Crítica | Parks and Recreation – 3ª e 4ª Temporadas

estrelas 4

Parks and Recreation é o tipo de série cujos Produtores Executivos começam com os pés no chão e uma grande consciência de que o tipo de comédia que estão para desenvolver não vai agradar muita gente. Mas ao mesmo tempo, é o tipo de série cujo modelo de comédia, surpreendentemente, ultrapassa as fronteiras pré-definidas do ambiente central de sua premissa cômica (nesse caso, o governo) e consegue fazer algo realmente engraçado, inovador e constante, nunca estacionando em um ponto da história ou migrando para o modelo “caso/problema” engraçadinho da semana.

Essa conquista, no entanto, não veio sem alguns sacrifícios, alguns deles um pouco exagerados e outros necessários, se considerarmos a grande mudança da série desde as suas duas temporadas iniciais.

Passamos da simples construção de um parque para algo bem maior e que foi se tornando cada vez mais intenso à medida que a série ganhava audiência e o elenco pegava o jeito de trabalhar em conjunto, livrando-se, por exemplo, do desconforto observado na 1ª Temporada.

Dos sacrifícios citados, um deles vale muito a pena ser citado porque é o que menos se justifica, em termos de história: a saída de Mark (Paul Schneider) da repartição de Parques e Recreação. O ator estava presente nos dois primeiros anos do show e realizou um ótimo trabalho, adotando o papel de um funcionário do setor privado que, por alguns bons motivos, resolveu entrar para a área pública e então percebeu que ali também não era o paraíso róseo que tanto sonhou.

No contexto da série, sua participação era pequena, é verdade, mas não necessariamente dispensável. Á época, Michael Schur, showrunner da série, disse em entrevistas que Mark foi criado como um funcionário que vive alternando entre os setores públicos e privados, e que ele foi criado justamente para se afastar da prefeitura em algum ponto da história. E o ponto foi marcado pelo aparecimento de dois agentes nomeados pelo governo do Estado para efetivar um corte de gastos em Pawnee. Este é o cliffhanger da 2ª Temporada, e, já na 3ª, não temos sequer uma única menção a Mark. A saída dele, portanto, não pareceu nada natural.

Ainda na 3ª Temporada é possível identificar elementos que, com o passar dos episódios, seriam melhor trabalhados na série. Dentre eles, podemos citar a chegada de Chris (Rob Lowe) e Ben (Adam Scott), que estabelecem uma atmosfera bem diferente na cidade e claramente apontam uma mudança de tom.

Com efeito, os roteiros começaram a almejar pontos mais altos a partir da 3ª Temporada. Algumas personagens, que tínhamos como monodramáticas, nos apresentam um outro lado, ganharam graça, melhor participação, passaram a trazer novidades para um enredo já bastante rico. É claro que nesse meio tempo algumas coisas foram sendo compassadamente ignoradas, como a questão do buraco aterrado que deveria ser transformado em parque. Uma citação ali, um problema aqui e de repente não se falava mais naquilo. Embora pareça estranho, a passagem não foi assim tão absurda e fez parte do amadurecimento do show, que passou a olhar para problemas muito maiores e ganhar características diferentes, mais intricadas e com conteúdos ainda mais cáusticos que os dos primeiros dois anos.

A coroação veio com a excelente 4ª Temporada, essa sim com o número mínimo de erros, mesmo considerando a insistência dos produtores em escalar o inútil Jean-Ralphio (Ben Schwartz) novamente. Aliás, o único momento em que o personagem ganha uma aparência suportável e interessante é na parceria que ele estabelece com Tom e funda uma empresa para afundá-la logo em seguida. Fora isso, suas participações sempre são marcadas por um exagero que é tipico do jovem personagem mas que não combina em nada com o tom da série.

A eleição para a Câmara de Vereadores (que traz uma ótima participação de Paul Rudd) é o ponto alto da 4ª Temporada, praticamente toda centrada na campanha de Leslie. Inicialmente achei que isso soava gratuito demais e que ia engessar um pouco esse ano do programa, mas eu estava completamente enganado. Amy Poehler está melhor do que nunca no papel da funcionária mais eficiente de todos os tempos e sua candidatura a vereadora é um grandioso evento, desde a preparação, o impasse do relacionamento com Ben, a cansativa campanha e o resultado que surge no finale da temporada. Aliás, esse 4º ano do show expandiu as personalidades e todos os empregados da prefeitura da cidade, tornando-os plurais e passíveis de mudanças, o que permite aos showrunners ótimas deixas para mudanças futuras.

Parks and Recreation é um notável exemplo de boa sitcom que começa pequena, ganha audiência e fica ainda melhor. Um exemplo que deveria ser seguido por algumas gigantes da comédia por aí…

Parks and Recreation – 3ª e 4ª Temporadas (EUA, 2011 e 2012)
Showrunners: Greg Daniels, Michael Schur
Elenco principal: Amy Poehler, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Rashida Jones, Aziz Ansari, Jim O’Heir, Retta, Adam Scott, Rob Lowe, Jay Jackson
Duração: 20 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.