Crítica | Scream: 1X01: Red Roses

estrelas 3,5

__ Call 911!

__ Calling Pottery Barn.

Mexendo no formigueiro dos “clássicos de ontem”, a MTV resolveu arriscar um mergulho perigoso no universo de Pânico (1996), a icônica obra de Wes Craven. A série, criada pelo trio Jill E. Blotevogel, Jay Beattie, Dan Dworkin — produtores com um currículo interessante, com produções de séries razoáveis a muito boas como Moonlight, Harper’s Island: O Mistério da Ilha, Cold Case e Criminal Minds — gerou especulações, revoltas e celebrações entre fãs e haters, especialmente na comparação entre a série e os filmes da franquia cinematográfica, o primeiro e mais estúpido erro de quem quer achar algum motivo para detratar algo, tem preguiça de construir argumentos e opta pelo mais burro.

Scream pega emprestado os elementos originais do roteiro de Kevin Williamson, mas não pretende fazer um filme com isso. Estamos em outra mídia e com uma outra proposta. É mais ou menos a mistura conceitual/dramática de Teen Wolf + Harper’s Island + Twin Peaks – QI – bom desenvolvimento de personagens + Pânico. Para um produto da MTV e com o roteiro o mais popular possível, o resultado desse episódio piloto é surpreendentemente positivo. E que chorem as viúvas descabeladas de 1996. Red Roses não é um episódio redondo e possui uma quantidade grande de erros, mas tem excelentes momentos e, pelo sim pelo não, é bastante divertido.

Começamos aqui com lembranças da personagem de Drew Barrymore em Pânico. Como é a sequência de abertura, fica clara a intenção do diretor Jamie Travis em emular o passado e, a partir daí, começar a andar para algum lugar que não sabemos ainda. Os clichês de planos, ângulos e câmera na mão estão lá, mas a fluidez da montagem confere elegância à sequência. Ela é batida em conceito, mas é bem filmada e quase convence em termos de atuação. Vemos pela primeira vez a nova versão do Ghostface com uma máscara assustadora e levemente inspirada em uma das máscaras de De Olhos Bem Fechados. Em resumo, estamos falando de uma abertura de 7 minutos que funciona como uma mola para a verdadeira trama, ondas as coisas se tornam enigmáticas e a curiosidade começa a crescer.

A metalinguagem e a relação com os slashfilms aparecem na manhã seguinte à sequência de abertura. E vamos à escola. Embora tenhamos personagens do Ensino Médio que agem como se estivessem na faculdade e o bizarro espanto de uma turma ao descobrir que uma aluna era lésbica (e sim, estamos na mesma emissora de Faking It!), os jovens acabam tendo uma atitude próxima do que era esperado para os padrões da emissora, algo que já tinha sido prometido nas promos e teasers divulgados antes — ninguém estava esperando mini-Lecters na MTV, certo?

Isso posto, é evidente que os personagens possuem motivos fracos e são descerebrados, mas essas características não incomodam a ponto de empurrar o público para longe do show ou nublar a ação em volta. Perceba que, a despeito das atuações medíocres — nem todas, mas a maioria — e questionável exploração dos personagens, existe um fio condutor que é sim interessante e animador. Para cinéfilos ou seriadores, a discussão metalinguística sobre o que se pode ou não pode fazer na TV é incrível (e daí vem a melhor sequência do episódio, que é quando a mãe de Nina a encontra), e traz referências aos filmes O Massacre da Serra Elétrica (1974) e Halloween: A Noite do Terror (1978) — inclusive na trilha sonora, com alusões melódicas ao arrepiante tema de John Carpenter — e séries como The Walking Dead, American Horror Story, Bates Motel e Hannibal. Tudo isso configura um tipo de cumplicidade com o público que sustenta bem o argumento geral do programa e deixa o finalzinho desse piloto ainda mais interessante.

As coisas podem degringolar do jeito que for a partir daqui, mas devo dizer que a minha baixa expectativa para o que ia encontrar em Scream talvez tenha me protegido de diversas formas. Tanto que mal posso esperar pelo próximo episódio da série e isso é definitivamente um bom sinal. Bem, pelo menos para mim, não para Emma. Quer dizer… ei, que barulho é esse? Ei! Tem alg…?

Pânico/Scream: 1X01: Red Roses (EUA, 30 de junho de 2015) – Series Premiere
Criadores: Jill E. Blotevogel, Jay Beattie, Dan Dworkin
Direção: Jamie Travis
Roteiro: Jill E. Blotevogel, Jay Beattie, Dan Dworkin, Kevin Williamson
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Bella Thorne, Bobby Campo, Tom Maden, Brianne Tju, Sosie Bacon, Max Lloyd-Jones, Sharisse Baker-Bernard
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.