Crítica | Pânico na Neve

Como transformar o esqui em algo aterrorizante fora da imagem mental de se descer uma montanha íngreme e congelada pela primeira vez em cima de dois palitos de madeira? Normalmente associado com férias, relaxamento, diversão, brincadeiras, o esqui na neve sofre, com Pânico na Neve, um twist interessante, digno de filme de horror.

Talvez o momento que dê mais frio na barriga ao se esquiar é a subida de teleférico para começar a brincadeira, especialmente para esquiadores de primeira viagem. Chegar lá em cima e descer aquela altíssima montanha inclinada depende muito mais da habilidade do esquiador do que de fatores externos. Sim, descer de esqui pode dar calafrios, mas o teleférico que nos transporta até o cume da montanha está totalmente fora de nossa esfera de influência e, portanto, de nosso controle. Além disso, ele é alto o suficiente para tornar improvável a sobrevivência de alguém que, no desespero, queira jogar-se lá de cima.

Tanto é assim que, muitas vezes, assim como o elevador de nossa dia-a-dia, ele pode parar no meio do caminho pelas mais variadas razões desde prosaicos problemas corriqueiros como situações mais sérias. Quando isso acontece – e às vezes pode acontecer por vários minutos e em raros casos por uma noite inteira, como já efetivamente aconteceu, conforme notícias – só nos resta esperar.

E é aí que o diretor (então com apenas dois outros longas de pouca relevância no currículo) Adam Green focou seu filme, que também escreveu. A premissa é simples e objetiva, sem qualquer ambição de ser mais do que é.

Um casal de namorados, Parker (Emma Bell) e Dan (Kevin Zegers) mais um amigo “vela”, Joe (Shawn Ashmore) querem dar uma última descida de esqui antes que a estação feche e só reabra cinco dias depois. Eles sobem no teleférico, mas o empregado da estação que sabia que eles estavam subindo tem que resolver um problema e é substituído por alguém que acaba presumindo que não tem mais ninguém na montanha. Resultado: o teleférico é desligado e os três ficam pendurados a muitos metros do chão, no escuro, em um frio congelante e com uma tempestade a caminho.

Com exceção dos 10 ou 15 minutos iniciais, toda a fita se passa na cadeira do teleférico e só há interação entre esses três personagens. Trabalhar um longa em um espaço confinado desses, ainda que, aqui, haja o benefício de tomadas abertas, em panorâmica, já que a natureza do próprio teleférico assim permite, é complicado e exige que a fórmula seja mantida fresca a cada nova sequência, sob pena de deixar o espectador inquieto e enjoado. O roteiro de Adam Green, que também dirigiu a película, até consegue manter o suspense e o frescor por um bom tempo, com a situação ganhando elementos cada vez mais desesperadores que levam a desastrosas medidas por parte dos jovens, especialmente um deles, mais ousado (ou burro, depende). Contar mais seria estragar o filme de breves 93 minutos. Basta dizer que há lobos, muitos lobos pela região, como se não bastasse o frio de rachar.

Como costuma acontecer em filmes dessa natureza que circulam por festivais de cinema (ele estreou em Sundance, sendo adquirido pela Anchor Bay e lançada nos cinemas americanos em seguida), ele parece ser originário de uma ideia interessante que não necessariamente clama por um longa metragem. De fato, premissas simplistas às vezes resultam em obras absolutamente fantásticas, mas exige-se algo mais para isso acontecer. Uma qualidade especial que não necessariamente conecta-se com a habilidade técnica do diretor, que também é roteirista e que, claro, teve uma ideia interessante e decidiu desenvolvê-la dessa forma. De fato, a ideia é, em si, sem dúvida intrigante, mas o filme perde seu elã quando alcança o clímax prematuramente, ainda lá pela metade. Mais ou menos como seus protagonistas, o diretor ficou sem saída e foi obrigado a “rcomeçar” a fita em sua metade, repetindo o que já havia feito. É a típica ideia que, no papel, funciona magistralmente, mas que, na hora de sua execução, mostra todas as falhas, com um filme que acaba esgarçando-a a ponto de rasgar.

No entanto, como diversão descompromissada, Pânico na Neve funciona. O artifício que dá o gatilho ao filme é curioso e diferente, levando a especulações intrigantes por parte do espectador, que, muito facilmente, pode transportar-se para a situação. É, porém, o tipo de obra completamente esquecível, daquelas que, quando os créditos começam a rolar, o espectador já não sabe bem a trama do que acabou de assistir.

Pânico na Neve (Frozen, EUA – 2010)
Direção: Adam Green
Roteiro: Adam Green
Elenco: Emma Bell, Shawn Ashmore, Kevin Zegers, Ed Ackerman, Rileah Vanderbilt, Kane Hodder, Adam Johnson, Chris York, Peder Melhuse
Duração: 93 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.