Crítica | Scream 1X02: Hello, Emma

estrelas 3

__ You don’t know me.

__ But I do. That’s the real horror show.

Vocês viram quem está de volta? A jornalista Gale Weathers que… não… esperem… na verdade é Piper Shaw (ou Shay), host do podcast Autopsy of a Crime. E é isso. Basicamente o episódio Hello, Emma trouxe esta importante novidade para o público de Pânico/Scream, mas não elencou mais nada de substancial. Tudo bem que vemos surgir alguns fios na teia do “quem está matando todo mundo?“, como um assassinato com o intuito de girar engrenagens que só veremos no capítulo seguinte; um jogo de basquete lento e patético; várias nuances românticas que podem gerar bons assassinatos (!)… mas esses fios não são fortes o bastante para criar um episódio sólido no montante da temporada. Hello, Emma não é ruim, mas é narrativamente passável. Quase medíocre.

O diretor Tim Hunter é o membro da equipe de produção que menos apresenta falhas no episódio, cabendo ao roteiro de Jill E. Blotevogel o maior peso das bobagens. Observe como o episódio, apesar de fraco em estabelecer raízes, é muito bem dirigido como um jogo detetivesco, quase uma reportagem, uma “crônica de uma morte anunciada”, se vocês preferirem (perdoe-me, Sr. Márquez). Como chamei a atenção no parágrafo anterior, o verdadeiro ganho aqui é a apresentação da podcaster Piper Shaw, cuja entrada nos mostrou algo que não vimos em Red Roses — por um motivo óbvio –: os caminhos possíveis para a busca do assassino, as suspeitas por sobre os que permanecerem vivos e o que de fato a temporada pretende construir.

Se tomarmos este ponto de partida, voltamos à boa atuação de Tim Hunter na direção, filmando uma introdução simples e tecnicamente bem feita para seguir com um clima de luto, culpa, acusação e medo nas cenas seguintes. Nesse ponto, nos afastamos de Pânico (1996). Ainda bem. “E por quê ‘ainda bem’?“, o leitor desatento pode perguntar. Ora, porque a diferença de mídia permite que esses sentimentos sejam construídos e não dados — no filme a construção é pré-fornecida porque tudo deve se resolver em cerca de 2h –, como alguns showrunners preguiçosos fazem com séries que possuem elenco jovem, tornando tudo muito raso.

O leitor pode perceber a diferença fazendo a seguinte observação: em Red Roses começamos com algumas verdades prontas que tivemos que aceitar para seguir com o show. Agora em Hello, Emma temos a oportunidade de ver portas se abrindo para um drama/horror possivelmente rico, estabelecendo o medo como fator primordial e cercando os personagens de modo criativo, como a “semente da discórdia” plantada na cabeça de Emma por Kieran, um indício de que a linha dos relacionamentos insanos prosseguirá na série.

Diferente da trama anterior existe apenas uma sequência memorável aqui (Tim Hunter se concentrou mais em não permitir que os personagem parecessem vazios). Ela começa aos 20 minutos, ao som de Kingdom of Alone (Bertie Blackman), quando vemos Emma no trabalho, onde tem uma pequena conversa com Piper. A sequência é dirigida com precisão incrível, além de ter uma montagem modulada, sem mudança estrutural de ritmo, o que é raro para séries desse porte, que normalmente picotam as sequências densas como se estivessem fazendo vinagrete de celuloide ou HD, possivelmente tentando passar ao espectador uma tensão que seria melhor conseguida em ritmo natural e com cenas bem dirigidas (se quer ver isso em outro gênero de série violenta, assista Utopia). Vemos a alternância entre pequenos e grandes movimentos de câmera, onde o diretor visivelmente toma cuidado na composição dos ângulos a fim de não nos dar uma “impressão errada” sobre o que as personagens sentiam ou maquinavam naquele momento.

Em poucas cenas, nos convencemos da passagem das horas e logo a seguir, quando Emma vai jogar o lixo e é perseguida, temos o fechamento da sequência com chave de ouro, em uma evidente referência (na horizontal) à técnica do medo com movimentação de cenário utilizada por Hitchcock em Um Corpo Que Cai. É um truque de montagem antigo, datado do Primeiro Cinema, e  pode parecer estranho a espectadores ão cinéfilos, mas seu uso é excelente e consegue o objetivo com perfeição.

Seguindo as referências que espelham o gênero e cenário narrativo deste episódio, ainda temos, mencionado em um dos diálogos, o filme Carrie, a Estranha (1976) e as séries The Walking Dead e How to Get Away with Murder, esta última, nos abandonando em um recorrente (na franquia Pânico) mas interessante cliffhanger que provavelmente estará na abertura de Wanna Play a Game?, o próximo episódio da série. Vamos ver até onde essa brincadeira vai.

Palpite da semana: Ghostface é Shia LaBeouf, testando uma nova abordagem motivacional.

Pânico/Scream: 1X02: Hello, Emma (EUA, 7 de julho de 2015)
Direção: Tim Hunter
Roteiro: Jill E. Blotevogel
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy MiddendorfSosie Bacon, Bryan Batt, Amelia Rose Blaire, Bobby Campo, Tom Maden, Brianne Tju, Marisela Zumbado
Duração: 43 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.