Crítica | Outcast – 1X06: From the Shadow It Watches

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estrelas 4

Obs: Contém spoilers. Leia as críticas dos demais episódios, aqui e dos quadrinhos, aqui.

Obs 2: Nosso querido Ritter Fan mais uma vez foi derrotado pela tecnologia, portanto o substituto aqui nesta crítica.

Chegamos na segunda da metade da temporada e Outcast continua sem um deslize, nos trazendo mais um episódio de construção que avança suas subtramas consideravelmente. Desde The Road Before Us tivemos, evidentemente, um pequeno salto temporal de alguns dias, talvez semanas – a exatidão aqui é desnecessária, mas requer, é claro, que tenhamos os acontecimentos do capítulo anterior frescos em nossa mente, especificamente o coma que a menina exorcizada entrou e que profundamente abalou Kyle Barnes (Patrick Fugit), visto que sua mãe encontra-se na mesma situação. Digo isso, pois tal fato provocou uma cisão entre ele e o reverendo Anderson (Philip Glenister), que agora busca atuar solo, como já é deixado claro na cena de abertura.

Iniciamos From the Shadow It Watches com o pastor da igreja batista reassistindo seus velhos “casos”. Não sabemos se procura falhas em seus exorcismos, se os estuda a fim de realizar um novo ou se apenas está se torturando, em virtude da não eficácia deles em algumas pessoas. Logo, porém, descobrimos que há um indivíduo possuído trancado na igreja e seu diálogo com Patricia (Melinda McGraw) deixa evidente o que Anderson procura fazer, além de sua mágoa em relação a Barnes. Não posso deixar de exaltar o trabalho do roteiro em conjunto da atuação de Glenister, que nos trazem um reverendo completamente humano, sem toda a pompa dos padres aos quais estamos acostumados, com suas certezas dogmáticas. Temos aqui um homem constantemente perdido, profundamente abalado e com a única certeza de que deve combater esses demônios.

Em paralelo, Kyle agora trabalha em manutenção de estradas, deixou claro que quer deixar sua parceria com Anderson de lado e seu novo emprego evidencia uma recuperação do personagem em relação ao seu estado inicial no princípio da temporada. Ao mesmo tempo toda a ideia soa como uma espécie de serviço comunitário, uma penitência para ser perdoado (nem que seja por si próprio) pelo que fizera no episódio anterior. Aqui o showrunner Chris Black mostra que nada é por acaso, utiliza Patricia, cujo romance com o reverendo fora introduzido capítulos atrás, para reatar os laços do protagonista com o homem de Deus. Sua relutância inicial é apenas natural, o que não esperávamos é o repentino ataque em sua casa, cujas consequências já nos preparam para o desfecho do episódio em questão, que cria em nós uma forte sensação de urgência, além de atuar como um ótimo cliffhanger, pela expectativa da reação tanto do reverendo quanto de Barnes.

Mais que o encerramento em si, o que mais alterou o status quo da série foi o testemunho do indivíduo exorcizado no trecho final do capítulo. Ao contrário do que poderíamos esperar, ele teve uma experiência prazerosa enquanto estava possuído, o que abre uma série de questionamentos em nossas mentes, acerca do que Kyle e Anderson estão fazendo ou até mesmo da diversidade das criaturas que os assolam. Pelo que já assistimos anteriormente não há dúvidas que estamos diante de entidades malignas, mas o ocorrido aqui traz uma maior profundidade para toda a questão, além de gerar possíveis consequências para o que veremos no restante dessa temporada, possivelmente uma falta de fé de alguns seguidores da igreja.

O episódio, porém, conta com pequenos defeitos quando entramos em suas tramas paralelas. Tanto em relação ao estuprador de Megan, quanto o caso de investigação policial soam desconexos em virtude da curta duração de ambos. Felizmente, ambos avançam a narrativa visivelmente, mas assistimos tão pouco das duas subtramas, que parecem estar presentes somente para completar a duração do episódio a fim de não bagunçar toda a programação das emissoras. Dito isso é inegável que o caso assumido pelo policial Giles (Reg E. Cathey) tenha assumido uma notável complexidade – novas peças entram no tabuleiro e talvez estejamos lidando com pessoas simplesmente e não demônios, mas cujas ações possam ter invocado tais presenças para a pequena cidade de Roma.

Um tropeço, contudo, não faz Outcast cair e From the Shadow It Watches representa mais um acerto para a série, que rapidamente se estabelece como uma das melhores surpresas de 2016. Com um roteiro que sabe trabalhar com nossas expectativas, as quebrando em todos os instantes e uma construção de personagens fluida e dinâmica, o seriado produzido pela Cinemax não se mantém na mesmice e traz algo de novo a cada semana, fazendo com que sua exibição passe em um piscar de olhos, nos deixando logo ansiosos para o que está por vir.

Outcast – 1X06: From the Shadow It Watches (EUA, 15 de julho de 2016)
Criação:
Robert Kirkman
Showrunner: Chris Black
Direção: Tricia Brock
Roteiro: Joy Blake
Elenco: Patrick Fugit, Philip Glenister, Wrenn Schmidt, David Denman, Julia Crockett, Kate Lyn Sheil, Reg E. Cathey, Gabriel Bateman, Callie Brook McClincy, Brent Spiner, Zach Shirey
Produtora: Cinemax
Disponibilização no Brasil (à época da elaboração da crítica): Canal Fox
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.