Crítica | Papai Noel Conquista os Marcianos

estrelas 1

Imaginem o seguinte cenário: em plena Guerra Fria, Papai Noel é sequestrado por uma nave espacial marciana a fim de ir à Marte entregar presentes às crianças. Lá, os pequenos são viciados na “TV Terra”, principalmente no Canal Kid, aonde assistem com profunda tristeza, a infância alegre que existe no planeta vizinho. Pois bem, este é o enredo de Papai Noel Conquista os Marcianos um clássico dos Filmes B estadunidenses, mas não um dos bons, passando longe de primores como Palhaços Assassinos do Espaço Sideral e semelhantes.

Quando falamos de filmes B, a análise da obra deve ser direcionada às características desse gênero, considerando aí os elementos de produção, a proposta e, claro, o contexto em que foi realizado, nesse ponto, como qualquer outro filme. Não se pode pedir perfeição em uma obra destinada a ser imperfeita. Pois bem, mesmo dentro desse patamar e sob essas considerações, o filme de Nicholas Webster é muito ruim, mas nem por isso perde o “encanto” inexplicável que esse tipo de produção tem sobre o espectador. É impossível querer largar o filme no meio, por pior que ele seja; do mesmo modo que é impossível não se divertir com as trapalhadas de Voldar, o vilão marciano; e de Droppo, o futuro Papai Noel.

O roteiro da fita traz com bastante obviedade um viés anticomunista, que parece ser entregue de bandeja para o espectador: Marte é um planeta onde as pessoas tem o pensamento controlado por uma estrutura invisível (mas estatal); não é um planeta consumista — engraçado que muitas produções natalinas de décadas depois traria o consumismo como elemento de crítica para algumas pessoas/famílias que só enxergam o Natal pelo elemento “ganhar presentes” (exclui-se nessa linha de pensamento as crianças, porque criança só que e tem que ganhar brinquedo mesmo) –; sua a tecnologia é kitsch e a falta de liberdade de expressão é evidente. Ou seja, neste filme, temos praticamente uma representação da Coreia do Norte do século XXI, só que mais rico.

O texto segue mesclando palhaçadas natalinas, ideais políticas típicos da Guerra Fria e volta-se para explicar o ponto de mudança de Marte, destacando o líder Kimar, que começa a ficar preocupado com a sua situação do planeta vermelho. As crianças marcianas estão tristes porque não recebem presentes, não brincam durante a infância, são treinadas a estudar desde cedo, etc. A chegada do Papai Noel terrestre à Marte simboliza o início do consumismo no planeta. A produção em massa de brinquedos, a alegria das crianças e despreocupação dos pais. Pois, uma mudança e tanto de perspectiva e tudo isso em um filme realizado em estúdio (o orçamento da película foi de duzentos mil dólares), com um elenco de terríveis interpretações, direção completamente sandia e uma música-chiclete chamada Hooray for Santa Claus que deve ficar tocando na cabeça do espectador por 2 anos seguidos.

Uma nota importante sobre essa obra é que mesmo com todos os seus horrores internos, ela foi uma das bases conceituais de Tim Burton para co-escrever e produzir O Estranho Mundo de Jack (1993). Mesmo sendo uma das mais risíveis e piores películas já realizadas em solo americano, Papai Noel Conquista os Marcianos é um classicão B digno de ser visto, divulgado e discutido. Seu conteúdo anticomunista e as mensagens subliminares podem gerar muitos debates em grupos cinéfilos e o filme garante momentos de muita risada, diante de toda a má condução artística artística com que é realizado. Impossível ficar indiferente.

Papai Noel Conquista os Marcianos (Santa Claus Conquers the Martians) – EUA, 1964
Direção: Nicholas Webster
Roteiro: Glenville Mareth, Paul L. Jacobson
Elenco: John Call, Leonard Hicks, Vincent Beck, Bill McCutcheon, Victor Stiles, Donna Conforti, Chris Month, Pia Zadora, Leila Martin, Charles Renn, James Cahill, Ned Wertimer
Duração: 81 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.