Crítica | Ouija – O Jogo dos Espíritos

estrelas 1,5Recentemente saiu a notícia de que o clássico It – A Coisa do Stephen King ganharia uma refilmagem. Na hora meu coração gelou. Lembro exatamente onde estava quando assisti a esse filme pela primeira vez e por mais que já tenha passado bastante tempo – era criança na época – não tenho coragem de assistir de novo.

Creio ser essa a sensação que um filme de terror deve passar ao seu espectador. Aquele frio de gelar a espinha, toda a tensão que precede os sustos e claro, a lembrança de quão aterrorizado você ficou para nunca mais querer ver de novo. O que não é algo tão ruim assim, pois certamente a experiência será para a vida toda. É o caso de quem assistiu O Exorcista na época e nem quer sequer pensar em rever de novo aquela clássica imagem do close do rosto da menina girando em 360 graus. Isso é o verdadeiro filme de terror. O que fazem hoje em dia é repetição de histórias e mais do mesmo, sem conteúdo algum. Com a rara exceção de Invocação do Mal.

Logo, Ouija – O Jogo dos Espíritos cai não somente no clichê de filme adolescente, como também em dezenas de outros filmes do gênero onde um grupo de amigos acaba libertando um espírito maligno que os elimina um por um. Aqueles que sobrevivem precisam encontrar um jeito de derrotar o tal espírito maligno antes que não sobre ninguém para realizar a façanha. Bem simples. Bem comum.

E a forma como a trama começa é uma receita conhecida. Debbie que é amiga de longa data de Lanie liberta um espírito dentro de sua casa através do tabuleiro de Ouija, um jogo que as duas costumavam brincar bastante quando crianças. Porém, Debbie quebrou uma das principais regras: não jogar sozinha. Após a sua morte misteriosa, Lanie tenta compensar a perda de alguma forma e decide entrar em contato com a amiga através do tabuleiro. Óbvio que Lanie não fará isso sozinha e convoca seu namorado, sua irmã e mais dois amigos. Dentro da casa de Debbie os cinco se sentam à mesa para iniciar o jogo, mas então coisas estranhas começam a acontecer na casa. Assustados eles decidem sair de lá correndo e não encerram a sessão; quebra de regra número dois. O espírito começa a deixar mensagens e eles têm certeza de que é a amiga tentando se comunicar. Eles voltam a casa e recomeçam o jogo, mas logo descobrem que não é a Debbie que está ali falando com eles. Aos poucos coisas ruins começam a acontecer e eles precisam descobrir como quebrar a conexão antes que todos tenham o mesmo final que Debbie.

Algo a favor do filme é a sua duração de apenas 90 minutos. Os efeitos especiais, incluindo os espíritos, são bem assustadores, contudo, sozinhos eles não tem como segurar o roteiro e muito menos as atuações pouco convincentes dos jovens atores.

Ficou parecendo que o diretor Stiles White se preocupou muito mais com a parte técnica do filme, e esqueceu-se de embasar melhor seu roteiro para que todo o resto funcionasse corretamente. O que é uma pena, pois se a trama fosse tão boa quanto os efeitos, teria sido um ótimo filme.

Ouija – O Jogo dos Espíritos (Ouija, EUA – 2014)
Direção: Stiles White
Roteiro: Juliet Snowden, Stiles White
Elenco: Olivia Cooke, Ana Coto, Daren Kagasoff, Bianca A. Santos, Douglas Smith, Shelley Hennig, Sierra Heuermann, Sunny May Allison, Lin Shaye, Claudia Katz, Vivis Colombetti, Robyn Lively, Matthew Settle, Afra Sophia Tully, Claire Beale
Duração: 90 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.