Crítica | Os Vingadores #2 a 7 – Marvel NOW!

A única constante em Vingadores, dentro do projeto Marvel NOW!, é a inconstância. Foi o que aprendi lendo os números 2 a 7 da publicação achando que iria encontrar a qualidade que testemunhei no primeiro número. A prova mais exterior disso está na lista de profissionais responsáveis pela arte do gigantesco e ambicioso arco de Jonathan Hickman: temos Jerome Opeña fazendo um lindo trabalho nos três primeiros números, Adam Kubert nos três seguintes e Justin Ponsor no mais recente. E isso sem contar com os vários coloristas.

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Essa oscilação na arte no mínimo chateia. Opeña faz o primeiro mini-arco, quase todo ele passado em Marte, apresentando um trabalho absolutamente impecável. Sua recriação dos grandes heróis Marvel, como Hulk, Thor, Capitão América e Homem de Ferro é de fazer o queixo cair. Cada rosto é detalhado, mas sem ser fotorrealista. As expressões transmitem sentimentos sem que palavras sejam necessárias. A batalha que testemunhamos no terceiro número, com a “equipe B” de Vingadores sendo teletransportados até o Planeta Vermelho” para libertar a “equipe A” e enfrentar Ex Nihilo e sua gangue é muito bem bolada, com uma sábia divisão de quadros que consegue equilibrar a importância do grande número de heróis presentes.

Não que o trabalho de Adam Kubert nos três números seguintes não seja bom. Ele é. Kubert é menos detalhista, mas sabe fazer enquadramentos dinâmicos e eficientes nas cenas de ação. O problema é que é quase um choque ler três números no estilo de Opeña e, de repente, mudar para Kubert. Senti-me até desorientado por alguns momentos.

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O trabalho de Justin Ponsor é, porém, burocrático. Os rostos dos heróis são mais parecidos uns com os outros e ele não se esmera tanto quando os dois outros artistas nos detalhes de fundo, criando uma experiência mais empobrecida.

Mas a arte oscilante não é nem de longe o maior problema de Vingadores. Jonathan Hickman, a única constância efetiva da série, escreve um roteiro alucinado, que literalmente atira para todos os lados e não chega a lugar nenhum.

Para começar, seu arco inicial de três números acaba como começou: de repente. Ex Nihilo e seus comparsas, um grupo muito interessante que acaba sendo mal explorado, chega em Marte, terraforma o planeta e começa a expandir seus horizontes para a Terra.

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Em seguida, no segundo número, com o Capitão América tendo reunido a “equipe B”, todos vão para Marte descer a lenha no ser amarelo chifrudo. A briga é padrão. Começa bem e termina mal. Mas aí, no terceiro número, Hickman parece ter cansado de sua linha narrativa e simplesmente decide acabar com a história, envolvendo a Capitã Universo e o recém-nascido Adão, criado por Ex Nihilo. E, sem cerimonia, Hickman faz justamente isso: acaba com a história.

No quarto número, vemos um destacamento de heróis limpando a Terra das consequências indesejadas das ações de Ex Nihilo: monstro insectoides na Terra Selvagem. Até aí, tudo bem, mas Hickman meio que se esquece dessa já fraca narrativa para abordar a origem de Hyperion e como ele veio parar no universo 616. E o pior é que não há consequência alguma na história que ele conta.

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Achei que Hyperion tivesse sido um solução de Hickman, alguma espécie de necessidade interior do autor em nos contar o porquê de ele estar agora na Terra e não mais em seu universo original. Mas aí eu abri o número 5 e, para minha total surpresa, eis que TODA a revista é dedicada a nos contar a origem de Smasher, terráquea que inadvertidamente ganha poderes dos Super Guardiões do Império Shi’ar. Como adoro histórias no universo galáctico da Marvel, gostei do que li, mas, como crítico, devo dizer que, novamente, esse desvio na narrativa principal não serve absolutamente em nada para impulsionar o arco criado por Hickman. De útil mesmo, vemos apenas Tony Stark, na Terra, tentando decifrar a língua de Adão, o ser perfeito criado por Ex Nihilo e que os Vingadores trouxeram para nosso planeta.

O sexto número de Vingadores trabalha mais uma origem, dessa vez, porém, ela parece estar mais conectada com o arco maior que Hickman parece estar montando. A bola da vez é a nova incarnação do Capitão Universo (sempre achei esse nome para lá de ridículo). A diferença, agora, é que a entidade Universo tomou o corpo de uma mulher que não se lembra quem é. Faz-se necessário um trabalho de regressão com Shang Chi para descobrirmos sobre seu passado padrão de desgraças. O mais importante é notar que a entidade Universo não mais empresta seus poderes para a hospedeira, mas sim completamente se manifesta como o Universo em si e ela consegue se comunicar com Adão, que, na verdade, se chama Nightmask e que prenuncia a chegada de um Evento Branco.

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No número sete, que é assaz interessante, vemo as várias realidades, os vários universos que compõem o universo Marvel sendo destruídos. A primeira lembrança que tive foi de Crise nas Infinitas Terras, clássico evento oitentista da DC que colocou ordem na casa da editora, eliminando dezenas e dezenas de mundos. Hickman faz a mesma coisa, mas deixando claro que a Terra 616 é a chave para tudo, daí a razão do Universo ter finalmente se manifestado fisicamente. Nightmask revela-se como um protetor do planeta e, em uma sucessão muito bem feita de páginas, ele parte para localizar um terráqueo que poderá ajudar na defesa da Terra, um humano comum que foi programado desde tempos imemoriais para servir de arma anti-Armagedom. Seu nome? Starbrand.

Os leitores mais fieis da Marvel vão se lembrar que, na década de 80, em comemoração aos 25 anos da editora, Jim Shooter e vários outros autores criaram o New Universe, que era para ser um universo completamente separado da Marvel, com suas próprias regras e heróis. Por várias razões, o projeto acabou dando errado e foi encerrado em 1989, sobrevivendo somente por três anos. Jonathan Hickman foi lá no baú da Marvel, revirou tudo e chupou conceitos e heróis do fracassado projeto. Até agora essas ideias e conceitos são o Evento Branco, Nightmask e Starbrand.

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Além disso, Hickman deu bastante destaque a Hyperion, originalmente do universo 712 (ou Universo Supremo) e trouxe nova incarnação de Universo, como uma forma de unificação de tudo. Isso sem contar com a destruição de milhões de mundos paralelos à Terra 616. Parece-me que Hickman tem um gigantesco projeto pela frente, um que poderia facilmente se espalhar por várias outras publicações e até mesmo ganhar publicações-evento tipo Era de Ultron. É no mínimo diferente – e até corajoso – entrar por esses caminhos amplos em uma publicação só, que corre paralela a diversas outras, sem que partes da narrativa “sangrem” para as demais.

De toda forma, até agora, o trabalho  de Hickman, por mais valoroso que seja, é cheio de altos e baixos e não mostrou a que veio. Tenta ser algo de conceito elevado, mas sem trabalhar os elementos de maneira coerente e, principalmente, consistente. Sem dúvida ele conseguiu me deixar curioso para saber até onde vai sua imaginação e sua capacidade de destruir e unificar mundos paralelos, mas temo que tudo acabe sem maiores explicações ou consequências para o status quo dos heróis.  De toda forma, se o objetivo era me fisgar, Hickman conseguiu, pois quero saber o que raios vai acontecer…

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.