Crítica | Os Supremos – O Filme

estrelas 1

A começar pelo título escabroso que a distribuidora deu ao filme, as coisas parecem não funcionar nessa aventura da Marvel. Não sei se é implicância minha, mas não consigo ter simpatia pelas animações da empresa, embora goste muito de todas as suas personagens e histórias. Se formos comparar as produções audiovisuais da Marvel com as da DC Animated Universe, uma depressão nerd e cinéfila tomará conta de nós, prova disso é esse longa de pouco mais de uma hora dirigido por Curt Geda, Steven E. Gordon e Bob Richardson.

Desde que a Marvel iniciou o seu Universo Ultimate, em 2000, as produções tendem a querer modificar para pior as histórias originais e expor um tipo de publicação juvenil (leia-se “simplificada e com linha narrativa no estilo Michael Bay”) pouco inteligente e insatisfatória para quem tem um QI acima de sua própria idade. Em Os Supremos – O Filme, colhemos o fruto bichado desse novo Universo, numa história que tinha tudo para ser incrível, mas que não passou de uma insossa e ridícula introdução à saga de Os Vingadores.

Com cinco roteiristas responsáveis pelo plot, era de se esperar que o filme tivesse crateras narrativas e que nada fosse plenamente desenvolvido, mas ao que tudo indica, bateram o recorde de patetice no que se refere a origem do grupo Os Vingadores. A equipe de produção simplesmente se esqueceu que não estava fazendo um coletânea de episódios para canal aberto e sim uma animação em longa-metragem sobre como um dos grupos mais cultuados da Marvel se formou. Mas o que vemos na tela indica o contrário. Parece que o Universo Ultimate tirou toda a graça, inteligência e poder que as histórias originais continham. O filme é bobinho até não poder mais e só a luta final contra o descontrolado Hulk vale a pena.

Com traços indignos da Marvel e terrível finalização, Os Supremos só vale como curiosidade para os espectadores que estão realmente curiosos em ver alguma produção antes do lançamento oficial do filme. Como produção artística ou adaptação das HQs, a animação não serve nem como sparring para episódios televisivos.

Em tempo: sabe-se que não é certo cobrar de uma produção algo que ela não tem intenção de dar. Se Os Supremos fosse um curta metragem, sua classificação seria outra, porque a forma e a intenção final seriam diferentes. Mas ao se tratar de uma animação em longa-metragem, deve-se cobrar dela tudo quanto essa categoria deve apresentar para ser boa, daí a nossa posição negativa em relação ao filme.

Os Supremos (EUA, 2006)
Direção: Curt Geda, Steven E. Gordon e Bob Richardson
Roteiro: Brian Hitch, Greg Johnson, Boyd Kirkland, Craig Kyle, Mark Millar
Duração: 72min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.