Crítica | Os Penetras (2012)

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estrelas 2,5

Diante da bobagem esperada de um filme chamado Os Penetras, que não nega em nenhum momento ser uma comédia conceitualmente boba sobre um típico malandro carioca que (também) procura um jeito de entrar em (algumas) festas — a semelhança com Penetras Bons de Bico é quase uma sugestão –, o que temos nesse esperado filme bobo de Andrucha Waddington é uma bobagem divertida.

A trama começa nos apresentando a um típico cafajeste e trambiqueiro (imediatamente odiável) chamado “Marco Polo” (Marcelo Adnet). No bloco seguinte, conhecemos o desiludido e ingênuo Beto (Eduardo Sterblitch), com a ideia fixa de conquistar (novamente?) a sua namorada Laura. Postos esses dois personagens em cena, o roteiro de Os Penetras tenta fazer aparecer, com grande dificuldade, o clima de loucuras em situações cotidianas típicas dos bromances hollywoodianos.

Marco e Beto começam em lados diferentes da moeda, mas à medida que a amizade deles cresce, apesar das negativas do malandro Marco, novos sentimentos e caminhos cômicos aparecem e tornam o relacionamento dos dois um tanto interessante, fazendo com que Eduardo Sterblitch tenha uma participação mais relevante, dadas as características cômicas de Beto que, de fato, cresce no decorrer da história, embora termine com uma pequena lição de moral insossa.

A redenção de Marco é um dos clichês ruins do filme, mas o caminho percorrido até o final redentor é, a seu modo, aceitável. Claro que para ‘padrões Andrucha Waddington’, que é um bom diretor, e dos exigentes, uma comédia lotada de chavões e canastrice como Os Penetras é um mega ponto de interrogação, mas o diretor consegue fazer com que o resultado final não seja um desastre colossal. Ao contrário. O filme termina “apenas medíocre”. Cumprindo a proposta básica de divertir com amenidades, é possível aproveitar uma parte da jornada, rir de algumas piadas e esperar por uma resolução meio sacana, como foi praticamente todo o miolo da fita.

Waddington não consegue arrancar atuações aplaudíveis de seu elenco principal, mas Mariana Ximenes conquista fácil pelo charme aplicado à sua personagem (a pouca exigência dramática aqui foi a salvação) e, como já citado, Eduardo Sterblitch protagoniza o melhor braço do “trio” central, pelo menos antes das sequências finais.

À parte algumas cenas da primeira festa, que parecem ter sido filmadas por um diretor indie sem experiência (aquele baile com valsa e os ângulos mais exóticos possíveis chegam a arrancar algumas risadas do espectador), o filme é bem guiado, mas não podemos negar que o verdadeiro grande trabalho do longa é o de Ricardo Della Rosa, na direção de fotografia.

A deixa para a continuação é genérica, apesar de desesperadamente engraçada. O rumo desse grupo, cheio de fraquezas e muita malandragem, pode sim gerar algo bom. É difícil, mas com Andrucha Waddington no projeto, é de se pensar. Vejam que ele quase conseguiu um bom resultado nessa primeira leva de “penetragem“…

Os Penetras (Brasil, 2012)
Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: Andrucha Waddington, Marcelo Vindicato, Eduardo Sterblitch, Fernanda Torres, Marcelo Adnet, Rene Belmonte, Rafael Dragaud, Nina Crintzs
Elenco: Marcelo Adnet, Eduardo Sterblitch, Mariana Ximenes, Stepan Nercessian, Elena Sopova, Susana Vieira, Luis Gustavo, Luís Carlos Miele, Andrea Beltrão
Duração: 95 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.