Crítica | Scream 1X03: Wanna Play a Game?

estrelas 3,5

SPOILERS!

Riley? Sério, Jill E. Blotevogel e Jaime Paglia? Uma personagem agradável, simpática e que podia acrescentar muita coisa ao rumo que a série começa a tomar, na linha do processo investigativo para o qual já havíamos chamado atenção em Hello, Emma. Uma perda e tanto. Mas pelo menos foi (muito!) bem realizada e conseguiu elevar um tantinho a qualidade da série, que claramente encontrou uma trilha segura de roteiros para o restante da temporada. Basta sabermos se isso será aproveitado nos capítulos vindouros.

É bastante seguro afirmarmos que a busca por respostas, como em um drama adolescente sobre algo assustador, será algo frequente em Scream a partir desse terceiro episódio. Com o misterioso assediador de Emma cada vez mais ousado e alguns “sentimentos de vingança” criados nos personagens, é hora de encararmos duas frentes de ação, o que é exatamente o sustentáculo de Wanna Play a Game?, onde a interação entre assassino(s) e “jogadores” fica mais forte e mais… mortal.

Piper aparece apenas no início, mas o olhar questionador para as coisas que veio com sua personagem é implantado no show dentro da seguinte linha narrativa: todo mundo já percebeu que os assassinatos não são uma coisa passageira. E eles vem se tornando mais intricados, constantes e com objetivos a médio e longo prazo. Daí o título e a história de Wanna Play a Game? serem tão propícios nesse momento da temporada. Não é necessariamente um agrupado de eventos inteligentes, mas os principais pontos dão sinais de maturidade e perdem a aura de slash drama gratuito.

Há quem reclame da ausência de citações ao filme (ou aos filmes da franquia Pânico, se bem que esta temporada tem o primeiro longa como base central), mas isso é uma grande bobagem. A série é um spin-off naquele universo, não uma cópia exata, uma continuação ou um espelho tardio. Até pode ser que as tramas futuramente se desenvolvam na base de similaridades com sua fonte original, mas por ora, aquele é um universo emprestado, nada mais.

O que realmente incomoda não é esse “desligamento literal” com Pânico. O problema é mais pontual: a trama de isopor e já insuportável envolvendo dois atores ruins — pelo menos aqui eles estão ruins –, Connor Weil e Tom Maden. Com carinhas de cachorro molhado e segredinhos de um bromance em crise, Will e Jake começaram razoáveis dentro do escopo teen da série, mas agora parecem ganhar um destaque que não mereciam e estragar o desenvolvimento de todo o restante da história.

Se olharmos friamente pra esse episódio, fora os diálogos que, em geral, ainda são pobres e clichês, veremos que todas as tramas individuais estão bem colocadas e funcionam muito bem. Até a rápida sequência do velório tem justificativa cênica para o que vem depois. O mesmo, porém, não acontece com os segredinhos de Will e Jake. Ou os produtores guardaram algo mind blowing a partir das ações da dupla ou eles simplesmente vão manter uma presença com mistérios para os quais ninguém dá a mínima.

A construção técnica de Wanna Play a Game? é ágil — a montagem se destaca como em nenhum outro episódio — e a melhor cena é definitivamente a morte de Riley, da fotografia doentia aos movimentos de câmera, edição e mixagem de som e interação com a reação de Noah. O ator John Karna tem feito um trabalho muito interessante na série. Ele não é espalhafatoso, não se “esforça demais” como os garotos citados no parágrafo anterior e consegue grande atenção pela boa sua construção, à exceção de algo que nada tem a ver com ele e sim com os criadores: o estúpido tema musical com violinos, violas e cellos que acompanha toda fala que o personagem explica algo. O problema, óbvio, não é o tema (é um belo tema!), mas o excesso e o uso inapropriado que atrapalha.

Querendo ou não, o jogo começou. Que venha o primeiro passo da investigação sinistra. Já era tempo de uma jogada ousada por parte das presas e de uma investida cada vez mais cortante do predador.

Palpite da semana: Ghostface é Madonna, após de ser hipnotizada pela versão remix de sua própria música.

Pânico/Scream: 1X03: Wanna Play a Game? (EUA, 14 de julho de 2015)
Direção: Scott Speer
Roteiro: Jill E. Blotevogel, Jaime Paglia
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Amelia Rose Blaire, Bobby Campo, Tom Maden, Brianne Tju, Anthony Hill, Taylor Murphy, Tyler Perez
Duração: 40 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.