Crítica | Os Vingadores #28 [Primeira Aparição: O Colecionador]

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estrelas 2,5

Voltamos no tempo. Para uma era em que nem mesmo os Vingadores sabiam que Henry Pym era o Homem-Gigante, em que o Gavião Arqueiro brigava com o Capitão América, chamando-o secretamente de Matusalém e cobiçando seu cargo de líder e quando a Feticeira Escarlate se revelou como uma ótima costureira do grupo (machismo do Senhor Stan Lee?), fazendo a roupa de Golias, a terceira (mas não a última) persona super-heroística de Pym. Estamos no ano de 1966, três anos após a primeira edição dos Vingadores chegar às bancas, com roteiro de Stan “The Man” Lee e desenhos do saudoso Don Heck, o homem que ajudou a dar a forma definitiva a um enorme número de queridos personagens que ainda povoam o Universo Marvel.

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Shhh! Ninguém sabe que ele é o Hank Pym!

Com esse espírito é que faço a crítica da revista Os Vingadores #28, que introduziu não só o Golias (nada mais do que o Homem-Gigante com outro nome e uniforme) como, talvez mais importante, um dos arquivilões do grupo, o Colecionador. E a aventura começa logo depois da batalha do grupo contra Attuma, quando a Vespa desaparece. Henry Pym a procura desesperadamente e liga para os Vingadores, revelando sua identidade – para surpresa de todos – e voltando ao grupo depois de sua “aposentadoria”. Mas Pym precisa provar que é o Homem-Gigante e Stan Lee e Don Heck gastam nada menos do que três páginas de uma revista de apenas 21 para fazer com que Pym prove a seus incrédulos parceiros que ele é mesmo quem diz que ser. Outro tempos esses!

Tendo sequestrado a Vespa para sua coleção, o ganancioso Colecionador quer logo completar seu álbum e atrai as outras figurinhas, digo Vingadores para seu sinistro castelo perdido no meio do nada com lugar nenhum. Usando gás, ele rapidamente captura todos os heróis, mas Golias cresce e consegue se livrar das cordas (sim, cordas) que o prendem. O Colecionador, então, usando sua capa feita de parte do tapete de Aladim (não, não estou brincando, gente), maneja uma catapulta medieval para derrubar Pym.

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A primeira aparição do Colecionador!

Enquanto o Capitão América, Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate e Mercúrio combatem o Besouro, que é um dos vilões mais porcarias já concebido e que também faz parte da coleção do Colecionador, esse último combate Golias com todo tipo de apetrecho exótico, inclusive um gongo e uma “bola de cristal” daquelas aleatórias, que lançam raios místicos também aleatórios e, pasmem, os feijões da lenda de João e o Pé de Feijão, que se transformam, claro, em dois gigantes. Com uma quantidade enorme de diálogos descritivos, Stan Lee esquece que está escrevendo quadrinhos e faz questão de narrar cada movimento, cada interação, cada expressão, não dando alternativa a Heck senão entulhar os quadros de balões de voz, pensamento e de narração. Um exemplo: em determinado momento, Golias está sendo amarrado por um dos gigantes e a Feiticeira Escarlate usa sua mágica para cortar a corda. Ela explica isso em seu balão de pensamento e vemos, no quadro seguinte, a fita em volta de Pym partindo muito claramente. Mas Lee, não satisfeito, faz questão de inserir outro balão de pensamento, dessa vez na cabeça de Pym, com a seguinte frase “A coisa partiu. Deve ter sido a Wanda. Estou livre!”. É mesmo sabichão? Não tinha percebido.

Sei que estou sendo sarcástico, mas é brincadeira com o estilo da época em publicações desse naipe. Entendo perfeitamente a vigência, então, do Comics Code que tornava a vida dos roteiristas muito complicada, alinhando por baixo a qualidade e complexidade das revistas de super-heróis. Ler Os Vingadores #28 é  uma viagem no tempo que exige mentalidade serena e adaptável. O resultado final é uma aventura descompromissada que introduz um vilão razoavelmente interessante que, no futuro, ganharia contornos bem mais complexos e duradouros.

Um pouco mais sobre O Colecionador

Esse vilão, criado de forma despretensiosa por Stan Lee e Don Heck, revelou-se, depois, um Elder of the Universe, ser imortal que manipula a energia cósmica. Seu nome verdadeiro é Taneleer Tivan e, há bilhões de anos, ele simplesmente passou a existir, tendo mulher e filha. Quando sua esposa perde a vontade de viver, abandonando a imortalidade, Taneleer procura desesperadamente por um hobby para seguir vivendo com algum senso de propósito. E ele encontra esse senso em coleções, passando a colecionar de tudo um pouco, inclusive – e talvez especialmente – seres vivos.

O Colecionador previu a chegada de Thanos e chegou a ter uma das joias do infinito em sua vasta coleção, até que Thanos a roubou para a composição da Manopla do Infinito. Apesar de ter enfrentando os mais diversos heróis ao longo dos anos, o Colecionador não é exatamente um vilão, mas sim um anti-herói, alguém que enxerga um propósito maior em suas ações e que também ajuda quem precisa ajudar para promover seus próprios objetivos. Um dos casos mais marcantes envolvendo o Colecionador foi na Saga de Korvac, com os Guardiões da Galáxia e os Vingadores, plantando sua filha Carina como uma espécie de espiã super-poderosa no esconderijo de Michael Korvac.

Para mais ainda sobre o vilão, clique aqui: Entenda Melhor | A Cena Pós-Créditos de Thor 2.

Os Vingadores, Vol. 1, #28 (The Avengers, Vol. 1, #28 – maio de 1966)
Roteiro: Stan Lee
Arte: Don Heck
Editora: Marvel Comics
Páginas: 21

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.