Crítica | Os Novos Titãs – Volume 1 (1980 – 1981)

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Eles começaram sem nome ou intenção de formar um grupo, lá em 1964, nas páginas Brave And The Bold, numa história imensamente chata chamada Os Mil e um Perigos do Senhor Ciclone. Reunindo forças para vencer um vilão em comum, os notáveis garotos sidekicks da época (Kid Flash, Robin e Aqualad) plantaram a semente para o que, em pouco tempo, viria a ser os Jovens Titãs, grupo formado justamente com a chegada da Moça-Maravilha (Donna Troy) aos quadrinhos, na história O Homem Fragmentado. Com o cancelamento da revista Teen Titans Vol.1, em 1978 (logo depois de uma tentativa de emplacar algo mais sério para eles, com a versão da Costa Oeste), demorou dois anos até que a DC Comics trouxesse a equipe de volta, desta feita com um novo time criativo à frente da revista, um novo nome e nova formação, contando com três personagens estreantes dos quadrinhos, aparecendo pela primeira vez no conto de introdução dos agora chamados Novos Titãs (New Teen Titans).

Com Marv Wolfman e George Pérez no comando do roteiro e arte e sob editoria de Len Wein, os Novos Titãs apareceram pela primeira vez em uma aventura de 13 páginas da DC Comics Presents, edição 26, com uma aposta imensamente alta do texto (assim como seria em todo este primeiro arco da New Teen Titans Vol.1), que se utiliza de uma intricada e genial narrativa de sonho para introduzir três novos personagens e reunir os Novos Titãs pela primeira vez, elencando os mais icônicos heróis da formação original ao lado de recém-chegados, diante dos quais não tinham muita confiança mas precisavam abraçar a parceria para se verem livres de uma grande ameaça imediata. Intitulado Onde Começam os Pesadelos…, esse primeiro conto coloca Richard Grayson em contato com Ravena, personagem nova para todos ali, percorrendo ambientes diferentes e tentando convencer a cada um dos sete heróis que integrariam essa primeira versão da equipe.

Quando passamos para as revistas que formam esse arco inicial (ou seja, as edições #1 a 8 da revista New Teen Titans Vol.1, onde as seis primeiras abordam a formação do time e a luta contra Trigon; e as edições sete e oito mostram lutas contra o Quinteto Mortal [Fearsome Five], a história de Silas Stone e “um dia na vida” do grupo), o roteiro se torna ainda mais exigente e mais interessante. Uma das coisas que o leitor não deve ter aqui é impaciência ou a vontade de querer respostas rápido e para tudo. O modelo de Pérez e Wolfman para o enredo aqui é o de pistas a longo prazo, ou seja, existe algo maior acontecendo — algo a que somos apresentados desde o início, cheio de mistérios e ramificações que não entendemos –, mas as motivações e o encaixe entre esse evento central, os personagens, suas origens e o próprio cânone do grupo aparecem de pouquinho em pouquinho. O resultado, porém, aponta para os mais diversos caminhos, de uma luta contra uma entidade demoníaco-cósmica que envolve sexo num culto satânico, invasão alienígena, cameo da Liga da Justiça, conflitos familiares e chega às indecisões e explosões emocionais típicas de pessoas bem jovens.

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A incrível arte de George Pérez (Curt Swan assume apenas a edição #6) nos põe em contato com esses heróis e os torna ainda melhores, mais confiantes, visualmente irresistíveis. Os já citados Robin e Ravena e os outros membros do grupo, Estelar, Mutano, Kid Flash (cuja postura na edição #8 me incomodou bastante, agindo como uma criança mimada, mesmo depois de tudo o que passou. É perfeitamente natural um comportamento arredio diante de grandes decisões ou eventos — isso para pessoas de qualquer idade — mas a postura que Wally tem ali, só nos faz mesmo revirar os olhos), Cyborg e Moça-Maravilha recebem não só a atenção do roteiro, em blocos de histórias que mostram habilidades, pensamentos, humor, pontos de raiva e fraqueza de cada um, mas também o amparo visual que destaca a cada um deles no cenário, diante de inimigos às vezes mais fortes, mas que não são páreos para a união de forças dos Jovens Titãs, embora isso seja algo que eles também precisam aprender no decorrer da saga. Também entra em destaque a belíssima composição de quadros para as cenas espaciais e a inventiva diagramação, permitindo um ritmo de texto e imagem típicos dos autores responsáveis aqui, um modelo que, para mim, sempre foi interessante.

Essas oito primeiras edições dos Jovens Titãs formam uma jornada nada comum para um quadrinho mainstream, elencando um grupo de jovens heróis. Jamais subestimando a inteligência do público e trabalhando de maneira muito sagaz as questões de classe, de raça, o pacifismo vs. belicismo e questões como amadurecimento, importância de ouvir o outro e relações fraternas, este Volume Um dos Jovens Titãs é um excelente início de uma Era que faz jus aos louros que recebeu e à fama que manteve ao longo dos anos. Uma das melhores maneiras de escrever o nome de uma equipe no coração dos leitores.

New Teen Titans Volume One — EUA, outubro de 1980 a junho de 1981
Contendo: 
DC Comics Presents Vol.1 #26  +  New Teen Titans Vol.1 #1 a 8
No Brasil: Grandes Clássicos DC #1 e 5 (Panini, 2005); Biblioteca DC – Os Novos Titãs #1 (Panini, 2008); Novos Titãs: Lendas do Universo DC – George Pérez Vol. 1 (Panini, 2018)
Roteiro: 
Marv Wolfman, George Pérez
Arte: George Pérez, Curt Swan (só na edição #6)
Arte-final: Dick Giordano, Romeo Tanghal, Frank Chiaramonte, Pablo Marcos
Cores: Adrienne Roy, John Drake
Letras: Ben Oda, John Costanza
Capas: Jim Starlin, Tatjana Wood (DC Presents) / George Pérez, Dick Giordano (New Teen Titans)
Editoria: Len Wein
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.