens. E o desenho de Jesus Saiz também não ajuda muito pois, assim como o roteiro, é bastante lugar-comum.

Não vale a pena ler (continua sendo publicada).

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30. Blue Beetle #1 (Tony Bedard e Ig Guara)

Mais uma estória de origem e mais uma com artefato alienígena que é usado sem querer por algum terráqueo desavisado. E o pior é que Jaime Reyes (que vai se transformar no herói Besouro Azul, de quem nunca gostei, especialmente naquela fase piadista da Liga da Justiça Internacional) é amigo de uma menina cuja mãe é uma milionária do tráfico de drogas (ou algo do gênero). Não dava para ser mais clichê.

Mas devo dizer que Blue Beetle não é um lixo total. A arte de Ig Guara é boa, com belos painéis. No entanto, isso não é suficiente para eu recomendar a leitura.

Não vale a pena ler (continua sendo publicada).

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31. Captain Atom #1 (J.T. Krul e Freddie Williams II)

Esse herói é um exemplo bom da razão pela qual eu não gosto muito da DC. Sei que ele apareceu em outro universo – Charlton Comics – que está sendo incorporado ao universo novo DC mas, mesmo assim, ele é mais  um daqueles heróis espalhafatosos extremamente poderosos que povoam a DC de ponta a ponta, começando pelo Superman (e suas variações), passando por Nuclear e acabando em Lanterna Verde (nos vários Lanternas da Terra, como se um só não bastasse). Não dá para sentir nenhuma emoção quando heróis tão poderosos têm que enfrentar alguma ameaça pois todos sabemos que eles ganharão a briga e pronto.

Dito isso – e sei que posso ser alvo da raiva de DCnautas – confesso que gostei muito de Captain Atom # 1.  J.T. Krul fez um trabalho excelente ao apresentar o super-poderoso herói como alguém falho, com problemas em seus poderes. Não é uma trama terrivelmente original mas ela tem potencial para funcionar, especialmente se bem explorada em um primeiro arco. O melhor, porém, é que dá vontade de continuar lendo a estória para ver o que vai acontecer.

E a arte? Em uma palavra: belíssima. Freddie Williams II trabalha muito bem os detalhes de todos os quadros e painéis e retrata o herói brilhante de maneira muito convincente e, melhor ainda, eficiente.

Essa vale o investimento (continua sendo publicada).

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32. Catwoman #1 (Judd Winick e Guillem March)

Eu não me importo nem um pouco em ver mulheres gostosonas nas páginas dos quadrinhos. O que me incomoda, porém, é ver roteiros que esfregam na sua cara esse aspecto e que são compostos, página a página, de tramas que somente fazem uso dessa característica da personagem principal. Catwoman é um perfeito exemplo dessa exploração imbecilizante e “objetificante” das mulheres. A revista é uma espécie de “porno soft” da DC que, aparentemente, não tinha estória para contar aqui.

E o final “chocante” com Batman e Catwoman transando? Não só é algo completamente desnecessário (de novo, não sou purista mas isso não adianta a trama em nada!) como de mau gosto. Judd Winick, o roteirista, deve ter recebido instruções bem precisas sobre o que a DC esperava do personagem. É isso ou ele é culpado por um roteiro para lá de idiota. A arte de Guillem March é bem eficiente em retratar as curvas femininas e não tem nada errado nisso no meu livro. No entanto, quando essa qualidade não serve para nada na trama, a revista torna-se, apenas, material de masturbação (literal) de jovens pré-adolescentes.

Não vale a pena ler (se querem curvas e mulheres gostosas, procurem revistas especializadas) (continua sendo publicada).

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33. DC Universe Presents #1 (Paul Jenkins e Bernard Chang)

Essa revista deve focar em personagens menores, com arcos mais curtos. O primeiro arco é de Deadman, “herói” morto cujo poder é fazer com que seu espírito entre em outras pessoas, que ele passa a controlar. Temos aqui uma estória de origem contada em flashback por Boston Brand (o herói) em que ele encontra Rama (ou poderia facilmente ser uma habitante de Pandora, do filme Avatar) que passa para ele, logo após sua morte, a missão de salvar algumas pessoas. Paul Jenkins consegue construir muito bem a estrutura de flashbacks entremeados de momentos no presente, de forma a apresentar uma estória redonda mas que não tem lá muita ação. Assim, quem esperar pancadaria, vai ter que procurar outra revista. No entanto, Deadman nunca foi sobre isso e sim sobre questões mais filosóficas e esse aspecto Jenkins tira de letra.

A arte de Bernard Chang é fluida e belíssima (continua sendo publicada).

Tem potencial (pelo menos esse arco).

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34. Green Lantern Corps #1 (Peter J. Tomasi e Fernando Pasarin)

Há alguma entidade que está brutalmente matando lanternas no espaço. Guy Gardner e John Stewart, dois dos quatro lanternas do setor onde está a Terra acabam se juntando a outros lanternas para enfrentar a ameaça. Mas o que chama a atenção nessa revista escrita por Peter J. Tomasi é a forma como ele aborda a vida mundana dos dois heróis. Ele tentam encaixar-se na vida de humanos comuns, já que não têm identidades secretas como Hal Jordan e Kyle Rayner mas, por diversas razões, não conseguem. Essa forma de tratar os heróis é muito interessante e prende a leitura mais do que quando os dois voam para Oa para a missão descrita acima.

Talvez as interações entre os dois e dos dois com o resto da tropa construam um bom arco de estórias. Os elementos estão presentes nesse primeiro número. Resta apenas saber se Jenkins não vai escolher o caminho fácil de “lanternas x monstros espaciais”.

Tem potencial (mas escrevo isso com ressalvas pois depende do caminho que a revista seguirá no segundo número) (continua sendo publicada).

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35. Legion of Super-Heroes #1 (Paul Levitz e Francis Portela)

Sempre desgostei dessa “Liga da Justiça do Século XXXI”. Não me lembrava exatamente o porquê mas essa revista deixou isso bem claro: são personagens difíceis de serem “gostados” pois são pouco explorados e construídos ao longo da trama. Além disso, é a coleção de heróis com os poderes mais ridículos que já vi. E olha que Paul Levitz, o roteirista, faz questão absoluta de indicar cada um dos heróis e suas habilidades. Confesso que ri muito ao ler que Dragonwing tem o poder de “bafo de fogo e veneno ácido”, que Ultra Boy só pode usar um poder de cada vez dentre “ultra visão”, super força, super velocidade e invulnerabilidade, que Mon-El é basicamente o Superman, que Comet Queen tem vôo espacial (o que raios é isso?) e lançamento de gás de cometa e que Dreamgirl prevê o futuro (isso lá é poder?). Haja paciência.

É tanto personagem que a estória fica em segundo plano. O que fica claro é que alguma tragédia acometeu os legionários (também referenciada em Legion Lost) e que alguns deles estão em uma missão em uma fortificação militar. Agora, a conexão entre uma coisa e outra não fica nem nas entrelinhas.

Não vale a pena ler (continua sendo publicada).

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36. Nightwing #1 (Kyle Higgins e Eddy Barrows)

Mais um exemplo de como essa compressão temporal do novo universo DC não faz lá muito sentido. Somos apresentados a Asa Noturna (Dick Grayson), que faz questão de nos lembrar que ele foi o primeiro Robin, depois Asa Noturna, depois Batman e, agora, Asa Noturna de novo (com uniforme com combinação diferente de cores). Como fica isso dentro do conceito de 5 anos de existência de heróis nesse novo universo?

Mas tudo bem, tenho certeza que Kyle Higgins recebeu um manual da DC obrigando-o a inserir essas informações logo no primeiro número, para que os leitores antigos ficassem descansados que o passado do herói não será esquecido e para que os leitores novos saibam quem é Asa Noturna. E Higgins faz tudo isso sem perder o rebolado, apresentando uma estória boa de acompanhar e com uma revelação intrigante ao final, que aparentemente tem ligação com Batman # 1. Pode vir coisa boa por aí.

A arte de Eddy Barrows é muito boa, especialmente quando usa, de maneira bela e original, várias composições de quadros.

Essa vale o investimento (continua sendo publicada).

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37. Red Hood and the Outlaws #1 (Scott Lobdell e Kenneth Rocafort)

Essa revista ganha o prêmio de “grupo mais aleatório” do novo universo DC. Scott Lobdell junta Red Hood (Jason Todd, que deveria ter continuado morto), Arqueiro Vermelho (ou Ricardito ou Arsenal, já não sei mais) e Estelar num bolo só, em uma estória para lá de incongruente que começa com Arqueiro Vermelho sendo resgatado por Red Hood depois que o segundo manda o primeiro para uma missão de derrubar um ditador brutal no oriente médio (sim, é essa mixórdia mesmo).

Mas o pior vem mesmo depois disso. Estelar, uma das ex-componentes dos Novos Titãs, é tratada como a “vagabunda” da DC, pior até que a Mulher-Gato. Ridículo e, novamente, completamente desnecessário pois em nada ajuda a estória. Só falta agora, no número 2, uma cena de ménage à trois entre os personagens.

A arte de Kenneth Rocafort é deslumbrante mas o roteiro é tão ruim que não dá para recomendar.

Não vale a pena ler (continua sendo publicada).

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38. Supergirl #1 (Michael Green, Mike Johnson e Mahmud Asrar)

Supergirl, que na minha época era a prima de Superman, cai na Terra já vestida com seu uniforme mas sem lembrar como foi parar aqui. Imediatamente é atacada por soldados usando exoesqueletos e, quando ela percebe que tem poderes por causa do sol amarelo, começa a amassar os enlatados. A premissa é só essa mas Michael Green e Mike Johnson até que conseguem fazer um roteiro bem amarrado, uma espécie de re-imaginação da linha batida de “um estranho em terra estranha”. Os desenhos de Mahmud Asrar são bons, ainda que o novo uniforme de Supergirl seja no mínimo bizarro, com aquelas coisas nas pernas que saem da bota e o vermelho na virilha.

Tem potencial (continua sendo publicada).

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39. Wonder Woman #1 (Brian Azzarello e Cliff Chiang)

Considero a Mulher Maravilha um personagem difícil de escrever, mesmo dentro do universo DC, menos galgado na “realidade”. Mas Brian Azzarello faz um ótimo trabalho ao reintroduzir a Amazona no meio de uma trama envolvendo deuses gregos. Ou seja, nada de vilões aleatórios mas sim um (ou alguns) que faz sentido dentro da mitologia (literal) da Mulher Maravilha. Confesso, porém, que tive que ler duas vezes algumas passagens para entender exatamente o que Azzarello estava fazendo pois o desenho de Cliff Chiang, apesar de belíssimo, confundiu-me um pouco, não fazendo conexão direta com a narrativa sobreposta.

Mas, tendo lido duas vezes e considerado o potencial, creio que Mulher Maravilha seja um dos melhores títulos desse relançamento, pelo menos é o que promete o primeiro número.

Essa vale o investimento (continua sendo publicada).

Aguardem pois, em breve, os comentários sobre as últimas 13 revistas sairão por aqui!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.