Crítica | Outcast: Vol. 2 – Uma Vasta e Infindável Ruína

estrelas 4

Obs 1: O título original do volume 2, que é também o título do oitavo número da publicação – A Vast and Unending Ruin – foi traduzido de maneira livre por mim, já que Outcast ainda não foi publicado no Brasil.

Obs 2: Leia aqui a crítica do volume anterior e aqui as críticas dos episódios da série de TV. Há spoilers somente do volume anterior. 

outcast_vol_2_capa_plano_criticoO segundo volume de Outcast, que marca a volta de Robert Kirkman ao gênero de quadrinhos que o consagrou, com a longeva série The Walking Dead, é composto dos números 7 a 12 e aprofunda os mistérios envolvendo as possessões demoníacas na fictícia cidadezinha de Roma, em West Virginia, nos EUA que, de alguma maneira, têm ligação com o traumatizado Kyle Barnes, homem que, quando criança, sofreu abusos físicos de sua mãe possuída e foi acusado de abusar de sua filha e esposa, apesar de ele mesmo saber que a história foi outra e que sua esposa também estava possuída.

Como visto no volume anterior, Barnes e o reverendo Anderson foram bem sucedidos em exorcizar o menino Joshua, algo que abriu o caminho deles para uma missão maior. Anderson passou a ser o campeão religioso na luta contra o capeta e Barnes, mais pé no chão, procura entender como é que ele se encaixa nesta equação, já que o demônio o chamou de “exilado” (outcast) e largou o garoto em razão de seu sangue, que parece gerar repulsa no monstro.

O segundo volume começa com Anderson lidando com as consequências físicas de seu breve encontro com o que parece ser o próprio Satã, na figura de um senhor de roupa e chapéu pretos que se identifica banalmente como Sidney. Ele se junta a Kyle para visitar outros supostos possuídos que haviam sido exorcizados por Anderson com dois objetivos: ver se eles realmente estão “curados” e investigar um padrão nessa loucura toda, já que Joshua não tem mais sequelas ao passo que a mãe de Kyle, Sarah, encontra-se em estado catatônico.

Na medida da progressão do arco, Kyle começa, aos poucos, a criar uma teoria sobre o que está acontecendo – algo aparentemente relacionado com o tempo de possessão – e como exatamente funcionam seus “poderes”. No entanto, Kirkman não perde a oportunidade de acrescentar outros mistérios em cima dos já existentes e apresenta os leitores a algo chamado “fusão” (merge), como um evento futuro relacionado com todos os possuídos. Não aprendemos efetivamente nada sobre esse fenômeno, mas nós o vemos corroborado por duas vezes, sendo que, na segunda, tanto Kyle quando Anderson também são informados sobre sua existência.

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Surpreendentemente, Sidney tem grande participação neste volume, algo que milita a favor da tese de que talvez, no final das contas, ele não seja o Tinhoso propriamente dito e que a publicação não seja assim tão simples como pode parecer à primeira vista. Afinal, ele não faz demonstrações de poderes e tem conversas crípticas e de certa forma inesperadas com os possuídos, dando a entender que a tal fusão é algo que talvez não seja exatamente sobrenatural, mas sim algo que seria melhor classificado como “extraterrestre”. Ou, talvez, neste mundo bem particular criado por Kirkman, talvez uma coisa não seja exatamente diferente da outra, assim como a mitologia dos filmes solo de Thor é explicada como ciência.

Mas o mais interessante neste volume é mesmo como a arte de Paul Azaceta amadureceu. Seus traços rústicos continuam, mas ele consegue criar momentos tensos, sem o benefício de balões de diálogo, que usam recursos cinematográficos como a interpolação entre planos abertos e fechados, algo particularmente fenomenal na sequência em que Kyle se sente observado no posto de gasolina. Na crítica anterior, comentei que seu estilo de traço não me agradava muito, mas começo a rever meus conceitos, por ele compensar eventual falta de detalhes em seu desenho com uma composição de quadros instigante e inteligente, uma das poucas que faz valer o recurso da “leitura guiada” fornecida pelos aplicativos de quadrinhos.

Uma Vasta e Infindável Ruína é a continuação mais do que natural do volume anterior ao ponto de eles não parecem arcos separados, mas sim um maxi-arco de 12 números. A leitura é fácil e recompensadora, além de ser uma das poucas séries em quadrinhos que realmente pode ser classificada como de terror. Tomara que Kirkman continue acertando!

Outcast: Vol. 2 – Uma Vasta e Infindável Ruína (Outcast: Vol. 2 – A Vast and Unending Ruin, EUA – 2015)
Contendo: Outcast #7 a #12
Roteiro: Robert Kirkman
Arte: Paul Azaceta
Cores: Elizabeth Breitweiser
Letras: Rus Wooton
Capas: Paul Azaceta, Elizabeth Breitweiser
Editora original: Image Comics
Datas originais de publicação: março a setembro de 2015
Editora no Brasil: ainda não publicado no país (na data de publicação da presente crítica)
Páginas: 131

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.