Crítica | Outcast – 2X07: Alone When It Comes

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estrelas 3,5

Obs: Contém spoilers. Leia as críticas dos demais episódios, aqui e dos quadrinhos, aqui.

Depois de The Common Good e Fireflies, dois dos melhores episódios da série até agora, Outcast dá uma rateada em Alone When It Comes que soa muito mais como um filler light do que um episódio para continuar impulsionando a narrativa de verdade. No entanto, há uma lógica no episódio e ela precisa ser considerada.

Mas vamos com calma. A premissa básica, aqui, é que Kyle Barnes, finalmente reunido à sua esposa e filha depois de quase morrer esfaqueado pelo agora ex-chefe Giles possuído e de ser sequestrado pelo Dr. Park, decide mais uma vez fugir de Roma. Sim, exatamente o mesmo que aconteceu ao final de This Little Light, que encerrou a temporada anterior, e que foi desfeito logo no começo da presente temporada, em Bad Penny. Definitivamente não foi a melhor escolha do roteiro de Helen Leigh, pois repisa decisões e mudanças de raciocínio já feitas antes, algo capaz de impacientar qualquer um.

Sem dúvida alguma, porém, o objetivo, aqui, foi finalmente dar um norte preciso para Kyle. Se entendermos dessa forma, a repetição passa a ser justificada. Antes, Kyle fugira de Roma no mais completo desespero, sem ter ideia do escopo da “invasão” das gosmas pretas. Agora, ele reage instintivamente depois dos horrores que passou, mas sabe, lá no fundo, que precisa ficar para lutar, que fugir não é realmente a solução. Portanto, o que ele quer, mas não percebe de imediato é o que Kyle faz no final: a entrega de Amber e Allison à proteção de Bob, o dono do ferro velho e ex-parceiro de seu pai na caçada aos seres malignos.

Com isso, ele está livre para voltar e enfrentar seus demônios, algo que ele já mostra ao quase liquidar a nova chefe de polícia Nuñez ali mesmo, no asfalto. Kyle Barnes declara guerra e, mesmo que o episódio não avance tanto na trama, essa questão fica bem definida, bem marcada.

Enquanto isso, Rosie sai de uma posição de coadjuvante para o destaque absoluto do episódio, com sua sana assassina depois que seu marido foi quase tomado pelos seres gosmentos. Confesso que foi uma mudança talvez radical demais, mas que  pode ser explicada pela adrenalina, pelo senso de sobrevivência, pela velha história da leoa protegendo quem ela ama. A violência é terrível, sem dúvida, mas está contextualizada e tem sua lógica dentro do episódio, mas tenho a impressão que ela parará por aí, já que o próprio Kyle não tem intenção nem mesmo de deixar os hospedeiros já completamente tomados pelas criaturas em estado vegetativo como aconteceu com sua mãe. Apesar de toda sua raiva, ele parece querer encontrar uma solução de meio-termo, mas que não é ainda passível de ser vislumbrada com as informações que temos.

Sidney, por seu turno, está chegando ao final de suas forças. Depois de enfrentar um Kyle enfurecido no episódio passado, sua deterioração acelera, deixando-o fragilizado perante os líderes de sua “comunidade”. Insistindo ainda que consegue repetir a solução aparentemente alcançada há 30 anos, ele não entrega os pontos e quase morre em um acidente de automóvel, somente para ser capturado por uma das integrantes do Culto do Farol, o que finalmente revela que, de fato, eles são quem dizem ser e estão do lado de Kyle e Anderson. A rotina de captura e solta – repetida aqui com Sidney – também está começando a ficar cansativa, mas creio que, considerando que estamos já chegando ao final da temporada, haverá uma função para esse novo encontro entre os dois lados desse mistério.

Pela primeira vez na temporada, a fotografia de Evans Brown deixa de ser completamente (ou quase) noturna, com a tentativa de road trip de Kyle permitindo-nos que vejamos um pouco do sol. Mesmo assim, porém, a atmosfera opressiva continua forte, com ambientes semi-fechados como o próprio automóvel de Kyle e a floresta sendo usados para oprimir os personagens, algo favorecido pela direção de Josef Wladyka que se beneficia de planos gerais bem distribuídos que tentam o máximo nos mostrar apenas aquilo que os personagens podem ver, evitando que relaxemos.

Alone When It Comes é, como disse, um filler light, já que ele também impulsiona a trama, ainda que de leve, sem o passo firme dos episódios anteriores. Ele serve muito mais para fechar uma porta para uma parte do passado de Kyle – aqui representado por sua esposa e filha – e abrir outra: a da revanche. Espero que seja esse o caminho a ser tomado nos três capítulos finais.

Outcast – 2×07: Alone When It Comes (EUA, 22 de maio de 2017)
Criação:
Robert Kirkman
Showrunner: Chris Black
Direção: Josef Wladyka
Roteiro: Helen Leigh
Elenco: Patrick Fugit, Philip Glenister, Wrenn Schmidt, David Denman, Julia Crockett, Kate Lyn Sheil, Reg E. Cathey, Gabriel Bateman, Callie Brook McClincy, Brent Spiner, Zach Shirey, Pete Burris, Debra Christofferson, C.J. Hoff, M.C. Gainey, Hoon Lee, Madelyn Deutch
Produtora: Cinemax
Disponibilização no Brasil (à época da elaboração da crítica): Fox Premium 1
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.