Crítica | Outcast – 2X04: The One I’d Be Waiting For

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estrelas 4

Obs: Contém spoilers. Leia as críticas dos demais episódios, aqui e dos quadrinhos, aqui.

Outcast tem sido transmitida uma semana adiantada em diversos países fora dos EUA, inclusive no Brasil. E, curiosamente, todos os episódios da segunda temporada estão disponíveis na seção sob demanda da Net Now. No entanto, seguirei publicando críticas semanais, baseando-me na data de exibição nos Estados Unidos para manter um padrão, pois, confesso, não entendo mais a estratégia comercial da Fox/Cinemax com essa série.

Dito isto, é particularmente bom notar que The One I’d Be Waiting For corrige os maneirismos diretoriais que vinha assolando a série e que haviam chegado ao ápice no episódio anterior. Os ângulos americanos e a câmera invertida quase desapareceram aqui, tornando a progressão narrativa muito mais suave e agradável ou, pelo menos, tão agradável quanto o showrunner Chris Black permite. Afinal, “agradável” não é mesmo o melhor adjetivo para definir Outcast e isso de forma algum é uma afirmação de conotação negativa. Muito ao contrário, Black não faz concessões e mantém a série pesada, atmosférica, beirando a depressão, com os personagens cavando buracos para si próprios a cada episódio, buracos esses de onde eles dificilmente sairão incólumes.

A direção de Alrick Riley é o que mais chama atenção, por não permitir descanso. Trabalhando com uma fotografia eternamente escurecida, ele simplesmente se recusa a filmar durante o dia ou em lugares iluminados. Chega a ser enervante, mas toda a sala ou ambiente em que Kyle Barnes, o Reverendo Anderson e o Chefe Giles entram está completamente escuro, com luzes apenas de lanternas ou que não quebram as sombras de maneira eficiente. Trata-se de uma maneira arriscada de dirigir, pela facilidade com que isso pode afastar os espectadores, que, normalmente, esperam um sinal de esperança, de que “tudo vai ficar bem”. No entanto, não há nada disso especialmente nesse capítulo que efetivamente canoniza Aaron como um dos grandes vilões da temporada.

O garoto, que já não batia bem desde o primeiro minuto em que o vimos em cena na temporada passada, protagoniza uma agoniante sequência de abertura com sua mãe, Patricia, que leva o espectador da tensão ao relaxamento e de volta à tensão a cada segundo, em uma ingrata montanha-russa de sentimentos até o encerramento que era imaginado desde o primeiro segundo, mas por várias vezes duvidado: o filho matou a mãe como parte de uma macabra vingança pelo que ele caracteriza como a traição dela em favor de Anderson. O matricídio, que acontece off-camera, é aterrador mesmo sendo esperado e ver Patricia estirada no chão, sangrando, ainda viva e cheia de furos de faca é um soco no estômago, algo que arranca de vez as luvas de pelica nesse conflito que tecnicamente foge da trama principal, mas que, ao mesmo tempo, está intimamente ligada com ela.

Quando finalmente vemos Aaron fugir com Sidney, sabemos que um laço forte foi estabelecido entre os vilões que, assim como Kyle ameaçou ao final do episódio anterior, também formam uma equipe poderosa, contando também com a policial Nunez. Por outro lado, Bob, que tinha dado a entender que entraria novamente na luta contra os possuídos ao lado de Kyle, como fizera com seu pai, não parece querer muito mais do que sentar em um carro em seu ferro-velho escutando música. Mas a revelação do esconderijo do pai de Kyle e as técnicas, digamos, pouco ortodoxas que ele usava para fazer os exorcismos abre uma porta interessante que deixa ainda mais difícil de entrever com clareza a fronteira entre o bem e o mal. Se Kyle parece manter-se mais ou menos em um caminho de retidão moral, todos ao seu redor parecer estar deixando as paredes ruírem, o que pode significar que a de Kyle não resistirá por muito mais tempo.

Com um atmosfera massacrante, claustrofóbica e tensa, The One I’d Be Waiting For é um episódio forte da temporada que deixa muito claro que as coisa piorarão muito antes de melhorarem, se é que um dia melhorarão de verdade. Com as sombras cada vez mais fechando o caminho, o futuro de Kyle e companhia não parece ser dos melhores.

Outcast – 2×04: The One I’d Be Waiting For (EUA, 1º de maio de 2017)
Criação:
Robert Kirkman
Showrunner: Chris Black
Direção: Alrick Riley
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Elenco: Patrick Fugit, Philip Glenister, Wrenn Schmidt, David Denman, Julia Crockett, Kate Lyn Sheil, Reg E. Cathey, Gabriel Bateman, Callie Brook McClincy, Brent Spiner, Zach Shirey, Pete Burris, Debra Christofferson, C.J. Hoff, M.C. Gainey
Produtora: Cinemax
Disponibilização no Brasil (à época da elaboração da crítica): Fox Premium 1
Duração: 47 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.