Crítica | Os Vingadores #257 [Primeira Aparição: Nebula]

estrelas 2,5

Sem muita cerimônia ou enrolação, Os Vingadores #257 é um número ao mesmo tempo importante na cronologia de eventos Marvel e mal acabado. Roger Stern, o roteirista, trata de um assunto extremamente importante – a dizimação de toda uma terra – como se estivesse contando uma história sem consequências e até leve.

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Bicho ameaçador, mas mole mole de derrubar…

Um gigantesco alien de armadura e ultra-poderoso chamado Terminus chega na Terra Selvagem sem muita explicação e começa a destruir tudo e a recolher artefatos tecnológicos escondidos. É claro que seu primeiro embate é com Ka-Zar (Kevin Plunder) que abre a história desmaiado e sendo reanimado por seu “tigrinho” Zabu. Ao mesmo tempo, os Vingadores chegam – Capitão América, Hércules, Cavaleiro Negro, Vespa e Starfox – para tentar impedir que o vilão continue seu rastro de destruição. Stern não se preocupa em dar explicações e, mesmo lendo o número anterior, nada fica muito claro. Os Vingadores já estavam perseguindo a enorme criatura cuja lenda Starfox já tinha ouvido falar. As pistas os levam até a Antártica e, claro, à Terra Selvagem.

O que acontece a partir da chegada de Terminus no reino da Ka-Zar é meramente a destruição em massa de milhares de vidas e a literal destruição da Terra Selvagem. E as mortes e obliterações de cidades são tratadas apenas superficialmente, sem qualquer foco que não seja no aparentemente inesgotável poder da criatura. E o pior é que os Vingadores, finalmente chegando perto do alienígena, quase não têm trabalho para derrotá-lo. O Cavaleiro Negro, que quase não tem poderes, consegue até cortar fora o braço da criatura e Hércules, depois de ser ejetado por Starfox na direção da ameaça, consegue destruí-la completamente com suas mãos e em apenas uma página. Não há nenhum senso de urgência ou perigo para os heróis e fica apenas a sensação de que o roteirista tinha alguma vontade sádica de destruir a Terra Selvagem sem necessariamente criar uma justificativa plausível.

E reparem que não me importo quando esse tipo de destruição em massa acontece em quadrinhos, mas sim quando o assunto é tratado de maneira displicente, desleixada mesmo. O que poderia ser um evento importante e com consequências graves para os Vingadores, Ka-Zar e Shanna, transforma-se em algo muito mais sensacionalista do que qualquer outra coisa. Faltou cuidado a Roger Stern na construção do evento, de maneira que o leitor ficasse engajado na narrativa.

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Nebula mostrando suas garras.

No meio da história, há um corte e vemos a Capitã Marvel (versão Monica Rambeau) na estação espacial Santuário II, uma vez lar de Thanos. No número anterior, ela havia perdido seus poderes e capturada pelos capangas de Levan, um pirata espacial. Acontece que Levan não sabe que, nesse meio tempo, os poderes da Capitã retornaram, algo que é rapidamente descoberto por Nebula, que entra triunfalmente na estação espacial. Logo descobrimos que ela é a manda-chuva da operação que tem como objetivo tentar dominar o que resta dos Skrulls. A Capitã Marvel, sem alternativas, decide se juntar ao grupo de mercenários.

Apesar do roteiro falho de Stern, os desenhos de John Buscema, que havia voltado a desenhar os Vingadores apenas dois números antes depois de um hiato de 13 anos, são extremamente detalhados tanto quando ele trabalha panorâmicas na Terra Selvagem e o ataque de Terminus quanto em espaços confinados como quando lida com a situação em Terminus II. Os heróis e vilões são retratados com traços mais esguios e imponentes demonstrando que ele não havia perdido a prática ao desenhar os heróis que o consagraram.

Um pouco mais sobre Nebula

Nebula é uma pirata e mercenária espacial de pele azul, que alega ser neta de Thanos. Dentre seus tenebrosos feitas, ela destruiu Xandar, o lar da Tropa Nova uma vez e tentou conquistar o que restava do Império Skrull. Depois de ser derrotada pelo Senhor do Fogo e os Vingadores, a vilã causou diversos problemas para os heróis Marvel na Terra, sem nunca ser particularmente relevante.

Sua grande participação se dá na saga Desafio Infinito, quando ela é transformada, por Thanos, em um ser desfigurado que não está vivo nem morto. Na saga, sua participação, apesar de completamente passiva na maior parte do tempo, é de extrema importância e ela chega a vestir a Manopla do Infinito o que, ao final, a deixa com gravíssimos e irreparáveis danos cerebrais.

Alguns anos mais tarde, porém, Nebula ganha implantes cibernéticos do Doutor Mandibus que a curam do dano cerebral e a fazem adotar um visual completamente diferente, com cabeça raspada, braço biônico e metade do rosto coberta por metal, além de um olho biônico. Depois disso, sua participação mais relevante foi na saga Aniquilação, como uma das seguidoras de Gamora.

Os Vingadores #257 (The Avengers #257, EUA – julho de 1985)
Roteiro: Roger Stern
Arte: John Buscema
Editora: Marvel Comics
Páginas: 22

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.