Crítica | Parks and Recreation – 5ª Temporada

estrelas 4

Este foi o verdadeiro ano de Leslie Knope em Parks and Recreation. Mas não que os 4 anteriores não tenham sido. Desde a 1ª Temporada da série, observamos que a personagem era a verdadeira veia central, em torno da qual as principais histórias se desenvolviam e a partir da qual o teor exato do show era construído – um padrão narrativo que normalmente exige bastante do ator protagonista e que Amy Poehler assume com incrível precisão. Mas o que acontece nessa 5ª Temporada é mais um relatório de exercício de profissão, o documentário cômico do primeiro ano de Leslie no cargo de vereadora de Pawnee.

À primeira vista, parece algo tremendamente chato, sem muita abertura para comédia e impossível de entreter qualquer indivíduo… Ledo engano. Greg Daniels e Michael Schur, os criadores da série, elevaram o nível da comédia para um patamar completamente inesperado, tirando os ingredientes dos roteiros dos pontos mais absurdos, comuns e críticos de uma sociedade contemporânea (encarnados em Pawnee, que é uma cidade-sátira), um “fator realidade” que desde o início do programa prende facilmente o espectador.

O interessante é que juntando todos esses elementos, temos, além de mini-histórias individuais, uma veia central a ser seguida e um conceito geral para a série, o que a coloca em três diferentes patamares de análise: realista, metafórico e metalinguístico, todos eles já bem estruturados e com uma grande riqueza de “mitologia própria” que passou a ganhar espaço a partir da 3ª Temporada da série.

O gancho para o início do ano foi o estabelecimento de Ben em Washington, onde gerenciava a campanha de um candidato ao Senado. Já no episódio de abertura, Ms. Knope Goes to Washington (uma brincadeira com o título original do filme A Mulher Faz o HomemMr. Smith Goes to Washington – e que ganha reflexos de intertexto aqui) temos uma clara indicação de que o relacionamento de Leslie e Ben é de fato algo sério e que talvez eles se casem. Aliás, o Cupido ataca todo o pessoal de Leslie nessa temporada, fazendo com que sobre um pouquinho de amor para todo mundo, mesmo que esse amor ou paixão ou loucura seja Mona Lisa, a irmã de Jean-Ralphio Saperstein.

Jean-Ralphio é o único personagem realmente intragável de Parks, alguém que não acrescenta nada à trama (exceto quando fez a parceria com Tom na gerência da Entertainment 720) e que, além da citação no parênteses anterior, só passou a parecer melhor na série nessa 5ª Temporada porque veio em doses bem pequenas e muito rapidamente. Porém o mesmo não acontece com Mona Lisa, que consegue ser ainda mais ridícula que o irmão e cuja participação na trama só atrapalhou Tom – que vinha amadurecendo e ganhando contornos menos bobos do que os que vimos na 3ª e 4ª Temporadas – e diminuiu o tom cômico de praticamente todos os blocos em que apareceu.

Mas para compensá-la, tivemos um excelente trabalho em conjunto do elenco principal (com ótimo destaque para Donna, Andy e April, que ganharam mais voz e cenas nessa temporada) e um bom número de gags, slapstick, pequenas cenas musicais, cosplays e altas referências à cultura pop, um bônus nerd para a série vindo com Ben, na 3ª Temporada e que aparece tão bem contextualizado no meio dos eventos cotidianos que podem passar desapercebidos para um espectador mais desatento.

Parks and Recreation mantém-se uma excelente comédia, com muitos ajustes temáticos nos roteiros para cada episódio, completa interação entre os atores e acontecimentos de peso dentro da linha dramática principal, que se abriu em uma série de janelas no episódio finale dessa temporada (a mais notável, com certeza, a que envolve Ron Swanson), questões e possibilidades que certamente trarão grandes mudanças, boas risadas e muito compromisso para a 6ª Temporada.

Parks and Recreation –5ª Temporada (EUA, 2012 – 2013)
Showrunners: Greg Daniels, Michael Schur
Elenco principal: Amy Poehler, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Rashida Jones, Aziz Ansari, Jim O’Heir, Retta, Adam Scott, Rob Lowe
Duração: 20 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.