Crítica | Paper Girls – Vol. 1

estrelas 4

Para falarmos sobre Paper Girls, precisamos primeiro discorrer um pouco a respeito de seu roteirista. Brian K. Vaughan é um queridinho da crítica americana, o escritor de Saga, Os Leões de Bagdá e Y: O Ultimo Homem, colecionando prêmios e sucesso em toda a sua carreira. Brian é o tipo de autor que se deve sempre estar de olho, pois, mesmo que alguns critiquem seus finais, a jornada até o terceiro ato é sempre incontestável.

Paper Girls impressiona logo em sua capa em que vemos um degradê em tons de rosa e amarelo com as quatro personagens principais pintadas completamente em azul. Não acidentalmente, essas serão as principais cores que Matt Wilson usará durante todo o quadrinho. Mas deixemos a arte para o fim.

Como já citado, a obra narra a história de quatro meninas, Erin, KJ, Mac e Tiff (sim, os nomes são curtos). Todas elas são, como já diz o título, entregadoras de jornais. A trama começa com Erin iniciando sua jornada de entrega na madrugada do Halloween de 1988, quando ela é surpreendida por um bando de adolescentes babacas. Antes que os meninos façam algum mal à garota, um grupo de três meninas, que também são entregadores, param suas bicicletas e os espantam.

Não contarei mais sobre a trama, pois acredito que qualquer centímetro a mais contado se transformaria em um spoiler, e Paper Girls é algo que tem que ser apreciado sem prévias. O que deve ser comentado é o clima construído por Vaughan. Há um tempo, a Netflix lançou uma série que explodiu em audiência: Stranger Things foi um sucesso graças a inúmeros fatores e o clima oitentista da série com certeza foi um dos maiores colaboradores para esse imenso hype.

Muitos dirão que o quadrinho surfa na onda criada pela série, entretanto, Paper Girls foi lançado em 2015, muito antes do seriado ser lançado pela produtora. Não digo que os Duffer Brothers copiaram o que Brian estava fazendo, mas posso afirmar que você irá se encantar com a atmosfera do quadrinho da mesma forma que se maravilhou com a da série.

Vaughan já mostrou sua habilidade em escrever diálogos em suas obras passadas, e em Paper Girls isso não é diferente. Escrever bem uma fala é algo essencial, ainda mais em uma historia em quadrinhos, elas são um canal direto entre o leitor e o escritor, um diálogo mal feito, ou mal trabalhado pode tirar o receptor de sua história. O mais interessante desse quesito é ver como personalidades são definidas a partir de um diálogo de um personagem. Existem poucos momentos do quadrinho que vemos o background de cada personagem, mas mesmo assim conseguimos definir de forma assertiva o que cada uma é, tudo por causa dos diálogos.

Basta folhearmos um pouco as páginas da HQ que já podemos entender o porquê dela ter ganhado um prêmio Eisner na categoria de Melhor Desenhista. Cliff Chiang, conhecido por desenhar a fase da Mulher-Maravilha durante os Novos 52, faz aqui um dos seus melhores trabalhos. Ele consegue dar identidade para todas as personagens principais, mesmo elas sendo meninas da mesma idade, que tem tudo para se parecerem muito. Ainda faz um trabalho de enquadramento dinâmico, fluido, e de encher os olhos de qualquer leitor em alguns momentos.

Além do excelente trabalho de Chiang, outro aspecto da arte deve ser abordado. No começo comentei sobre as cores da capa que se repetem durante todo o quadrinho e é exatamente isso que vemos. Tons de azul, rosa e amarelo preenchem as páginas de Paper Girls, porém, não vemos algo repetitivo. Matt Wilson consegue entregar cores sutis, com sombras muito bem inseridas.

Sempre digo que, para se ter um bom quadrinho, deve-se saber combinar a arte com o roteiro e na HQ em questão isso é muito bem feito. O que Vaughan escreve é muito bem representado por Chiang e Wilson , formando assim um álbum leve e divertido. Que venham as próximas edições.

Paper Girls – Vol.1 (Paper Girls) — EUA, 2015
Contendo:
Paper Girls #1 a 5
Roteiro: Brian K. Vaughan
Arte: Cliff Chiang
Cores: Matt Wilson
Editora original: Image Comics
Datas originais de publicação: 2015
Editora no Brasil: Devir
Data de publicação no Brasil: março de 2017
Páginas: 144

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".