Crítica | Pantera Negra de Ed Hannigan e Jerry Bingham

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Após o encerramento da fase de Jack Kirby à frente do Pantera Negra, coube a Ed Hannigan continuar (juntamente com Jim Shooter) a aventura do soberano de Wakanda contra Kiber, o Cruel. Dando sequência àquela fase, a revista Black Panther Vol.1 só conheceria mais duas edições, ambas escritas por Hannigan e ilustradas por Jerry Bingham (com finalização de Gene Day). Nestas edições, não temos uma sequência em Wakanda para os eventos posteriores à luta com Kiber. Em The Beasts in the Jungle!, já encontramos T’Challa em Nova York, no Consulado de Wakanda, discutindo acordos comerciais com alguns investidores e políticos americanos.

Ed Hannigan faz de tudo para dar um passo à frente na vida do herói e de seu país, trabalhando dois motivos pelos quais T’Challa resolveu ir aos Estados Unidos. O primeiro, por uma questão de Estado, onde ele poderia estabelecer alguns acordos, já que há poucos meses revelou para o mundo tudo o que Wakanda tinha de fato a oferecer. Essa abertura de fronteiras econômicas impressionou, como era de se esperar, a todo o mundo, e agora T’Challa precisava atender a conferências e chamados diplomáticos que o afastavam novamente de casa (a sombra do épico A Fúria do Pantera paira sobre a memória do espectador). Mas existe um outro motivo. Um “sexto sentido” criado em T’Challa após o seu contato com vibranium em estado bruto, que o levou a Nova York com a perspectiva de que “algo iria acontecer”. E de fato acontece. Ulysses Klaw está de volta.

Tanto na edição #14 quanto na edição #15, Revenge of the Black Panther!, temos uma boa luta do Pantera Negra e dos Vingadores (mais precisamente Capitão América, Fera e Visão) contra os animais de “som sólido” criados por Klaw. Como sempre, a arte para esses bichos chamam a atenção e aqui, está em um projeto visual excelente, inclusive na boa aplicação de cores. O problema mesmo é o roteiro, que se empenha demais em fazer valer a desculpa de uma fraqueza do corpo de Klaw como parte de um plano do vilão para recuperar a energia e ter novamente controle do som. Na parte final da batalha, os garotos criminosos do Thunderbolts simplesmente atrapalham o andamento da história, sendo deixados de lado. O roteiro não consegue lidar com tanto personagem sobrando.

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Pantera Negra e Capitão América vs. um “bicho de som” do Garra Sônica.

O fechamento da trama é satisfatório e a ação do Pantera Negra durante a luta, bastante adequada ao que esperamos do personagem, especialmente porque ele não se fia dos colegas vingadores para vencer a luta de maneira mais rápida. Ele vai atrás daquilo que deve e faz as coisas em seu tempo, inclusive dando ordens para que os outros Vingadores se afastem e sendo prontamente obedecido. No final da edição, a chegada de Monica Lynne, Kevin Trublood e de Hector Ruiz (Windeagle) ao Consulado de Wakanda, ativa a nossa curiosidade pela continuidade da história. Como a revista solo do Pantera foi cancelada nesta edição #15, a trama só teve continuidade na Marvel Premiere #51, onde retornou o Klan, velho inimigo do Pantera Negra.

Black Panther Vol.1 #14 – 15 (EUA, março e maio de 1979)
Roteiro: Ed Hannigan
Arte: Jerry Bingham
Arte-final: Gene Day
Cores: Nelson Yomtov, George Roussos
Letras: John Costanza, Rick Parker, Gaspar Saladino, Clem Robins
Capas: Bill Sienkiewicz, Joe Rubinstein, Danny Crespi
Editoria: Roger Stern, Jim Salicrup
48 páginas

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A Luta Final do Pantera Negra Contra o Klan

Aqui temos a continuação dada ao trabalho de Don McGregor na Jungle Action, cancelada em sua edição #24, em 1976. Resumindo: temos o Pantera Negra investigando o assassinato de Angela Lynne, irmã do ex-namorada de T’Challa, aqui passando para os encantos do jornalista bigodudo Kevin Trublood, uma suave mas estranha troca de parceiros amorosos.

Considerando os 3 anos transcorridos entre o momento em que McGregor deixou a história e a retomada na Marvel Premiere por Hannigan e Bingham, muita coisa precisou ser recolocada nas páginas e alguns novos rumos precisaram ser efetivados pelo novo autor. Uma delas eu já comentei, ou seja, o término do relacionamento de T’Challa com Monica Lynne e o comprometimento dela com Kevin. Mas este não foi o único. Existe um outro, um tanto mais problemático — porque não é finalizado — e que fala sobre o Pantera ter sido manipulado mentalmente para esquecer determinados eventos ligados aos caso de assassinato que estava investigando. E é neste ponto que começamos esta pequena nova fase de três edições.

Ed Hannigan tenta ao máximo se aproximar do estilo de escrita de Don McGregor, inclusive na predileção por grandes narrações, descrições poéticas ou líricas de algumas cenas e pensamentos críticos colocados quase clandestinamente no meio de alguns diálogos ou no decorrer de algumas situações moralmente complexas. Isso é interessante de se ver, mas por ser um roteirista de pendor mais ligado ao espetáculo, esse tipo de tom de enredo pelas mãos de Hannigan soa um pouco estranho, como se não pertencessem a alguns personagens. E considerando a queda dos roteiros dessas edições, podemos arriscar que ele não se sentia exatamente à vontade escrevendo sob essa “sombra”.

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Coitado do Windeagle.

Pelo menos temos a explicação sobre Hector Santiago Ruiz, o Windeagle, e por que ele queria tanto matar o Pantera Negra. Mas, ao mesmo tempo que vemos esse personagem ganhar algum destaque, motivação e explicação sobre quem é, alguns mistérios bem mais importantes deixam de ser resolvidos e não entendemos o por quê de algumas pistas e encontros adicionados ao texto no decorrer das edições. O Pantera fala que Windeagle utilizava “tecnologia wakandana” para voar, o mesmo tipo de princípio criado para o Falcão, mas esse conceito não é desenvolvido e as pistas sobre os “poderosos” do caso simplesmente se perdem. A resolução do caso principal acaba sofrendo com o mesmo problema, porque existe uma inserção muito ruim de um dos piores momentos da saga Pantera Negra Contra o Klan e que o autor achou que seria bom retomar nesta fase, tentando fechar o ciclo. Definitivamente não foi uma boa ideia.

A arte de Jerry Bingham tem momentos bastante inspirados, especialmente nos quadros grandes. Como existe um número maior de texto aqui, e a diagramação das páginas não segue nem de longe o modelo inovador de organizar desenho e texto adotado no arco A Fúria do Pantera, a impressão de “bagunça” e “poluição visual” nos acompanha, especialmente nas duas últimas edições. Isso não torna o trabalho do artista ruim, mas com certeza menos impactante do que se estivesse em uma base visual mais livre, e não com divisões tão certinhas dos quadrinhos.

O término do arco nem parece um término. Ele vem após o “encontro místico” e completamente desnecessário do Pantera com uma “lenda” ligada à família Lynne e em um Deus Ex Machina mais rápido que Mercúrio. Então tudo está resolvido. Só que não. Destinos que deveriam ser traçados aqui são simplesmente deixados ao gosto da interpretação do leitor e parece que a mesma maldição que ocorrera na Jungle Action, ou seja, o cancelamento do título antes de o autor ter tempo suficiente de colocar a casa em ordem, ataca novamente. Embora esses impasses não tornem a história ruim, o leitor só consegue mesmo é lamentar. Pelo menos é confortante ver uma história anterior retomada e quase completamente fechada. Não é tudo, mas já é alguma coisa.

Marvel Premiere Vol.1 #51 – 53 (EUA, dezembro de 1979 a abril de 1980)
Roteiro: Ed Hannigan
Arte: Jerry Bingham
Arte-final: Gene Day, Al Gordon
Cores: Bob Sharen
Letras: Gaspar Saladino, Diana Albers
Capas: Al Milgrom, Klaus Janson, Bob Budiansky, Steve Leialoha, Gaspar Saladino, Frank Miller, Joe Rubinstein
Editoria: Roger Stern, Jim Salicrup
72 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.