Crítica | Pantera Negra – A Série Animada (2010)

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O sucesso da série em quadrinhos escrita por Reginald Hudlin chegou a tal ponto que garantiu ao autor uma adaptação de seu arco de abertura, Quem é o Pantera Negra?, para a TV, em uma série de seis episódios com duração de vinte minutos cada um (em algumas exibições, 12 episódios de 10 minutos). Essencialmente, a animação traz todos os principais detalhes da HQ, sendo bastante fiel ao original (o fato de o próprio Hudlin ter sido o roteirista dos capítulos ajudou nisso), mas, como sempre acontece em adaptações, algumas retiradas e adições de cenas precisaram ser feitas para a nova mídia.

Preservando os traços e disposição de ação observados na arte original (por Romita Jr. e Klaus Janson), a animação ganhou muito na exploração da dualidade visual entre o exotismo e as “falsas aparências” de Wakanda, comparada a países como Estados Unidos, Suíça, Vaticano, Mônaco e até à própria inimiga de longa data, a nação de Niganda. O diretor Mark Brooks (um faz-tudo experimental no cinema, na televisão e nos quadrinhos) aproveitou as adições do roteiro de Hudlin e transformou as sequências nos diferentes países em verdadeiros segmentos lógicos que a boa montagem da série organizou de maneira harmônica, errando pouquíssimo a mão em todo o processo.

Apenas a parte final, com a aparição dos X-Men e o destaque quase aleatório para Tempestade é que tomam um atalho inconveniente se comparado à nova proposta. A ação de Ororo tem, para todos os efeitos, um peso emotivo vindo diretamente dos quadrinhos, mas sua intervenção na fase derradeira da batalha em Wakanda atrapalha aquilo que se resolveria muitíssimo melhor se fosse tal qual o original. Um outro erro, também de adição de material, foi a sequência de Ciclope, Wolverine e, rapidamente, Noturno lutando contra o Fanático, que substitui o “vilão-músculo” original, Rino. Por mais graça que tenha ver uma equipe conhecida ligada, mesmo que à distância, a um evento em Wakanda, essa participação não vem em um bom momento para a série e, pior ainda, o tempo ali perdido poderia ser utilizado para mostrar mais da terra do vibranium, seu povo e as consequências pontuais do ataque coordenado pelo Garra Sônica (não o Ulysses Klaw, um outro).

Respeitando o espaço geográfico e utilizando elementos artísticos para tornar a adaptação ainda mais interessante, o diretor empregou muito bem uma trilha sonora adequada a um país africano. Nos três primeiros episódios temos algo mais musical-tribal e nos três últimos, uma maior presença de orquestra com um arranjo de música de guerra, onde se destacam a percussão pesada e harmonias dramáticas, sem exageros. Também vale dizer que a música serve de boa apresentação de personagens especiais, como Shuri, Ramonda e S’Yan, todos com participação mais interessante aqui na série do que nos quadrinhos, com cenas que mostram um pouco mais de suas personalidades, relação com T’Challa e peso de ações na governabilidade ou administração de instituições do país.

Com episódios curtos e divertidos, Pantera Negra – A Série Animada é um complemento mais do válido para quem leu Quem é o Pantera Negra?. Assim como o original, a série tem o objetivo de apresentação, mas a participação dos X-Men e algumas alterações desnecessárias talvez confundam ou possam afastar espectadores que não tiveram acesso ao arco em HQ. E para quem gosta de comparações de origem, vale dizer que Hudlin criou uma outra versão para o primeiro encontro entre T’Challa e Ororo, originalmente apresentado por Chris Claremont, John Byrne e Bob McLeod na Marvel Team-Up #100. Ainda prefiro muitíssimo a origem oitentista, mas dentro da proposta geral desta aventura, a versão de Hudlin faz mais sentido. Eis aí um outro bom motivo para quem não viu a série, correr atrás dela.

Pantera Negra – A Série Animada (Black Panther) — EUA, 2010
Criador: Reginald Hudlin
Direção: Mark Brooks
Roteiro: Reginald Hudlin
Elenco (vozes): Kerry Washington, Alfre Woodard, Jill Scott, Djimon Hounsou, David Busch, Taye Diggs, Phil LaMarr, Stan Lee, Carl Lumbly, Adrian Pasdar, Georgette Perna, Kevin Michael Richardson, JB Blanc, Peter Lurie, Vanessa Marshall, Phil Morris, Nolan North, Stephen Stanton, Jonathan Adams, Rick D. Wasserman
Duração: 6 episódios de 20 minutos (em algumas versões, 12 episódios 10 minutos)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.