Crítica | Outcast – 1X09: Close to Home

estrelas 3,5

Obs: Contém spoilers. Leia as críticas dos demais episódios, aqui e dos quadrinhos, aqui.

Falta apenas um episódio para o encerramento da 1ª temporada de Outcast e, portanto, era de se esperar um cliffhanger poderoso, ainda que não particularmente imprevisível considerando que todos ao redor de Kyle Barnes, como ele mesmo tem deixado claro há algum tempo, sofrem por ele ser uma espécie de ímã para o que quer que esteja possuindo os habitantes da cidadezinha de Roma. Mas o caminho para lá é conturbado e, digamos repetitivo.

O episódio começa exatamente de onde o anterior acaba, com Megan limpando os cacos dos copos e garrafas que usou como alvo para descarregar sua raiva de Donnie, seu estuprador. Há, no momento em que ela usa um pedaço de vidro para autoflagelar-se, uma mórbida correlação poética com o final, com outro pedaço – dessa vez do espelho – cravado no pescoço de Mark, que sangra efusivamente ao chão do banheiro. Com isso, o episódio um enquadramento bem elaborado e bem pensado, com todas as demais narrativas encapsuladas entre os dois terríveis dramas de Megan, antes assombrada por seu passado, agora dominada por mais uma das misteriosas entidades que se sentem atraídas por Kyle.

No entanto, o desenvolvimento das histórias paralelas que vemos neste meio é claudicante, com o reverendo Anderson quase que totalmente saindo de seu personagem por duas vezes seguidas. E digo isso apesar de ele já ter sido bem caracterizado como um homem estourado, que briga por qualquer coisa e também como um clérigo frustrado com seus anos de exorcismos que ele, agora, descobriu terem sido inúteis. Se seu estouro diante de Sidney e de toda a cidade em The Damage Done, que o deixou com a pecha de louco, fazia todo o sentido considerando a armadilha em que ele caiu, o mesmo não pode ser dito das agressões à Sidney na igreja e à Aaron na casa de Patricia. Afinal, entre a “queda” do reverendo e os acontecimentos deste episódio, ele já refletiu, já percebeu seus erros, já conversou com Kyle e com seu amigo Giles sobre eles. Mas então, revertendo para seu estado anterior, ele simplesmente “perde as estribeiras” por duas vezes seguidas, claramente demonstrando que não evoluiu em nada.

E, mesmo que aceitemos que o reverendo é como o Hulk e não consegue pensar quando está de cabeça quente, a questão é que seus dois novos estouros, aqui, não são mais do que uma repetição do clímax de The Damage Done em escala menor e não avança a trama em nada. Afinal, Anderson não pode afundar sua carreira e sua reputação na cidade mais do que já afundou. Ainda que sejam momentos carregados de emoção e de tensão, com ótimas atuações de Philip Glenister de um lado e, de outro, Brent Spiner, Close to Home teria se beneficiado de um foco maior em Kyle e sua tentativa de se reaproximar de Allison.

O que me leva à segunda questão. O tempo empregado no drama de Anderson acaba forçando o roteiro de Adam Targum a encontrar atalhos para levar Kyle de volta à Allison. Primeiro, se Kyle realmente achava que Allison poderia ter se matado, fica difícil entender o porquê de ele ter demorado tanto tempo para invadir a casa dela e que só tenha feito impulsionado por Mark, como se ele tivesse dado uma ideia brilhante e original. Segundo, a chega conveniente da mãe de Allison quando ele está saindo e o encontro dos dois no sanatório pareceram saídas fáceis demais para um momento que deveria ter sido mais poderoso. Os dois mereciam um pouco mais de tempo juntos – ainda que o resultado final fosse idêntico – do que alguns minutos no parapeito de uma janela na penumbra que nem mesmo deu chance à Kate Lyn Sheil mostrar a que veio. Do jeito que tudo aconteceu, a construção da cena assemelhou-se muito com o momento que Allison deixa Amber com Kyle, seguido de uma última noite de amor entre eles.

Compensando parte dos problemas, porém, foi interessante ver uma nova sub-trama sendo aberta por Sidney, que encarrega Kat – e por tabela Ogden – de uma nova missão, algo que parece ter relação com a chegada de mais “possuídos” e que provavelmente levará ao encerramento em cliffhanger da temporada. Além disso, a construção da narrativa de Megan entre um momento sanguinolento e outro foi muito bem feita, com a personagem emocionalmente abalada sendo ajudada por Kyle exatamente da mesma maneira que ela sempre o ajudou (vide início de A Darkness Surrounds Him), lidando com Amber, descobrindo que está grávida e chegando ao fundo do poço emocional somente para ser resgatada pelo marido que promete um novo começo. E, com essa nota feliz, vem o “golpe” da possessão de Megan e da muito provável morte de Donnie, momento forte que interessantemente desfaz aquela névoa de dubiedade sobre a natureza dos “seres demoníacos” que Chris Black e Robert Kirkman vem trazendo desde o começo da série, culminando em What Lurks Within.

Close to Home se perde em um miolo repetitivo e talvez até desnecessário, mas ele está longe de ser um episódio ruim. Apenas não se equipara aos demais, especialmente aos dois anteriores. Mesmo assim, ele é hábil quando foca em Megan e Donnie, deixando o espectador tenso e apreensivo pelo que pode acontecer.

Outcast 1×09: Close to Home (EUA, 05 de agosto de 2016)
Criação:
Robert Kirkman
Showrunner: Chris Black
Direção: Howard Deutch
Roteiro: Adam Targum
Elenco: Patrick Fugit, Philip Glenister, Wrenn Schmidt, David Denman, Julia Crockett, Kate Lyn Sheil, Reg E. Cathey, Gabriel Bateman, Callie Brook McClincy, Brent Spiner, Zach Shirey, Pete Burris, Debra Christofferson, C.J. Hoff
Produtora: Cinemax
Disponibilização no Brasil (à época da elaboração da crítica): Canal Fox
Duração: 50 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.